
O Retorno do Magnata Traído
Capítulo 2
Marcelo Dias dirigia seu carro, um sedã de aparência comum, pelas ruas movimentadas da cidade.
Ele estava voltando para casa depois de um ano inteiro fora, um ano sabático que tirou para se dedicar a um projeto pessoal secreto, longe de tudo e de todos.
Sua empresa, a TecnoFuturo, uma gigante da tecnologia que ele construiu do zero, ficou sob os cuidados de sua esposa, Patrícia Costa.
Ele confiava nela completamente, afinal, foi ele quem a tirou da pobreza, deu-lhe uma vida de luxo e a colocou em uma posição de poder.
Enquanto pensava nisso, um ronco alto de motor chamou sua atenção.
Um Porsche vermelho vibrante colou na sua traseira, buzinando histericamente.
O motorista do Porsche, um jovem de óculos escuros e roupas de grife, gesticulava, mandando Marcelo sair da frente.
Marcelo olhou pelo retrovisor, franziu a testa, mas manteve a calma.
A rua era de mão única e o trânsito estava lento, não havia para onde ir.
Ele decidiu ignorar, pensando que era apenas mais um jovem rico e impaciente.
Mas o Porsche não desistiu, o jovem começou a jogar o carro para os lados, tentando ultrapassar perigosamente.
Ele xingava alto, com a janela aberta, palavras que Marcelo preferia não ouvir.
"Sai da frente, seu velho imprestável! Anda com essa lata velha!"
Marcelo respirou fundo, contando até dez.
Ele não queria confusão no seu primeiro dia de volta.
Ele só queria chegar em casa, ver Patrícia, e contar que seu projeto secreto tinha sido um sucesso.
A provocação continuou por vários quarteirões.
O Porsche o seguia, buzina, gritos, gestos obscenos.
A paciência de Marcelo começou a se esgotar.
Ele era um homem calmo, mas não um santo.
Em um semáforo, o Porsche parou ao seu lado.
O jovem, que não devia ter mais de vinte e poucos anos, abaixou o vidro.
"E aí, vovô? Não tem dinheiro pra um carro decente? Por que não encosta e me deixa passar?"
Marcelo olhou para o rosto do rapaz, um rosto arrogante, mimado.
Ele estava prestes a responder quando algo no painel do Porsche chamou sua atenção.
Pendurado no retrovisor interno, havia um pequeno pingente.
Um pingente de cristal em forma de estrela.
O coração de Marcelo gelou.
Ele conhecia aquele pingente.
Foi o primeiro presente que ele deu a Patrícia, quando eles ainda namoravam.
Ela disse que era seu amuleto da sorte, que nunca o tiraria.
E o carro... Aquele Porsche vermelho...
Marcelo sentiu o sangue subir à cabeça, uma fúria fria e avassaladora tomando conta de seu corpo.
Ele se lembrou de ter aprovado a compra de um carro esportivo para a diretoria da TecnoFuturo, a pedido de Patrícia, pouco antes de sair de licença.
Ela disse que era para "uso executivo".
O semáforo abriu.
O Porsche cantou pneu e arrancou, cortando a frente de Marcelo de forma imprudente.
A fúria de Marcelo explodiu.
Ele não era mais o engenheiro calmo e racional.
Ele era um homem traído.
Sem pensar duas vezes, ele pisou fundo no acelerador.
Seu sedã, que parecia comum, era tudo menos isso.
O motor, um protótipo de seu projeto secreto, respondeu com um rugido poderoso e silencioso.
O carro disparou para frente.
Houve um som alto de metal se contorcendo.
Marcelo bateu deliberadamente na traseira do Porsche.
O esportivo vermelho rodou na pista e bateu em um poste.
Marcelo freou seu carro alguns metros à frente, o dano em sua dianteira era mínimo, quase um arranhão.
Ele desligou o motor e saiu do carro, caminhando lentamente em direção ao Porsche destruído.
O jovem saiu do carro, cambaleando, com um misto de choque e raiva no rosto.
"Você tá maluco? Você sabe quanto custa esse carro? Você vai me pagar até o último centavo!"
Ele apontou um dedo trêmulo para Marcelo.
"Você está acabado! Eu vou te processar, vou tirar tudo o que você tem!"
Marcelo parou na frente dele, o olhar frio como gelo.
A raiva ainda queimava dentro dele, mas sua mente já estava trabalhando, calculando, planejando.
Ele olhou para o pingente de estrela, que agora estava caído no banco do passageiro do Porsche.
Ele olhou para o jovem.
Ele decidiu que não faria nada por enquanto.
Ele queria ver até onde essa história iria.
Ele queria descobrir toda a verdade.
"Vamos ver", Marcelo disse, com a voz calma, mas cheia de uma ameaça contida.
"Vamos ver quem vai pagar por isso."
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