
O Retorno do Magnata Traído
Capítulo 3
O barulho da batida atraiu uma multidão rapidamente.
As pessoas saíram das lojas, pararam nas calçadas, celulares em punho, prontas para gravar o drama.
Um Porsche vermelho destruído contra um poste era um espetáculo raro.
"Nossa, que batida feia!"
"O cara do sedã deve estar encrencado. Aquele Porsche vale uma fortuna."
"Coitado do velhote, vai ter que vender a casa pra pagar o conserto."
Os cochichos e comentários da multidão alimentaram a arrogância de Bruno Mendes, o jovem influenciador digital.
Ele se sentiu o centro das atenções, a vítima de uma injustiça.
Ele inflou o peito, apontando para Marcelo.
"Estão vendo? Esse maluco me jogou pra fora da pista! Ele tentou me matar!"
Bruno caminhou em volta de seu carro, gesticulando dramaticamente.
"Olhem o que ele fez! Meu bebê! Isso vai custar caro, muito caro!"
Ele se virou para Marcelo, um sorriso de escárnio no rosto.
"Você não tem ideia de com quem mexeu. Minha namorada é a presidente da TecnoFuturo, Patrícia Costa! Ela vai acabar com você!"
O nome "Patrícia Costa" saiu de sua boca com uma intimidade que fez o estômago de Marcelo revirar.
Então era isso.
Não era apenas um caso, era um desvio de fundos da empresa para sustentar o luxo desse garoto.
Aquele carro. O estilo de vida. Tudo pago com o dinheiro de Marcelo, com o suor de seu trabalho.
A multidão reagiu ao nome famoso.
"Patrícia Costa? A da TecnoFuturo? Aquela mulher é poderosa."
"Esse cara tá frito. Mexeu com gente grande."
A simpatia do público, que já era pouca, se voltou completamente contra Marcelo.
Ele era agora o vilão da história, o velho invejoso que atacou um jovem rico e bem-sucedido.
Marcelo, no entanto, permaneceu impassível.
Ele calmamente pegou o celular e tirou fotos do acidente de todos os ângulos.
Depois, encostou-se em seu próprio carro, cruzou os braços e observou o show de Bruno.
Sua calma irritou Bruno ainda mais.
"Tá tirando foto pra quê? Pra guardar de lembrança da sua falência? Você vai me pagar, nem que tenha que trabalhar pro resto da sua vida!"
Marcelo finalmente saiu de seu silêncio.
Ele caminhou até estar a poucos centímetros de Bruno, olhando-o nos olhos.
Sua voz era baixa, mas cada palavra era clara e precisa.
"Primeiro, você estava me provocando há vários quarteirões, com direção perigosa. Eu tenho tudo gravado na minha câmera de painel."
Os olhos de Bruno vacilaram por um segundo.
"Segundo, você me cortou de propósito no semáforo, causando o acidente. A responsabilidade é inteiramente sua."
"Terceiro", Marcelo fez uma pausa, "a lei de trânsito é clara. Quem bate atrás nem sempre é o culpado, especialmente quando há uma manobra ilegal do veículo da frente."
Bruno riu, uma risada debochada.
"Lei? Que lei? Você acha que a lei se aplica a mim? Eu tenho os melhores advogados! Minha namorada vai resolver isso com um telefonema!"
Ele apontou para o carro de Marcelo com desdém.
"E que porcaria de câmera de painel você pode ter nessa lata velha? Deve ser uma daquelas baratas que nem funciona direito."
A ignorância e a arrogância do rapaz eram espantosas.
Ele realmente acreditava que o dinheiro e as conexões de Patrícia poderiam colocá-lo acima da lei, acima dos fatos.
Marcelo não sentia mais a fúria inicial.
Agora, ele sentia um desprezo gelado.
Esse garoto não era nada. Era um parasita.
A verdadeira culpada era Patrícia.
"Vamos esperar a polícia e a perícia", disse Marcelo, voltando para o seu lugar perto do carro.
"Aí veremos quem tem razão."
Ele se encostou no carro novamente, o rosto uma máscara de tranquilidade, enquanto por dentro, sua mente já traçava os próximos dez passos do seu plano.
A humilhação de Bruno seria apenas o começo.
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