
O retorno da rainha: mimada por três irmãos
Capítulo 2
Com um bolsa pesada pendurada no ombro, Rylie saiu da residência da família Kirk e foi ao estacionamento onde sua motocicleta de edição limitada a aguardava, mantendo o olhar firme à frente.
Anos se diminuindo e mascarando sua aptidão em prol da fragilizada harmonia da família Kirk finalmente ficaram no passado, e agora a liberdade era palpável.
Sua motocicleta acelerava pelas ruas movimentadas da cidade, cortando a brisa do entardecer, até que ela chegou à imponente entrada de um condomínio próximo a um complexo militar.
No posto de controle, os protocolos de segurança eram rigorosos como sempre, mas assim que a motocicleta de Rylie apareceu, o guarda esboçou um sorriso largo e abriu o portão. "Suas visitas são sempre uma surpresa bem-vinda, senhorita Kirk."
Num movimento hábil, Rylie levantou a viseira e o cumprimentou com um aceno de cabeça.
Lá dentro, pétalas de jasmim perfumavam a brisa, e vários oficiais passeavam tranquilamente sob as árvores floridas.
Quando a viram, eles logo se aproximaram.
"Olhem só quem voltou — Rylie, eu já ia entrar em contato com você. Aqueles comprimidos que você preparou para mim acabaram."
Rylie parou a motocicleta e tirou o capacete, suas feições gentis atraindo acenos simpáticos. "Pode passar na clínica amanhã. Estarei lá o dia todo se precisar de mais."
Avistando outro rosto familiar, ela gesticulou em direção a um senhor idoso com um colar cervical. "Quanto a você, já te disse que esse colar só está agravando o problema no seu pescoço!"
Um sorriso embaraçado se estampou no rosto dele enquanto removia o colar. "Será que você poderia pelo menos deixar eu tentar alguns exercícios leves?"
"Vá devagar e não faça nada imprudente", respondeu Rylie, entrando num prédio residencial.
Muito tempo atrás, seu vínculo com essa comunidade se iniciou de forma inesperada. Durante uma visita ao Hospital Geral Militar para comprar remédios, ela encontrou um idoso com epilepsia e, com uma prescrição que tratava a condição pela raiz, lhe proporcionou um alívio que nenhum outro médico conseguira.
Na verdade, esse senhor era um renomado médico especialista famoso já aposentado. Impressionado com o potencial de Rylie, ele fez questão de honrá-la e ofereceu um apartamento na comunidade como um gesto de gratidão.
Uma afinidade descontraída permeava a comunidade, cuja localização privilegiada proporcionava uma vida tranquila e confortável. Com o tempo, Rylie passou a considerar esse lugar o lar.
Assim que ela entrou no apartamento, as luzes acenderam e a suave voz da inteligência artificial a saudou: "Bem-vinda de volta, Rylie. Você esteve fora por três dias. Há duas mensagens de voz criptografadas à espera, sua caixa de entrada recebeu novos e-mails e seu banho está pronto."
Com um baque no chão, sua bolsa caiu, fazendo o zíper se abrir e um monte de notas se espalhar pela entrada.
Ela olhou para o monte de notas jogadas e, supondo que devia totalizar cerca de dez mil, soltou uma risada debochada.
Era isso que a família Kirk achava que ela valia, dando dinheiro como se ela fosse uma mendiga?
"Reproduza minhas mensagens", ela pediu.
A voz de Britton Davies foi a primeira a ecoar, gravada na noite anterior.
"Ei, Rylie, o prazo para inscrição na corrida de revezamento está quase acabando — já fizemos dois testes drives! Você ainda está com a família Kirk? De verdade? Tenho derrotado Phillip nesses dias!"
Um ligeiro arquear da sobrancelha revelava o reconhecimento de Rylie.
Phillip Kirk, seu terceiro irmão, comandava um dos clubes de corrida mais exclusivos do mundo, formando campeões e acumulando prêmios.
As longas noites de Rylie ao volante era o segredo dessa fama, levando a equipe dele a uma vitória após a outra.
Quando as finais se aproximavam a cada temporada, Phillip a trocava por Stacey, concedendo a vitória e medalha de ouro para Stacey.
Ano após ano, as habilidades e técnicas de Rylie na pista impulsionava o sucesso deles, mas quando os holofotes da impressa e admiradores surgiam, era Stacey quem recebia as honras, ao passo que Rylie permanecia invisível para o público.
De qualquer forma, troféus e medalhas pouco significavam para ela. Naquela época, proteger o ego da família era mais importante, mas agora...
Um sorriso se espalhou pelo rosto de Rylie enquanto ligava para Britton. "Quero metade do prêmio em dinheiro."
Ao ouvir isso, qualquer decepção que Britton pudesse estar sentindo desapareceu num piscar de olhos. "Combinado! A equipe de Phillip não me assusta. Mapeei cada movimento que eles fazem na pista, mas quando você está no volante, ninguém consegue acompanhar. Eu nunca perco para ele, mas acontece o contrário quando é você!"
Uma risadinha escapou de Rylie. "Você também percebeu. É engraçado como isso é óbvio, mas ainda assim eles ignoram tudo o que eu faço."
A curiosidade iluminou a voz de Britton, que mudou de assunto. "A propósito, outra novidade acabou de sair do forno. Tem havido alguns rumores na Internet obscura sobre a família Owen, que é a mais rica de Kouhron. Dizem que estão aqui em Crolens, procurando pela filha desaparecida e oferecendo uma quantia considerável por informações. Acha que devemos nos envolver?"
"Não tenho interesse. As provas finais estão chegando, então vou passar. Até mais", Rylie respondeu sem hesitar.
Britton ficou confuso com essa resposta. De todas as razões para desistir, exames eram a última coisa que ele esperava de Rylie. Pelo que ele se lembrava, ela nem sequer aparecia lá para fazer os exames.
Na verdade, era ela quem os elaborava...
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