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O retorno da lenda esquecida

Kayce era um mestre marcial e médico brilhante até perder sua memória e prestígio. Humilhado pela família da esposa como um genro inútil, ele viveu como um pária social. Contudo, suas habilidades extraordinárias começam a despertar. Ao recuperar seu passado, ele deixa de ser um alvo de piadas para se tornar um gigante global imparável. Agora, Kayce busca vingança contra quem o traiu, protegendo sua amada enquanto retoma seu lugar de direito no topo.
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Capítulo 1

Enquanto o último raio de sol se estendia pelas ruas, Kayce Harvey arrastava-se para casa com um peso no coração, cada passo mais pesado que o anterior.

Lá dentro, a Família Morris já havia jantado, deixando para trás apenas restos e pratos frios. Ninguém pensou em guardar uma porção para o genro indesejado que mal toleravam.

O sogro de Kayce, Sebastião Morris, estava sentado à mesa com uma expressão de fúria prestes a explodir. Sua voz era fria quando perguntou: "Trouxe o dinheiro?"

Do outro lado da sala, Kevin Morris, o irmão mais novo da esposa de Kayce, estava esparramado sem preocupação. Ele havia falado com sua namorada sobre casamento, e a família da moça exigia uma casa e um carro, ambos em nome dela.

Comprar um apartamento de 120 metros quadrados em Choro significava desembolsar pelo menos trezentos mil dólares.

Com pouco mais da metade desse valor reunido, Sebastião empurrou o fardo para Kayce, ordenando que ele pedisse desesperadamente um adiantamento salarial de um ano à sua empresa.

Jenessa Morris, a sogra de Kayce de língua afiada, franziu o nariz em desgosto. "A menos que consiga o dinheiro, não se incomode em ficar. Estamos fartos de alimentar um parasita inútil como você."

Uma risada amarga escapou de Kayce enquanto a frustração pesava em seu peito.

No sofá, Kevin nem sequer levantou o olhar do jogo. "Rosalyn deve estar fora de si para se casar com você. Honestamente, mesmo que você vendesse sua alma em parcelas, ainda não seria o suficiente para recompensá-la."

Nesse momento, Rosalyn Morris, a esposa de Kayce, desceu as escadas.

Seus longos cabelos deslizavam pelos ombros como uma cascata suave, emoldurando traços delicados e uma beleza que facilmente chamava a atenção.

Ao vê-la, a dureza nos olhos de Kayce derreteu sem pensar duas vezes.

Sem o amor que carregava por ela, ele já teria saído desse ninho de víboras há muito tempo.

Quando Kayce apareceu pela primeira vez na Rua do Charme em Choro há dois anos, ele não tinha memória de quem era ou de onde vinha. A única coisa que sabia era seu nome—Kayce Harvey.

Rosalyn foi a única a mostrar-lhe bondade. Ela lhe trazia comida escondida da simples barraca de comida de sua família, oferecendo sorrisos que brilhavam em seu mundo de escuridão.

Dia após dia, seus pequenos atos de cuidado esculpiram um lugar permanente em seu coração.

Logo, Kayce percebeu que havia se apaixonado perdidamente por ela.

Sem ter para onde ir, ele construiu um abrigo sob uma ponte perto da Rua do Charme e sobreviveu às noites difíceis da melhor maneira que pôde.

A cada dia, quando a barraca da Família Morris abria, ele observava Rosalyn de longe e ajudava silenciosamente com a limpeza após o fechamento.

Trocar alguns restos de comida por trabalho gratuito era um verdadeiro negócio da China, então Sebastião e Jenessa nunca intervieram.

Mais tarde, a vila onde a Família Morris morava foi escolhida para reurbanização, e as novas casas foram distribuídas de acordo com o registro familiar.

Infelizmente, como nenhum dos filhos era casado e ainda viviam no mesmo lar, a Família Morris só tinha direito a uma única unidade. Furiosos com a perspectiva, Sebastião e Jenessa pressionaram Rosalyn a se casar rapidamente.

Cansada da pressão incessante, Rosalyn elaborou um plano. Ela se casaria com Kayce, reivindicaria outro apartamento e partiria assim que tudo estivesse resolvido.

Embora o passado de Kayce fosse um mistério, Rosalyn ainda acreditava que ele não era uma má pessoa no fundo.

Além disso, seria necessário um homem sem orgulho ou exigências para concordar com o tipo de acordo que ela tinha em mente.

Quando finalmente revelou sua ideia, Kayce concordou sem hesitar.

Não mais noites tremendo sob pontes. A chance de ficar perto da mulher que ele adorava. Não havia como recusar.

No início, Sebastião e Jenessa hesitaram com a ideia de casar sua filha com um ninguém. Essa ideia feriu seus egos. Mas a perspectiva de garantir uma propriedade no valor de centenas de milhares rapidamente alisou suas dúvidas.

Encontraram uma brecha para registrar Kayce nos registros de Choro, apressaram o registro do casamento e até arranjaram um emprego de zelador para ele.

Apesar de suportar insultos diários de Sebastião e Jenessa, e do tratamento frio de Rosalyn, Kayce escolheu permanecer grato.

Pressionando os lábios, Rosalyn falou em voz baixa. "O casamento de Kevin é tudo que a família se importa agora. Espero que você faça o que puder para ajudar."

Kayce não perdeu tempo em responder: "Passei dias implorando à Financeira por um adiantamento, mas eles não cedem, não importa o que eu diga."

Antes que pudesse terminar, Jenessa resmungou. "Típico lixo inútil."

Por trás do telefone, Kevin zombou: "Casar com você foi a coisa mais idiota que Rosalyn já fez."

Franzindo a testa, Rosalyn lançou um olhar duro para Kevin antes de se voltar para Kayce. "Se estiver com fome, ainda tem um pouco de mingau na cozinha. Vou aquecê-lo para você."

"Não se incomode. Vou comer o que estiver lá," respondeu Kayce rapidamente.

Pegando uma tigela fria de mingau, ele se sentou à mesa com pão amanhecido e alguns restos do jantar.

Ele mal havia dado algumas mordidas quando a voz de Sebastião quebrou o silêncio. "Depois de tanto tempo trabalhando, ainda não tem economias? Tudo que parece fazer é comer."

Acendendo um cigarro por hábito, Kayce notou o olhar de desgosto de Jenessa e o apagou sem dizer uma palavra. "Ganho dois mil por mês. Metade vai direto para a mesada de Kevin. O que sobra mal cobre as despesas domésticas. Não sobra nada para economizar."

"Sem dinheiro no bolso, mas ainda gasta em cigarros de cinco dólares? Talvez parar de fumar e economizar um pouco," Kevin comentou com uma risada zombeteira e soltou um sopro de fumaça de seu cigarro premium. "Minha garota foi clara. Sem apartamento e sem carro, sem casamento."

Sua atitude deixou claro—ele esperava que outra pessoa resolvesse o problema.

A preocupação se insinuou no rosto de Sebastião. "E agora?"

Do outro lado da sala, Jenessa soltou um longo e pesado suspiro.

Minutos se arrastaram antes que seus olhos se estreitassem no peito de Kayce. Um sorriso lento cruzou seus lábios. "Entregue aquele pingente que você sempre usa."

Kayce piscou.

À sua frente, Rosalyn ergueu uma sobrancelha. "Mãe, por que está atrás do pingente dele?"

"Parece ser feito de jade. Provavelmente renderia um bom preço. Vamos tentar vendê-lo."

Choque cintilou nos olhos arregalados de Kayce. "Absolutamente não."

Aquele pingente era a única coisa ligada aos dias antes de ele acordar perdido e sozinho em Choro. Era seu único elo com quem ele costumava ser.

A boca de Jenessa se retorceu em uma careta. "Você está dizendo seriamente que esse pequeno amuleto importa mais do que o futuro de Kevin?"

Tentando manter a calma, Kayce falou. "Não é sobre o dinheiro. Esse pingente pode ser a única pista de quem eu sou. Sem ele, não tenho nada para encontrar minha verdadeira identidade..."

Uma risada amarga escapou de Jenessa. "Sua verdadeira identidade? Acha que é algum figurão misterioso? Pare de sonhar."

Sebastião cruzou os braços e disse: "Nós te encontramos quase morto e catando lixo. Não exigimos nada quando Rosalyn se casou com você. Agora você nem pode entregar um colar sem valor?"

Kayce abaixou a cabeça e disse calmamente: "Levem qualquer outra coisa que quiserem. Apenas deixem isso em paz."

Um sorriso feio distorceu a boca de Sebastião. "Qualquer outra coisa? Como o quê? Seus bolsos vazios?"

Com um franzir de testa, Rosalyn disse: "Papai, mamãe, por favor, não o forcem. Esse pingente significa muito para ele."

O rosto de Jenessa escureceu. "E o casamento de Kevin? Isso não significa nada para você?"

"Esse pingente é meu agora! Vou pegá-lo, quer você goste ou não!" Kevin avançou, alcançando o pescoço de Kayce.

Instintivamente, Kayce recuou. "Não posso. Realmente não posso dar a vocês."

"Ingrato. Quer que eu tire isso de você à força?" Kevin rugiu e bateu com o punho no rosto de Kayce sem aviso.

Kayce cambaleou, batendo na quina da mesa. Um som nauseante ecoou.

Uma dor lancinante rasgou seu crânio. As bordas de sua visão escureceram. Seu corpo desabou impotente no chão.

Atordoado, imagens passaram por sua mente como um filme.

Aquele golpe brutal na cabeça havia feito o impensável—toda a memória de Kayce voltou como uma enxurrada.

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