
O retorno da herdeira da máfia
Capítulo 3
O estalo da bofetada ecoou no salão, deixando os irmãos de Maren e Nadia paralisados de espanto.
Maren tinha mesmo coragem de pôr um ponto final na história com Wilbur? Durante anos, ela parecera completamente entregue a ele, apaixonada de corpo e alma. Mas agora, ela o esbofeteou em público, sem pestanejar, diante de todos.
"Você ficou maluca, Maren?"
Wilbur parecia incapaz de entender o que estava acontecendo. A ideia de que Maren tivesse tido a ousadia de encostar a mão nele soava completamente absurda.
Ele, Wilbur Thorpe, o jovem herdeiro da renomada família Thorpe, jamais fora desafiado desse jeito. Ninguém nunca o enfrentara, muito menos fisicamente. E agora, justamente Maren, a mulher que tanto tempo o venerara, o colocara nessa situação humilhante.
"Você deveria começar a implorar pelo meu perdão agora mesmo, ou não me culpe se eu decidir esquecer tudo o que vivemos até aqui!"
Wilbur estava fervendo de raiva. Se ela achava que podia transformá-lo em vilão para atrair a simpatia dos outros, que aprendesse agora o preço de sua encenação. Tudo o que ela estava conseguindo era aumentar o desprezo que ele sentia. O perdão já não era uma possibilidade. E quando ela enfim percebesse o vazio que estava criando ao seu redor, seria tarde demais.
Wilbur ainda acreditava que Maren estava apenas fazendo drama, pois, para ele, era difícil acreditar que alguém pudesse mudar tão drasticamente em tão pouco tempo.
Mas Maren já havia ultrapassado todos os limites da paciência. O amor que um dia ela sentira fora se apagando aos poucos, substituído por uma repulsa impossível de disfarçar.
Com a voz fria, ela disse: "Esse tapa foi o mínimo que você merecia, Wilbur. Vamos deixar algo claro aqui. Considere esse tapa uma leve repreensão pelo seu desrespeito. Você tem sorte de ter sido apenas isso. Além disso, considere nosso noivado encerrado. Estou terminando. Quero que me devolva os 10% das ações que transferi para a família Thorpe como presente de noivado. A partir de agora, não temos mais nada a ver um com o outro."
Determinada, Maren deu as costas e se preparou para sair. Agora que suas memórias estavam de volta, ela sabia que havia questões ainda mais urgentes a serem resolvidas. O tempo de encobrir verdades estava se esgotando, e ela estava pronta para encarar os traidores de frente.
"O quê?", a voz de Wilbur soou carregada de incredulidade, como se fosse impossível que Maren tivesse realmente tomado essa decisão.
Ele jamais imaginou que ela fosse tão longe, a ponto de romper o noivado. Mas o que o pegou ainda mais de surpresa foi sua exigência, fria e implacável, de recuperar os 10% das ações que havia dado à sua família.
Como ela ousava fazer isso?
Essas ações, na verdade, eram parte de um legado deixado pelo avô de Maren. Quando ele faleceu, sua mãe, antes de seguir o mesmo destino, havia legado a Maren 50% das ações do Grupo Morgan, com a promessa de que elas seriam dela quando atingisse a maioridade.
Mas, em um momento de extrema necessidade financeira, durante uma crise que quase destruiu a família Thorpe, Maren fez o impensável: adiantou 10% de suas ações como presente de noivado, na esperança de ajudar a família dele a se reerguer.
Na época, Wilbur aceitara o noivado mais pela conveniência financeira do que por amor, já que ele gostava de Nadia.
O restante das ações, 40%, estavam nas mãos do pai de Maren, que controlava a maior parte do legado da família.
Agora, Maren não queria mais continuar com o acordo e só queria o que era seu de volta.
O que ela pretendia fazer? Empurrar a família Thorpe para o abismo financeiro?
Assim como toda a família Morgan, Wilbur estava determinado a evitar esse desastre.
"Maren, você foi longe demais! Meu pai, nós todos, trabalhamos tão duro por essa família quanto você. Essas ações que você deu à família Thorpe nunca foram exclusivamente suas para reivindicar!", um de seus irmãos protestou.
"É mesmo, Maren, como você pode ser tão fria e gananciosa? Nós somos sua família!", Nadia acrescentou, irritada.
A perda dos 10% das ações representava um golpe devastador para a família Thorpe, uma ameaça real que poderia arruinar não apenas a estabilidade financeira, mas também colocar em risco o sonho de Nadia de se casar com um membro desta família.
Maren, porém, não vacilou e, determinada, ela se afastou, ignorando as súplicas e olhares suplicantes de todos à sua volta.
Esse gesto impiedoso gerou um pânico palpável no ar, que se espalhou rapidamente entre os presentes.
"Espere, Maren! O que é isso de cancelar o noivado e recuperar as ações? Você não vai sair sem dar uma explicação clara para nós!"
Foi nesse momento que Wilbur percebeu, com um choque crescente, que Maren não estava fazendo teatro.
O medo se infiltrou em seu peito, e ele não pensou duas vezes antes de dar um passo rápido, tentando agarrar o ombro dela, para impedi-la de sair.
Porém, os sentidos, apurados por anos de vivência no submundo, dispararam em alerta. Com um movimento ágil, Maren desviou da mão dele, como se fosse uma sombra fugindo de um ataque. E, sem perder o ritmo, devolveu o golpe de maneira brutal, acertando com força a mão do rapaz.
"Ah!", Wilbur exclamou, uma dor aguda tomando conta de seu braço, que ficou instantaneamente dormente.
Todos ficaram em silêncio, chocados com o desfecho inesperado da cena.
Wilbur era conhecido como um mestre de combate, um lutador de renome, que havia sido treinado pessoalmente por Beau Francis, um dos maiores guerreiros da história e ex-aluno da Academia Militar Real em Baimsa.
No entanto, ali estava ele, completamente derrotado, sem ter a menor chance contra Maren, que sempre fora considerada frágil.
Como isso poderia ser possível?
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