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Capa do romance O príncipe da noite

O príncipe da noite

Charlotte, de 21 anos, lida com a perda de um pai de quem desejava ter sido mais próxima. Vivendo com sua tia Cassandra após a morte misteriosa de sua mãe, a jovem vê sua vida mudar ao ler o testamento paterno. Ela herda uma propriedade em Scarlet Moon, uma cidade enigmática onde segredos antigos a aguardam. Agora, Charlotte deve enfrentar o desconhecido em um lugar repleto de mistérios sombrios para desvendar seu próprio passado familiar.
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Capítulo 2

*Charlotte*

Eu me sinto tão ansiosa com essa mudança para cá, é como se um turbilhão de memórias estivesse voltando, mas também o medo de sair da rotina do que eu estava acostumada a viver.

Essa casa é enorme, parece até uma mansão feita de madeira da melhor qualidade, tem tudo que uma pessoa que deseja paz e lazer poderia querer, mas é estranho estar no meio de uma floresta, longe da cidade grande.

—estou literalmente no fim do mundo!— digo entusiasmada, não consigo simplesmente ficar calma, pois é um grande passo na minha nova vida.

Tem uma vila perto daqui, as pessoas não gostam muito de forasteiros, Dylan, também parece não gostar pela forma que falou sobre só poder vender a casa para alguém daqui, ou para um familiar.

Eu tenho certeza que esse lugar esconde algo, talvez que tenha até relação com a morte da minha mãe, mas tenho que ter paciência, pois pode ser perigoso ficar perguntando para as pessoas daqui, não sei quem a matou então todos serão suspeitos por enquanto.

(...)

Eu me sinto extremamente suja, não consigo parar de espirrar por causa da poeira que estou limpando o dia inteiro, minhas roupas até ficaram pretas por causa da sujeira acumulada de anos atrás. Enquanto estava a limpar notei marcas e escritas estranhas gravadas nas paredes de madeira, pareciam símbolos celtas ou sei lá, não eram coisas normais tenho certeza.

Pode ser algum símbolo de proteção, ou tradição da vila daqui, pois esse lugar é tipo uma colônia imagino. Nenhum forasteiro pode comprar uma casa para morar, então esse lugar é bem fechado.

Acho que toda minha família viveu aqui, alguns saíram da vila e nunca mais quiseram voltar, como a minha tia Cassandra, saiu daqui fugida, encontrou um marido na cidade grande e nunca mais voltou para cá, algo que minha mãe, irmã dela, não fez.

Se minha mãe tivesse ido embora desse lugar estaria viva agora, mas eu nunca iria nascer, pois meu pai é um cidadão daqui.

Saio dos meus pensamentos quando escuto batidas na porta o que me faz levantar na hora, fico travada no mesmo lugar, pois não estou esperando ninguém, tento ir para o corredor, mas como a casa está sem luz e já escureceu está difícil para se locomover em completa escuridão, pois tem partes que não tem janela.

Pego meu celular no bolso da calça, balanço ele para ligar a lanterna e me guio pela casa na completa escuridão até chegar em frente a porta de saída. Vou até o olho mágico e tento ver quem é, mas não consigo ver nada além da completa escuridão, nem mesmo a floresta estou conseguindo enxergar, parece que tem alguma coisa tampando a visão.

Parece que o clima mudou de uma hora para outra, pois estou tento calafrios, sinto que não devo abrir a porta de jeito nenhum, me afasto dela devagar, noto que as batidas voltam, dessa vez mais insistentes.

Paro de andar para trás quando escuto uma voz estranha, calma, mas ao mesmo tempo assustadora —eu sei que você está aí. Eu sinto você, e sei que seu coração está batendo de forma irregular, escuto sua respiração falhada, sei que está com medo. Seja bem vinda, coelhinha.

Quando a voz para eu corro para a escadaria que leva ao meu quarto, tranco a porta e vou para debaixo da cama, me cobro com o edredom azul que trouxe para cá enquanto fico desejando que tudo passe logo.

(...)

Eu não sei por quanto tempo fiquei acordada, apenas que em algum momento adormeci e acordei de manhã suando frio.

Demorei muito para tomar coragem e sair de dentro de casa, mas quando fiz isso não notei nada de estranho, tudo estava normal como se ninguém tivesse pisado alí.

Quando me viro para voltar para dentro olho um envelope preto preso na parte de cima da porta, pego uma cadeira para pegar já que não vou simplesmente ignorar isso.

Quando o pego, entro para dentro e fecho a porta, vou para o sofá e abro o envelope.

(Oi coelhinha, bom saber que voltou, fiquei decepcionado por não ter me atendido, estou louco para ver como você cresceu e se está tão bela quanto sua mãe era. Até logo minha noiva)

Só deixo a carta cair na última palavra escrita, noiva.. Isso só pode ser brincadeira, um trote para novos moradores, não tem outra explicação.

Esse homem conhecia minha mãe? O que diabos ele quis dizer com minha noiva?

Eu mal cheguei nesse lugar e coisas extremamente estranhas começaram a acontecer. Não devia ter voltado, minha tia tinha razão, esse lugar é amaldiçoado e completamente perigoso.

(...)

Não quero sair de casa, mas preciso comprar gasolina para o gerador de energia, não posso passar outra noite sem luz, acho que morrerei do coração se isso acontecer.

"Toc toc"

Escuto batidas leves na porta o que me faz paralisar no sofá, eu tô com medo de ir até lá, mas sei que não posso me deixar dominar por esse sentimento.

*****—olá? Alguém em casa? Charlotte?— quando escuto a voz me acalmo na hora, tenho certeza que é Dylan.

—espera, estou indo!— digo me levantando apressada o que me faz cair no chão, me levanto rapidamente e limpo a poeira das minhas roupas antes de olhar para o olho mágico e verificar que é ele mesmo

—Deus... Não sabe como estou feliz em ver você— digo já ficando mais aliviada por não estar sozinha.

—aconteceu algo para estar assustada desse jeito— pergunta Dylan enquanto me observa com seus olhos azuis, parece preocupado.

—na verdade sim, alguém bateu na porta a noite, não consegui ver nada pelo olho mágico, acho que tapou ele com algum papel ou algo do tipo, disse coisas estranhas que me assustaram muito, que conseguia sentir meu medo, corri para meu quarto e fiquei debaixo das cobertas até desmaiar de cansaço. Quando fui olhar de manhã achei uma carta preta com algumas palavras que me deixaram ainda pior— digo pegando do meu bolso e o mostrando

Em todo momento que estava me ouvindo ficou sério, mas depois de ler a carta sua expressão mostrou preocupação.

—sabe quem ele é para estar te chamando de coelhinha?— pergunta enquanto me olha fixamente.

—não, mas o que me deixa ainda mais assustada é a forma que escreveu, como se me conhecesse, não só eu como minha mãe— digo começando a tremer ao pensar nisso.

—não fique assim, talvez seja alguma piada de mal gosto de algum dos vizinhos que moram na vila, isso explicaria como conhecem você e sua mãe, pois todos da cidade se conhecem— diz abrindo um sorriso leve, acho que está tentando me tranquilizar.

—então por que me chamaria de noiva?— digo em um tom mais alto e impaciente.

—talvez um de seus pais tenham prometido você a alguém, ou é só alguém querendo brincar contigo. Olha para mim, eu moro aqui a minha vida toda, sei que você vai ficar bem, vai se adaptar e esse vai se tornar seu novo lar, só não convide ninguém para dentro da sua casa, aqui é seu refúgio, ninguém que você realmente não tenha confiança ou conheça pode entrar, certo?— só concordo com a cabeça —ótimo, quer que eu acompanhe você até a cidade? Estou de carro e não seria problema já que irei para lá comprar alguns mantimentos.

—claro! Seria ótimo— digo de forma rápida, pois não vou andar sozinha até a vila nem ferrando.

—vai precisar se arrumar ou...— o interrompo rapidamente para falar —vamos logo, não quero ficar sozinha— digo fechando a porta para ninguém entrar.

Sei que não devo andar com quem não conheço direito, mas é melhor que andar sozinha por essa floresta, tenho certeza que o assassino de minha mãe ainda está vivo.

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