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Capa do romance O príncipe da noite

O príncipe da noite

Charlotte, de 21 anos, lida com a perda de um pai de quem desejava ter sido mais próxima. Vivendo com sua tia Cassandra após a morte misteriosa de sua mãe, a jovem vê sua vida mudar ao ler o testamento paterno. Ela herda uma propriedade em Scarlet Moon, uma cidade enigmática onde segredos antigos a aguardam. Agora, Charlotte deve enfrentar o desconhecido em um lugar repleto de mistérios sombrios para desvendar seu próprio passado familiar.
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Capítulo 3

(Charlotte)

Entro no carro de Dylan enquanto tento ser positiva e pensar que o acontecido na noite passada pode apenas ser um trote para assustar novos moradores, mesmo que eu não sinta que seja isso.

—olha Lotte, não precisa ficar assim tão assustada, mais nenhum crime acontece nessa vila a mais de 10 anos— Dylan diz normalmente enquanto liga o carro.

—quis dizer que nenhum crime acontece desde a morte da minha mãe, certo?— digo em um tom sério, pois faz exatamente 10 anos que ela morreu.

—eu sei que isso deve ter sido muito assustador para você, mas pode ter sido os adolescentes que vivem na vila— a voz que eu ouvi não era de um adolescente, era uma voz adulta e assustadora de um homem.

—Dylan, sei que está tentando me acalmar, mas eu sei o que ouvi e senti naquele momento, a voz daquele homem era assustadora— eu não sei explicar em palavras a sensação ruim que me passou.

—tudo bem então, se tiver com medo de voltar para casa pode ir para minha, tem um quarto de hóspedes e minha família te acolheria com prazer, pois seu pai era como se fosse parte da minha família— pelo tom de voz parece estar tentando me ajudar mesmo, mas não sei se deveria aceitar, pois mesmo ele tendo sido meu amigo de infância ainda é quase um desconhecido.

—acho melhor não, não quero mesmo incomodar, mas gostaria de conhecer sua família um dia desses, não tenho lembranças deles— acho que essa é uma forma legal da gente se conhecer, aos poucos.

—que tal jantar hoje em minha casa? Tenho certeza que minha irmã amaria você— diz parando o carro, quando olho para a janela vejo que já estamos na cidadezinha.

Esse lugar é pequeno e tem uma estrada de terra, as casas são de madeira e a única coisa que parece atual são os postes de energia elétrica.

—eu não lembrava que esse lugar era tão antigo, é muito diferente de uma cidade normal— falo e ele apenas sorri antes de abrir a porta do carro para sair, faço o mesmo enquanto olho em volta.

É estranho pensar que essa vila fica no meio de uma floresta tensa, da mesma forma que dá um sentimento de liberdade também dá medo.

—não lembra desse lugar? A gente corria por essas ruas quando brincávamos de faz de conta— o olhar dele parece nostálgico enquanto fala, provavelmente está a lembrar, mas quase tudo se tornou um borrão para mim quando minha mãe morreu, acho que foi o trauma, não sei bem.

—não lembro dos detalhes para ser sincera, mas lembro de você, do meu pai, algumas memórias da minha mãe, e a memória de um cachorro branco e preto, acho que era meu, se chamava hunter— abro um sorriso ao lembrar do cachoro branco que sempre me acompanhava quando eu andava por aí.

—lembro dele, costumava seguir você para todo lugar, sempre estava em nossas brincadeiras. Vamos caminhando? Preciso passar em um mercado.— apenas concordo com a cabeça, deixo ele andar em minha frente para poder segui-lo, pois não lembro onde é esse mercado.

Não demora muito para chegar em uma lojinha de comida, mas o cheiro de ferro me deixa meio incomodada, tem um açougue de carne bovina e suína no lado da loja.

—parece incomodada com o cheiro, se quiser pode ficar aqui enquanto vou no açougue escolher algumas carnes para o jantar— só concordo, pois não quero seguir ele, vejo que pega uma lista de produtos junto com algumas notas de dinheiro e me entrega.

—quer que eu faça as compras?— quando digo isso ele concorda com cabeça —mas eu não sei qual marca de produtos prefere, posso comprar errado.

—minhas irmãs que escreveram e elas colocam as marcas no lado, não vai errar— só concordo com a cabeça enquanto vejo ele sair.

Vou até às pratileiras procurando os produtos, mas noto que enquanto coloco no cesto a atendente fica me observando o tempo todo. Será que ela acha que vou roubar? Ela não está vendo que estou segurando dinheiro e que vou pagar?

Quando termino de pegar todos os produtos vou até a caixa passar, ela continua me observando em silêncio.

—desculpa, mas tem algo com meu rosto ou cabelo? Está me olhando bastante— digo, pois não tenho vergonha nenhuma de perguntar, a mulher que parece ter uns 40 e poucos anos me encara por um tempo.

—você só me lembra alguém, é nova na cidade né? É namorada do Dylan, imagino, parecem bem próximos, meu nome é Anabela, é um prazer conhece-la, é bem difícil ver forasteiros por aqui hoje em dia, nem sei se essa cidade se encontra no mapa hoje em dia— diz abrindo um sorriso e ficando simpática, é uma cidade extremamente pequena então todos devem se conhecer e ser próximos.

—é um prazer, meu nome é Charlotte, me mudei faz pouco tempo— digo estendendo a mão para comprimentar ela, mas ela apenas olha minha mão fixamente, mas não aperta o que é estranho, pois pode ser apenas um costume daqui.

—desculpa, mas só temos algum contado físico se conhecermos a pessoa bem, como é nova na cidade não vai entender esse costume— se é um costume tudo bem então —deu 98 e 70 centavos, diz colocando as compras em uma bolsa, apenas coloco o dinheiro em cima do balcão, ela pega e coloca o troco no mesmo lugar.

—obrigada— falo pegando as bolsas e saindo do lugar, fico mais tranquila, pois foi estranho interagir com ela.

Vou para o outro lado da rua esperar Dylan, pois nem ferrando entro no açougue, o cheiro de sangue me faz ter náuseas, queria muito virar vegetariana as vezes.

Enquanto fico a esperar noto os olhares de todos que passam, é como se fosse anormal ver pessoas diferentes andando por aí, me pergunto a quanto tempo não vêem um rosto novo nesse lugar. Deve ser por causa dessa regra que não permite que pessoas de fora dessa cidade comprem casas aqui.

Vejo um homem de cabelos pretos ondulados passar, sua pele é branca, seus traços são bem marcantes como seu cabelo e sobrancelha que são bem escuros, seu nariz é fino, seus olhos são castanhos um pouco fechados, seus lábios finos e rosados, parece ter uma expressão séria naturalmente. O que também chamou a minha atenção além da sua beleza inegável é as suas roupas que parecem caras de mais para quem vive em uma vila como essa, parece a vestimenta daqueles nobres de antigamente que até usavam eespartilho, inclusive acho homens nesse estilo gatos demais.

Apenas suspiro enquanto o observo caminhar, noto que ele apenas para e se vira para mim, parece estar me olhando, mas voltou a andar e foi embora.

—parece distraída, tudo bem?— tomo um susto ao ouvir a voz de Dylan atrás de mim, estava tão fixada naquele homem que perdi até o foco..

—estou sim, já comprei tudo, vamos para sua casa?— ele apenas concorda e pega as bolsas da minha mão —quem diria que meu amigo de infância seria tão cavalheiro assim.

—eu sempre fui cavalheiro tá, você que sempre agia como um menino dizendo que não precisa de ajuda ou cavalheirismo— pior que eu era assim mesmo.

Apenas caminhamos até o carro sem presa, pois quero curtir um pouco a caminhada.

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