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Capa do romance O preço do pecado

O preço do pecado

Em uma noite de atmosfera densa, a vida da inocente Evangeline muda para sempre. Das sombras surge Luciferian Conan, uma entidade sombria que personifica o caos e desejos profundos. Ele revela que a jovem carrega uma dívida de sangue ancestral que exige um pagamento imediato. Entre bênçãos e maldições, ela enfrenta uma promessa proibida e um destino sombrio. Conseguirá Evangeline sobreviver ao segredo de sua linhagem e quitar esse preço terrível?
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Capítulo 2

A manhã chegou trazendo raios pálidos de sol que filtravam-se pelas grossas cortinas do quarto de Evangeline. Ela despertou ao som distante dos pássaros que pousavam nas copas das árvores. Após se vestir com a ajuda de Mariah e tomar o café da manhã em silêncio, seguiu para a biblioteca, como fazia todos os dias. Era sua rotina, seu pequeno refúgio longe do silêncio estranho que pairava sobre a mansão.

Enquanto caminhava pelas prateleiras empoeiradas, seus dedos deslizavam pelos lombos dos livros antigos, como se esperasse que alguma obra chamasse por ela. Então, seus olhos foram atraídos para um volume esquecido no fundo de uma estante - um diário de capa escura e textura envelhecida. A curiosidade a dominou.

Sentando-se no canto mais escondido da biblioteca, Evangeline abriu o diário com cuidado. As primeiras páginas estavam rabiscadas com letras trêmulas, como se alguém tivesse escrito em desespero. Uma entrada chamou sua atenção:

"A dívida de sangue é inevitável. Ele nos observa, nos controla, e quando chegar o momento, exigirá o que lhe pertence. Não há como fugir."

Seu coração bateu forte, mas antes que pudesse virar a página, percebeu que as mais importantes haviam sido arrancadas. Não restava nem sinal do que estava escrito ali.

Evangeline fechou o diário com força e o guardou no lugar mais profundo da biblioteca, prometendo a si mesma ignorar o que acabara de ler. Passou o dia vagando pela casa, tentando se convencer de que aquilo era apenas uma superstição antiga e sem importância.

---

À noite, durante o jantar, o silêncio familiar pairava mais uma vez. O som dos talheres ecoava pela longa mesa, e Evangeline sentia o olhar atento dos serventes observando cada movimento. A atmosfera estava ainda mais pesada do que na noite anterior. Subitamente, seus pais levantaram-se sem dizer uma palavra e saíram às pressas, deixando-a sozinha com sua irmã mais nova.

A refeição terminou em desconforto, mas Evangeline não ousou perguntar nada. Após despedir-se educadamente, começou a subir as escadas rumo ao quarto. No entanto, ao passar pelo corredor que levava ao aposento de seus pais, algo chamou sua atenção: vozes elevadas e tensas vinham do outro lado da porta.

Pressionando o ouvido contra a madeira fria, pôde ouvir a voz de sua mãe em um tom aflito:

"Ela é minha filha! Nossa filha! Você não pode permitir que isso aconteça com ela!"

A resposta do pai veio grave e hesitante:

"Eu sei... Ela é minha filha também. Mas não temos escolha. Se ela não for, ele virá e nos levará. Você sabe que não podemos escapar. Ele está em todo lugar. Ele vê tudo."

O grito da mãe cortou o ar:

"Então que vá Evangeline no lugar dela! Eu não vou permitir que minha filha seja entregue como um sacrifício. Deve haver outro jeito."

Por alguns instantes, tudo ficou em silêncio, e Evangeline recuou, temendo ser descoberta. A cada palavra ouvida, seu peito se apertava. Algo estava profundamente errado, e, no fundo, ela sabia que aquilo envolvia seu sangue, seu destino.

Ao entrar em seu quarto, ela trancou a porta e tentou se convencer de que tudo aquilo era um mal-entendido, um pesadelo prestes a acabar. Mas enquanto encarava o teto, envolta pela escuridão, sentiu a certeza crescer: algo estava por acontecer. E o que quer que fosse, não seria nada bom.

Ao trancar a porta atrás de si, Evangeline deixou-se cair na cama, encarando o teto com olhos marejados. Lá no fundo, sempre soubera que sua mãe não a amava. Sabia disso desde a infância, quando os abraços afetuosos e as palavras de consolo eram dados apenas à sua meia-irmã, enquanto Evangeline recebia o vazio do esquecimento. Ainda assim, ela havia aprendido a chamar aquela mulher de mãe, porque era a única figura materna que tinha. Sua verdadeira mãe morrera quando ela era muito jovem, deixando-a sozinha em um mundo que parecia maior e mais cruel a cada dia.

Por mais que quisesse odiá-los - tanto a mãe que a ignorava quanto o pai que parecia ceder ao destino como se fosse uma marionete -, Evangeline não conseguia. Ela era boa demais para isso, doce demais para culpar outros pelos infortúnios de sua vida.

"Talvez seja verdade," refletiu consigo mesma. "Talvez eu só esteja aqui porque preciso pagar algum preço._ disse Evangeline se curvando para deitar enquanto um sono avassalador tomava conta de si.

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