
O Preço do Meu Sacrifício
Capítulo 3
O som agudo e contínuo do monitor cardíaco preencheu o quarto. A linha verde que antes subia e descia agora era uma linha reta e impiedosa.
"O paciente está em parada cardíaca!" gritou uma enfermeira que entrou correndo.
O médico se virou para Isabella uma última vez.
"Senhorita, esta é a última chamada. Se não agirmos agora, ele morrerá. Você é o contato de emergência dele. Precisamos da sua permissão!"
Isabella cruzou os braços, com uma frieza que congelaria o inferno.
"Eu já disse. Eu não o conheço. Não tenho nenhuma relação com ele. Façam o que quiserem, ou melhor, não façam nada. A decisão é de vocês."
Com essa declaração, ela selou meu destino. Ela não apenas se recusou a ajudar, ela negou nossa história, nosso amor, meu sacrifício. Naquele momento, para o mundo, eu me tornei um estranho.
"Hora da morte: 23h42," disse o médico, com a voz pesada de resignação, desligando o monitor barulhento.
Do lado de fora, Sra. Helena, que tinha sido expulsa, tentava desesperadamente voltar.
"Por favor, me deixem entrar! Meu genro está lá dentro! Ele precisa de mim!"
Eu via sua alma boa e atormentada através da porta. Ela batia, implorava a cada enfermeira e médico que passava.
"Por favor, doutor, salve o Pedro! Eu pago! Eu assino qualquer coisa!"
Mas a resposta era sempre a mesma.
"Sinto muito, senhora. A acompanhante responsável, a senhorita Isabella, nos deu ordens claras. Não podemos fazer nada."
A frustração e a impotência no rosto dela eram esmagadoras. Ela era uma mãe lutando por um filho que não era seu, contra a crueldade da própria filha.
Ela percebeu que não conseguiria nada ali. Com uma nova determinação, ela correu para o final do corredor, tentando falar com a administração para conseguir uma transferência para outro hospital. Qualquer coisa para me tirar das garras de Isabella.
Mas o poder de Isabella e Carlos já havia se espalhado pelo hospital.
"Sinto muito, senhora, mas nenhum prontuário pode ser liberado sem a autorização da família direta," disse a recepcionista, sem nem olhar para ela.
Desesperada, Sra. Helena viu que estava encurralada. As instituições que deveriam proteger a vida estavam sendo usadas para garantir a minha morte. Com o rosto banhado em lágrimas, ela pegou o celular. Era sua última esperança.
"Vou chamar a polícia! Vou contar a eles o que vocês estão fazendo! Isso é assassinato!"
Ela estava prestes a discar o número quando uma sombra surgiu atrás dela.
Era Carlos.
Ele se moveu rápido. Com um movimento brusco, ele arrancou o celular da mão dela.
"O que você pensa que está fazendo, sua velha maluca?" ele sibilou, a voz cheia de veneno.
Antes que Sra. Helena pudesse reagir, a mão de Carlos voou e atingiu seu rosto com um tapa violento. O som ecoou no corredor silencioso. Ela cambaleou para trás, a marca vermelha surgindo instantaneamente em sua bochecha.
"Você quer arruinar a Isabella? Quer arruinar o nosso futuro?"
Ele não parou por aí. Ele a empurrou contra a parede, e quando ela caiu no chão, ele chutou sua barriga.
"Sua intrometida! O Pedro já era. Por que você não consegue aceitar isso?"
Minha alma, que observava tudo, se contorceu de uma raiva que eu nunca senti em vida. Eu queria rasgá-lo em pedaços, proteger aquela mulher inocente que só queria me salvar. Mas eu era apenas um espectro, uma testemunha impotente.
Carlos olhou para o celular na sua mão. Com um sorriso cruel, ele o jogou no chão e pisou com força, quebrando a tela e o aparelho em pedaços. A única prova, a última chance de pedir ajuda, destruída.
Sra. Helena, mesmo caída e com dor, olhou para ele com um desprezo ardente.
"Você... você é um monstro," ela cuspiu, o sangue escorrendo do canto de sua boca.
"Eu sou um monstro?" Carlos riu, uma risada feia e sem alegria. "Eu estou apenas limpando a bagunça. O Pedro era um peso morto, e você é apenas um eco irritante do passado. A Isabella seguiu em frente. É hora de você fazer o mesmo."
Ele se agachou, pegando-a pelos cabelos e forçando-a a olhá-lo nos olhos.
"Ou talvez seja hora de você se juntar a ele."
A ameaça pairava no ar, fria e mortal. A crueldade dele não tinha limites. Ele não estava apenas garantindo meu silêncio com a morte, ele estava disposto a silenciar qualquer um que chorasse por mim.
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