Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance O Preço do Desprezo: Um Amor Proibido

O Preço do Desprezo: Um Amor Proibido

Após dez anos de exílio forçado em uma fazenda por quebrar um troféu do irmão, Maria retorna à capital para o aniversário de Pedro. Recebida com escárnio e humilhações públicas pela elite, a jovem se sente deslocada em meio ao luxo. No entanto, o apoio de Mestre Zé e um amuleto revelador renovam suas forças. Agora, como uma Filha do Axé, ela decide enfrentar o desprezo da família e não abaixar a cabeça, provando que sua essência é inabalável perante o orgulho alheio.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

A picape velha balançava na estrada de terra, levantando uma nuvem de poeira vermelha que demorava a assentar. Maria, que todos na fazenda chamavam de Chica, olhava pela janela, vendo a paisagem seca de Minas Gerais se transformar lentamente. Dez anos. Dez anos que ela não via o asfalto, os prédios altos, o cinza da capital.

Seu pai a mandou para cá quando ela tinha apenas oito anos. A memória era nítida, um caco de vidro em sua mente. Ela estava jogando bola no quintal da mansão, a bola de couro, sua única amiga de verdade. Pedro, seu irmão mais velho, saiu gritando, furioso porque o barulho a atrapalhava jogar videogame. Na discussão, ela chutou a bola com raiva, sem mirar. A bola voou, bateu na estante da sala de troféus e derrubou a peça mais valiosa de Pedro: uma taça de ouro de um campeonato de hipismo.

O choro do irmão foi estridente, acusador. Seu pai, o grande empresário do agronegócio, não quis ouvir explicações. Ele só viu o troféu quebrado e o filho favorito em prantos. Naquela mesma noite, ele a colocou num carro.

"Você vai passar um tempo na fazenda de café. Vai aprender a ter responsabilidade, longe de estragar as coisas dos outros."

Foram as últimas palavras que ouviu dele por uma década.

Na fazenda, um lugar isolado onde o tempo parecia correr mais devagar, ela foi recebida por um senhor de cabelos brancos e sorriso gentil. Mestre Zé, um antigo mestre de capoeira, amigo de seu avô. Ele a acolheu não como um fardo, mas como um presente.

"Essa menina tem a ginga, tem a força. Ela é uma Filha do Axé" , ele disse, olhando no fundo dos olhos dela.

E assim, ele a treinou. Não só na capoeira, mas na sabedoria da terra, nas rezas antigas, no poder que corria em suas veias e que sua família da cidade, rica e materialista, jamais entenderia.

Agora, o carro parou na entrada de um casarão imponente, no coração da capital. A festa de dezoito anos de Pedro. Seu pai a trouxera de volta, dizendo que era hora de "reintegrá-la" à família. Uma peça de marketing para a imagem pública dele.

Antes de descer do carro, Mestre Zé, que a acompanhou na viagem, segurou sua mão. A mão dele era calejada, mas transmitia um calor que a acalmava. Ele colocou um pequeno amuleto de couro em sua palma.

"Chica, minha filha, guarde isso. Se a dúvida apertar seu coração, se você não souber que caminho seguir, abra. Mas só nesse momento."

"O que tem dentro, Mestre?"

"A resposta que você vai precisar."

Ela guardou o amuleto no bolso do vestido simples que usava, um contraste gritante com o luxo que a esperava lá dentro. O som da música eletrônica vazava pelas paredes altas. Ela respirou fundo. O cheiro não era de café ou de terra molhada. Era de perfume caro e falsidade.

Assim que entrou, todos os olhares se viraram para ela. Cochichos se espalharam como fogo em palha seca. Ela viu Pedro no centro do salão, cercado por jovens de roupas de marca e sorrisos arrogantes. Ele a viu também. O sorriso dele morreu, substituído por uma careta de desprezo.

Ela caminhou até ele, tentando encontrar no rosto do irmão algum traço do menino com quem um dia dividiu o quintal.

"Pedro, feliz aniversário."

A voz dela saiu baixa, quase um sussurro.

Ele soltou uma risada alta, debochada. Seus amigos riram junto.

"Olha só quem apareceu! A caipira resolveu descer do pé de café!"

Um dos amigos dele, um rapaz loiro de rosto esnobe, a mediu de cima a baixo.

"Pedro, essa é sua irmã? Pensei que você tinha dito que ela era... sei lá, normal. Ela parece que veio direto da roça."

A humilhação era pública. As palavras a atingiram, mas ela se manteve firme, o rosto inexpressivo. Anos com Mestre Zé a ensinaram a controlar suas emoções, a não dar ao inimigo a satisfação de vê-la sofrer.

Pedro se aproximou. O cheiro de álcool em seu hálito era forte.

"O que você está fazendo aqui, hein? Papai te trouxe pra me envergonhar? Você não pertence a este lugar, Maria. Você nunca vai se encaixar. Olha pra você, com essa roupa, com essa cara de mato. Volta pro seu buraco."

Cada palavra era dita para ferir. E feria. Ela sentiu um nó se formar em sua garganta. A vontade era de virar as costas e ir embora, voltar para o único lugar que chamou de lar nos últimos dez anos. Mas Mestre Zé a ensinara a não fugir.

Ela se lembrou das noites em que chorava de saudade, e seu pai nunca ligou. Lembrou-se dos aniversários que passou em branco, enquanto as revistas de fofoca mostravam as festas luxuosas de Pedro. Lembrou-se de ser tratada como um erro, um problema a ser escondido.

Pressionada, com os olhares de todos queimando sua pele, ela enfiou a mão no bolso e sentiu o amuleto de couro. A dúvida a consumia. Valia a pena estar ali? Valia a pena tentar se reconectar com uma família que a descartou?

Ela se afastou um pouco, foi para um canto mais escuro do salão e abriu o amuleto. Dentro, um pequeno pedaço de papel dobrado. Com os dedos trêmulos, ela o abriu. Havia apenas quatro palavras, escritas com a caligrafia firme de Mestre Zé:

"Manda ver, garota!"

Um sorriso discreto brotou em seus lábios. A dúvida se foi. A resposta não era sobre ficar ou ir embora. A resposta era sobre ser quem ela era. Uma Filha do Axé. E Filhas do Axé não baixam a cabeça.

Você pode gostar

Capa do romance A NOIVA FUGIU PELO ESPELHO
9.6
Fanny Marchand foge de um casamento forçado no século XIX ao atravessar um espelho mágico, despertando na cobertura de François Dubois em pleno século XXI. Ele é um CEO cético e amargurado por traições, mas vê sua rotina virar um caos com a chegada da dama vitoriana. Enquanto Fanny descobre as tecnologias modernas, François se encanta pelo seu jeito clássico. Contudo, o passado e o objeto místico ameaçam separá-los, provando que o amor ignora as barreiras do tempo.
Capa do romance Ainda amo você
7.9
Na sequência de Amizade Colorida, Beatriz reconstruiu sua vida e está noiva de Nicolas, acreditando ter encontrado a estabilidade ideal. Contudo, após dois anos de ausência, Bruno retorna à cidade, abalando as certezas dela. O reencontro inesperado traz à tona sentimentos intensos que Beatriz julgava superados, criando um turbilhão emocional que coloca seu noivado em risco. Ela agora precisa enfrentar o passado para decidir seu futuro amoroso.
Capa do romance Contos: Incestos.
8.9
Essa obra é direcionado para o publico maior de idade. Os contos que serão mencionados aqui, são dos meus próprios fãs que me mandaram os seus próprios contos eróticos incestuosos. Também acrescentei algumas coisas para deixar os contos mais excitante. Os contos terão todos os gêneros, homossexual, heterossexual e etc... Espero que gostem e aproveitem.
Capa do romance Entre o amor e o arrependimento
8.5
Casada há dois anos, Sadie celebrava sua gravidez quando Noah, seu marido, exigiu o divórcio. Vítima de uma armação cruel, ela implorou por socorro em um momento de vida ou morte, mas ele a ignorou totalmente. Magoada, ela fugiu do país para recomeçar. Anos depois, prestes a subir ao altar com outro, Noah ressurge desesperado. Ajoelhado, o bilionário questiona como ela pode se casar com um estranho sendo que eles possuem um filho juntos.
Capa do romance O Pacote Rosa Revelador
9.1
Pedro Alvares, um bilionário imobiliário, simulava o casamento perfeito com Sofia Lima. No entanto, um pacote rosa de preservativo sabor morango, que caiu de seu casaco, desmoronou a farsa. Sofia logo ligou o objeto à secretária Camila, que ela mesma ajudou a contratar. Ao flagrar Pedro beijando a amante sob a chuva e ouvindo suas mentiras cruéis, Sofia percebe que seis anos de amor foram uma ilusão. Agora, ela precisa decidir como reagir à traição do marido.
Capa do romance O Preço de uma Mentira Perfeita
8.0
Traída pelo magnata Gustavo Almeida, acreditei em sua redenção pública após um escândalo de traição. No entanto, em um baile, ouvi sua confissão cruel: eu era apenas um alvo fácil em seu plano para transferir a fortuna à amante. Enquanto ele me homenageava no palco sob aplausos, vi o monstro por trás da máscara. Forçada a sorrir diante das câmeras enquanto meu mundo ruía, decidi fugir para longe daquela farsa mortal assim que as luzes se apagaram.