Capa do romance Entre o amor e o arrependimento

Entre o amor e o arrependimento

8.5 / 10.0
Casada há dois anos, Sadie celebrava sua gravidez quando Noah, seu marido, exigiu o divórcio. Vítima de uma armação cruel, ela implorou por socorro em um momento de vida ou morte, mas ele a ignorou totalmente. Magoada, ela fugiu do país para recomeçar. Anos depois, prestes a subir ao altar com outro, Noah ressurge desesperado. Ajoelhado, o bilionário questiona como ela pode se casar com um estranho sendo que eles possuem um filho juntos.

Entre o amor e o arrependimento Capítulo 1

"Hmm...", Sadie Hudson murmurou um som suave ao sentir a consciência retornando aos poucos e, abrindo os olhos lentamente, encontrou um olhar intenso sobre ela.

Noah Wall, seu marido, estava ali, a observando em silêncio, e o leve aroma de álcool denunciava sua recente presença em algum bar.

Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele se inclinou e tomou seus lábios num beijo firme, possessivo, sem dar espaço para hesitações.

Uma onda de inquietação tomou conta do peito de Sadie e, reflexivamente, ela tentou se afastar.

"Fique quieta", ele murmurou, a voz grave, carregada de um charme irresistível.

Por um momento, o corpo de Sadie ficou tenso, dividido entre o desejo de resistir e a familiaridade de ceder.

Hoje era o dia de seu aniversário de casamento, e ela estava determinada a não estragar o espírito de celebração.

Com um suspiro trêmulo, ela fechou os olhos e se permitiu relaxar nos braços dele.

O perfume amadeirado que ele usava tentava mascarar o cheiro de álcool, mas não conseguia apagar completamente a sensação incômoda que crescia no peito dela.

Noah a fitava com intensidade, os olhos escurecendo com desejo conforme ele prosseguia com suas ações.

Justo quando Sadie estava prestes a recuperar a compostura, ela suspirou suavemente, quase suplicando: "Por favor, não seja tão rude... porque eu..."

Mas a frase morreu antes que pudesse ser concluída, e ela perdeu a chance de revelar que estava grávida. O toque insistente do celular reverberou pelo ambiente, trazendo um frio súbito à atmosfera carregada.

O olhar de Noah vacilou por um instante enquanto ele fitava a tela do aparelho.

Sem hesitar, ele se afastou e começou a se vestir, os gestos calculados, como se nada tivesse acontecido entre eles momentos antes.

"Você vai sair?", Sadie perguntou ao mesmo tempo em que vestia o robe, sua voz tingida com uma mistura de confusão e preocupação.

Noah hesitou por um instante antes de responder com um simples "sim", seu tom evasivo, como se quisesse encerrar a conversa antes mesmo de ela começar.

"Mas..."

"Volte a dormir", a interrupção veio num sussurro suave, mas havia algo de distante em sua voz. Ele se inclinou levemente para frente e depositou um beijo breve em sua testa, um gesto que deveria confortá-la, mas que pareceu fugaz demais.

Sem olhar para trás, Noah saiu do quarto.

Sadie acompanhou com os olhos a porta que se fechava lentamente, sentindo o coração afundar.

Ela tentou se convencer de que era algo do trabalho, uma emergência inevitável.

Ela sabia que compreensão era essencial, pois qualquer questionamento ou sinal de insatisfação, poderia afastá-lo ainda mais. Depois de mais de uma década de amor, ela, que finalmente se tornou sua esposa, não ousava esperar muito dele.

Suspirando, ela foi até o banheiro, tomou um banho e, em seguida, voltou para a cama.

Uma vez deitada, ela acariciou o próprio ventre enquanto dizia: "Meu amor, o papai não quis nos deixar sozinhos. Não fique bravo com ele, está bem?"

O murmúrio mal havia saído de sua boca quando o celular vibrou sobre o criado-mudo.

Com um movimento rápido, ela pegou o aparelho e leu a notificação na tela: "CEO do Grupo Wall é visto no aeroporto em plena madrugada, supostamente buscando sua namorada misteriosa."

Na foto, Noah, impecável em um terno preto, caminhava pela entrada do terminal privado. Ele estava com uma postura impecável, exalando uma aura inegável de autoridade.

Os olhos do homem transmitiam certa suavidade, uma ternura que Sadie nunca havia observado antes. Um peso se instalou em seu peito, tão forte que a fez lutar para puxar o ar.

Com esforço, ela se obrigou a engolir em seco e recuperar a compostura. A esperança tremulava frágil dentro dela quando clicou no artigo, os dedos trêmulos denunciando sua apreensão.

O que temia se confirmou no instante em que a tela foi preenchida por um rosto dolorosamente familiar: Kyla Wade.

A mulher que Noah nunca conseguiu esquecer estava de volta.

Um calafrio percorreu a espinha de Sadie, e um peso esmagador tomou conta de seu peito.

Ela cerrou os dentes, lutando contra a torrente de emoções que ameaçava transbordar.

A lembrança de como seu casamento havia começado era dolorosa demais para revisitar.

Dois anos antes, Kyla e Noah estavam planejando um futuro juntos, mas a mesma desapareceu sem deixar rastros.

No momento crucial em que precisava consolidar sua posição como presidente do conselho, Noah precisava de uma esposa confiável, discreta e obediente como Sadie, a candidata ideal.

Por dois anos, ela foi a esposa perfeita, mas, no fundo, carregava a sensação amarga de que ocupava um espaço que nunca lhe pertenceu de verdade.

Essa ilusão começou a ruir no dia anterior, quando ela descobriu que estava grávida.

Noah sempre foi meticuloso em evitar que isso acontecesse, exceto naquela noite no mês passado. Ele havia chegado em casa cambaleando, cheirando a álcool após um jantar de negócios e, em sua embriaguez, eles se perderam na paixão.

Agora, o resultado daquela noite estava ali, pesando sobre ela como uma sentença.

Seu estômago se revirava ao pensar em como daria a notícia da gravidez para Noah.

E se ele quisesse que ela abortasse?

Ela sabia a verdade que sempre evitava encarar: ela não era a mulher que Noah amava.

Quando Sadie estava prestes a se perder em meio ao turbilhão de pensamentos ansiosos, foi interrompida pela voz de Noah ecoando do escritório.

Ele já estava em casa?

Ela puxou um casaco leve sobre os ombros e caminhou hesitante até a porta do escritório.

Antes de girar a maçaneta, ela ouviu a voz brincalhona de Alex Howe, amigo de Noah, vindo de dentro. "Você realmente passou a noite inteira com Kyla?"

Sadie sentiu seu coração despencar ao saber que Noah havia passado a noite com Kyla.

"Uhum", Noah respondeu, sua voz desprovida de qualquer emoção discernível.

"E quanto a Sadie? Depois de dois anos casados, você não pode simplesmente fingir que ela não significa nada para você, pode? Ela é incrível, sabia? Se você não enxergar o valor dela, alguém com certeza vai. E então, só vai te restar arrependimento", Alex alertou.

Com a voz fria, Noah retrucou: "Talvez uma leve pontada de culpa, no máximo. Mas, se você está tão impressionado com ela, quem sabe eu devesse te ajudar a conquistá-la? Agora, se me dá licença... Você não deveria voltar ao trabalho? Vá logo."

Culpa? Era isso que Noah sentia por ela?

A revelação caiu sobre Sadie como uma pedra pesada, e uma lágrima solitária escorreu silenciosamente por sua bochecha. Seus dedos, até então firmes na maçaneta, fraquejaram.

A verdade era cruel, inegável: ele nunca a amou.

Para Noah, ela não passava de uma presença passageira, alguém que poderia ser deixada para trás sem hesitação.

Incapaz de suportar a dor sufocante, Sadie se lançou para fora da casa, correndo em direção ao jardim.

Assim que encontrou refúgio entre as sombras das árvores, ela se agachou no chão úmido, abraçando os próprios joelhos enquanto soluços silenciosos sacudiam seu corpo.

As lágrimas turvavam sua visão, mas não eram capazes de apagar as lembranças que a invadiam sem piedade.

Dez anos atrás, ela havia conhecido Noah, o retrato da confiança e do carisma, um garoto privilegiado que caminhava pelos corredores da escola com um brilho natural, arrebatando olhares e corações sem esforço.

Sadie, por outro lado, havia chegado ali quebrada, frágil após o declínio abrupto de sua família, se tornando um alvo fácil para os sussurros maldosos.

Noah surgira como um escudo entre ela e o mundo, sua voz firme e impositiva ordenando que recuassem.

Naquele instante, para Sadie, ele fora seu herói e seu anjo, mais do que um garoto popular.

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