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Capa do romance O Preço do Amor Não Dito

O Preço do Amor Não Dito

Há seis anos, afastei Bruno com mentiras para salvá-lo, mas ele retornou como o advogado que busca tirar minha filha, Bia. Com leucemia terminal e sem recursos, enfrento seu ódio enquanto ele ignora que Bia é sua herdeira. Sacrifiquei meu tratamento para protegê-la, morrendo solitária no hospital enquanto ele celebrava outra vida. Contudo, deixei uma carta reveladora capaz de destruir seu mundo perfeito e expor toda a verdade sobre o meu sacrifício final.
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Elisa Dantas:

O braço de Bruno se apertou em volta de Amanda, um gesto protetor que foi tão instintivo para ele quanto uma adaga em meu coração. Ele olhou para mim, seus olhos cheios de uma acusação fria e dura que apagou o lampejo de reconhecimento de momentos antes.

Lembrei-me de uma vez na faculdade, quando um cara bêbado de uma fraternidade tentou me encurralar em uma festa. Bruno atravessou a sala em três passadas, colocando-se entre nós, seu corpo uma parede sólida e imóvel. Ele não disse uma palavra, apenas encarou o cara até que ele se afastasse. Ele tinha sido meu escudo então. Agora, ele estava protegendo a mulher que ajudou a destruir tudo o que eu já tive.

"Bruno", Amanda soluçou, seus dedos cravando em sua manga. "Você sabe o que a família dela fez. Eles eram criminosos. E ela... ela era igualmente cruel. Ela fingiu patrocinar sua bolsa de estudos, apenas para humilhá-lo na frente de todos, chamando-o de seu pequeno caso de caridade."

O antigo insulto fabricado soou como um golpe novo.

"Ela não pertence a este lugar", gritou Amanda, sua voz subindo histericamente. "Ela não deveria estar perto de você. E ela deixou a filha dela... ela deixou a filha dela tentar matar nosso bebê!"

A expressão de Bruno endureceu em uma máscara de puro desprezo. Ele olhou do rosto manchado de lágrimas de Amanda para o meu, seu olhar demorando em minha expressão pálida e desafiadora.

"Você é desprezível, Eli", ele disse, sua voz baixa e carregada de veneno.

Com isso, ele se virou, guiando a chorosa Amanda para longe da cena. A multidão, com seu veredito entregue pelo herói da hora, começou a se dispersar, lançando olhares finais e condenatórios em minha direção.

Fiquei ajoelhada no chão frio, agarrando minha filha, o mundo uma caverna silenciosa e ecoante ao meu redor. Um calafrio gelado se infiltrou em meus ossos, muito mais frio que o linóleo sob meus joelhos.

"Me desculpa, mamãe", Bia sussurrou, seu corpinho pequeno sacudido por soluços. "Me desculpa muito."

"Shh, meu amor", murmurei, acariciando seu cabelo. "Não é sua culpa. A mamãe sabe que você não fez nada de errado. Você é uma boa menina."

Ela olhou para mim, seus grandes olhos escuros — os olhos dele — cheios de lágrimas. "Mamãe... aquele era o meu papai?"

A pergunta pairou no ar, uma coisa frágil e esperançosa que eu tive que esmagar. Meu coração se partiu. Eu não conseguia falar, apenas a puxei com mais força enquanto minhas próprias lágrimas silenciosas começavam a cair.

"Ele vai ter outro bebê", ela disse, sua voz pequena e resignada. "Ele não é mais meu papai, não é?"

Mais tarde naquela noite, depois de colocar uma Bia de coração partido em sua cama de hospital, fui ver meu médico. As notícias eram sombrias. A leucemia estava progredindo mais rápido do que eles previam. O estresse não estava ajudando.

"Não podemos esperar mais, Eli", disse o Dr. Esteves, seu rosto gentil, mas suas palavras diretas. "Você precisa do transplante de medula óssea. Agora."

Ele mencionou um valor. Era quase exatamente a quantia que eu tinha no mundo. A soma das minhas economias de uma vida, juntadas de anos de bicos, servindo mesas e limpando casas. Era o futuro de Bia. E era o preço da minha vida.

Saí de seu consultório atordoada, a conta do hospital em uma mão e a exigência de acordo de Guadalupe na outra. Minha vida, ou a liberdade da minha filha. A escolha não era uma escolha.

Do lado de fora do hospital, um carro preto elegante parou suavemente ao meu lado. A janela desceu, revelando o perfil frio de Bruno.

"Entre", ele disse, não um pedido, mas uma ordem.

Hesitei, depois deslizei para o banco de trás. O banco do passageiro parecia um espaço que eu não tinha mais o direito de ocupar. O carro cheirava a couro caro e ao perfume floral enjoativo de Amanda. Uma pequena foto deles em uma moldura de prata estava presa na saída de ar. Uma almofada de pelúcia com suas iniciais bordadas repousava no assento ao meu lado.

Uma memória amarga surgiu: eu, colocando uma pequena foto nossa no porta-luvas de seu carro velho da faculdade, e ele, encontrando-a e jogando-a lá com uma risada, dizendo que não precisava de uma foto quando tinha a coisa real bem ao seu lado.

"Amanda está muito sensível agora", disse Bruno, seus olhos na estrada. "O susto de hoje foi difícil para ela. Ela precisa de um pedido de desculpas."

Meu estômago se contraiu. "Um pedido de desculpas pelo quê? Pela minha filha ter tropeçado?"

"Um pedido de desculpas pelo que sua família fez à dela", ele afirmou, sua voz plana e fria. "Pelos crimes do seu pai. Você precisa se desculpar em nome deles."

O mundo girou diante dos meus olhos. Meu pai, que morreu professando sua inocência. Minha mãe, que morreu de coração partido. Eles se foram. E ele queria que eu profanasse a memória deles pela mulher que dançou em seus túmulos.

"Meus pais não eram criminosos", eu disse, minha voz tremendo com uma raiva que eu não sentia há anos. "Os nomes deles foram arrastados na lama por pessoas como a família dela. E enquanto Amanda estava sendo 'sensível' em sua mansão, eu estava grávida, sozinha, carregando caixotes em um galpão até minhas costas não aguentarem mais, só para pagar o aluguel. Alguém já considerou meus sentimentos, Bruno? Você considerou?"

O silêncio no carro era denso o suficiente para sufocar.

"Eu sei que te devo um pedido de desculpas", eu disse, minha voz quebrando. "Pelo que eu fiz com você, serei arrependida pelo resto da minha vida. Mas eu não devo nada a Amanda Medeiros."

Ele freou bruscamente, parando o carro na beira da estrada deserta. Ele se virou em seu assento, o rosto uma máscara trovejante.

"Você realmente quer jogar esse jogo, Eli?", ele rosnou. "Você quer falar sobre o que lhe é devido? Você não tem nada. Se eu te levar ao tribunal, você vai perder. E vai perder sua filha."

Era uma ameaça, crua e brutal. O advogado se fora; este era o homem ferido, atacando com todo o poder que agora possuía.

Ele se inclinou para mais perto, sua voz baixando para um sussurro perigoso. "Estou começando a me perguntar se você é mesmo apta para ser mãe. Então me diga, Eli. Quem é o pai da Bia? Ou ele foi só mais um dos seus 'projetos' que você jogou fora quando se cansou?"

A pergunta, tão perto da verdade, mas tão longe, foi o golpe final e devastador. Uma onda de tontura me atingiu, e o gosto metálico de sangue encheu minha garganta. Agarrei o tecido da minha camisa, minha respiração vindo em arquejos irregulares.

Lágrimas escorriam pelo meu rosto. "Ela não é sua, Bruno", menti, as palavras me rasgando por dentro. "Você não tem o direito de perguntar sobre ela. Você não tem o direito de se importar agora. Você perdeu esse direito há seis anos."

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