
O Preço da Traição de um Piloto
Capítulo 2
Eu estava a polir o troféu do meu marido, Leo, quando o telemóvel dele vibrou na mesa de centro.
O nome "Isabela" piscou no ecrã.
Era a terceira chamada dela hoje.
O meu coração apertou um pouco.
Peguei no telemóvel para lho levar, mas a mensagem seguinte que apareceu congelou-me.
"Leo, o nosso filho está com febre alta. O médico disse que pode ser pneumonia. Estou no hospital, estou com tanto medo."
O nosso filho.
Estas duas palavras atingiram-me com a força de um soco.
Eu e o Leo estávamos casados há cinco anos. Tentámos ter um filho durante três.
Eu não fazia ideia de que ele já tinha um com outra mulher.
A porta abriu-se e o Leo entrou, o seu fato de piloto impecável como sempre. Ele sorriu quando me viu.
"Querida, cheguei."
O sorriso dele desapareceu quando viu o telemóvel na minha mão. A sua expressão tornou-se fria.
Ele caminhou rapidamente até mim e arrancou-me o aparelho das mãos.
"Quem te deu permissão para tocares nas minhas coisas?"
A voz dele era dura.
"Leo," eu disse, a minha própria voz a tremer ligeiramente, "quem é a Isabela? E que filho é esse?"
Ele olhou para a mensagem e depois para mim, a sua irritação a transformar-se em desprezo.
"Não é da tua conta. És estéril, lembras-te? Não me podes dar um filho, por isso tive de encontrar alguém que pudesse."
As suas palavras foram cruéis, diretas.
"Tu... tu tiveste um caso?"
"Não lhe chames um caso," ele retorquiu, guardando o telemóvel no bolso. "Chama-lhe assegurar o meu legado. A minha mãe quer um neto. O que é que esperavas que eu fizesse?"
Ele nem sequer tentou negar. Nem sequer mostrou um pingo de remorso.
Senti um nó a formar-se na minha garganta.
"Vamos divorciar-nos, Leo."
Ele riu-se, um som amargo e desdenhoso.
"Divorciar-te? Sofia, não sejas ridícula. Onde é que ias? Deixaste o teu emprego por mim. Não tens nada. Além disso, eu amo-te. Isto não muda nada entre nós."
Ele disse que me amava, mas as suas ações gritavam o contrário.
"Isso muda tudo," sussurrei, mais para mim do que para ele.
Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo. "Olha, a Isabela precisa de mim agora. O filho dela... o meu filho... está doente. Tenho de ir."
Ele virou-se para sair, como se a conversa estivesse encerrada.
"E eu, Leo? E nós?" A minha voz quebrou.
Ele parou à porta, sem se virar.
"Nós ficamos como estamos. Tu és a minha mulher. Ela é a mãe do meu filho. Aprende a viver com isso."
Depois, ele saiu, fechando a porta atrás de si.
Deixou-me sozinha no silêncio do nosso apartamento, com o troféu polido a brilhar na minha mão. Um prémio por "Piloto do Ano".
De repente, pareceu-me oco e sem valor.
Como o nosso casamento.
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