
O Preço da Traição de um Piloto
Capítulo 3
A minha sogra, a Dona Elvira, chegou uma hora depois.
Ela não veio para me consolar.
Ela entrou na minha casa como se fosse dela, com a sua própria chave.
"Sofia, o Leo ligou-me. O que é esta conversa de divórcio?"
A sua voz era acusadora, sem qualquer simpatia.
Ela sentou-se no sofá, cruzando os braços sobre o peito.
"Ele teve um filho com outra mulher, Elvira."
Eu disse-o de forma direta, esperando talvez um vislumbre de compreensão.
Ela encolheu os ombros.
"E então? Tu não lhe podias dar um. Um homem precisa de um herdeiro. O meu filho fez o que tinha de fazer."
Fiquei a olhar para ela, chocada com a sua frieza.
"Ele traiu-me."
"Não sejas dramática," ela disse, abanando a mão com desdém. "Ele não te vai deixar. Tu continuas a ser a Sra. Santos, a mulher de um piloto de prestígio. A Isabela é apenas... uma necessidade. Ela deu-nos um neto. Por isso, deves estar-lhe grata."
Grata? Eu devia estar grata à amante do meu marido?
"Eu quero o divórcio."
A cara da Elvira endureceu.
"Não sejas tola. O divórcio arruinaria a reputação do Leo. Pensa na carreira dele. És egoísta, só pensas em ti."
Ela levantou-se e caminhou até mim, o seu olhar era duro como pedra.
"Ouve-me com atenção. Tu vais ultrapassar isto. Vais aceitar a situação e continuar a ser uma boa esposa. O meu neto, o pequeno Vasco, precisa do pai dele. E o Leo precisa de uma casa estável para onde voltar. Entendido?"
Ela não estava a pedir, estava a ordenar.
"Se insistires neste disparate de divórcio, farei da tua vida um inferno. Vais sair daqui sem nada. Vou certificar-me disso."
As suas ameaças pairavam no ar, pesadas e sufocantes.
Ela saiu tão abruptamente como chegou, deixando para trás um rasto de perfume caro e palavras venenosas.
Sentei-me no chão, o verniz do troféu a parecer frio contra a minha pele.
Eu estava presa. Presa num casamento que era uma mentira, com uma família que me via apenas como um acessório.
O meu telemóvel tocou. Era o meu irmão, o Tiago.
Atendi, a minha voz mal passava de um sussurro.
"Sofia? Estás bem? A mãe está preocupada, não atendes as chamadas dela."
Comecei a chorar. Não conseguia mais conter-me.
Contei-lhe tudo. O caso, o filho, as ameaças da Elvira.
Houve silêncio do outro lado da linha por um momento.
"Faz as malas, Sofia. Vou buscar-te."
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