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Capa do romance O Preço da Traição Conjugal

O Preço da Traição Conjugal

Após um acidente alérgico com a filha, Ricardo humilha sua esposa cruelmente, comparando-a à amante, Helena. Ele a obriga a limpar o chão de forma degradante antes de partir em viagem com a outra mulher. Após duas semanas de isolamento e sofrimento sem ver a criança, a protagonista decide dar um basta. Quando o marido retorna, ela o confronta com exigências implacáveis: o divórcio, uma fortuna de cinquenta milhões e a guarda total da pequena Alice.
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Capítulo 2

O cheiro de vômito e amendoim enchia a pequena sala, um odor azedo que se agarrava na minha garganta.

Alice, minha filha, estava no sofá, o rostinho pálido e inchado, a respiração era um chiado fraco e assustador.

Eu tinha dado a ela um biscoito. Apenas um biscoito. A prima dela, sobrinha de Ricardo, trouxe uma caixa de presente, e eu não vi a pequena etiqueta que dizia "contém traços de amendoim".

Ricardo, meu marido, chegou em casa e a cena o atingiu como um soco. Ele não olhou para Alice primeiro, seus olhos frios e cheios de fúria se fixaram em mim.

"O que você fez?"

Sua voz era baixa, mas carregada de uma violência que me fez encolher.

"Eu não vi, Ricardo. Foi um acidente. A caixa..."

Ele não me deixou terminar. Caminhou até o sofá, pegou Alice nos braços e se virou para mim, o rosto uma máscara de desprezo.

"Acidente? Você quase matou a minha filha."

Ele me ignorou completamente depois disso, ligando para a ambulância, falando com uma calma assustadora ao telefone enquanto Alice chorava baixinho em seus braços.

Quando os paramédicos chegaram e levaram Alice, eu tentei ir junto, mas Ricardo bloqueou meu caminho na porta.

"Você fica."

"Mas ela é minha filha! Eu preciso ir com ela."

"Sua filha?", ele riu, um som sem humor. "Você perdeu esse direito quando a envenenou. Fique aqui e limpe essa bagunça."

Ele apontou para o vômito no tapete caro.

Fiquei paralisada, observando a ambulância desaparecer na rua, as luzes piscando na noite. O silêncio da casa era ensurdecedor.

Horas depois, Ricardo voltou. Sozinho.

Eu estava sentada no chão, ao lado do tapete que eu tinha esfregado até meus dedos doerem.

"Como ela está?"

Ele jogou as chaves na mesa, o som metálico ecoando na sala.

"Ela vai sobreviver. Sem a sua ajuda."

Ele se aproximou de mim, seus sapatos de couro caros parando a centímetros do meu rosto. Ele se agachou, e o cheiro de hospital e raiva emanava dele.

"Sabe o que os médicos disseram? Sorte. Foi pura sorte ela não ter tido um choque anafilático fatal."

Ele agarrou meu queixo, forçando-me a olhá-lo nos olhos.

"Agora você vai pagar pelo seu erro."

Eu não entendia o que ele queria dizer, até que ele apontou para a mancha úmida no tapete.

"Limpe. Com a sua boca."

Meu sangue gelou.

"O quê? Ricardo, não..."

Sua mão apertou meu cabelo com força, puxando minha cabeça para trás. A dor foi aguda.

"Eu disse para limpar."

Lágrimas escorriam pelo meu rosto, misturando-se com o suor frio. Eu podia sentir o cheiro azedo novamente.

"Por favor..."

"Helena nunca faria isso. A filha dela nunca passaria por isso. Você é inútil."

Helena. Sua amada, a mulher que ele mantinha em um apartamento de luxo do outro lado da cidade, com o filho dela.

A menção do nome dela foi como um golpe. Ele estava me comparando a ela, mesmo neste momento.

Ele pressionou minha cabeça para baixo com mais força. A humilhação era um gosto amargo na minha boca, pior do que qualquer vômito.

"Lamba. Ou eu juro que você nunca mais verá Alice."

A ameaça pairou no ar, fria e absoluta. Eu sabia que ele cumpriria.

Fechei os olhos, o som das minhas próprias lágrimas engolidas preenchendo meus ouvidos. Para ver minha filha novamente, eu faria qualquer coisa.

Eu me inclinei e fiz o que ele mandou.

Eu era como um cachorro, obedecendo ao seu mestre cruel.

Quando terminei, ele me soltou com um empurrão. Caí para o lado, tremendo incontrolavelmente.

"Bom", ele disse, se levantando e limpando as mãos nas calças como se tivesse tocado em algo sujo.

Ele pegou o telefone. Vi o nome "Helena" na tela antes que ele se virasse.

"Vou passar uns dias fora. Tenho que levar o filho dela para a praia, prometi a ele. Não me ligue a menos que a casa esteja pegando fogo."

Ele saiu sem olhar para trás.

Fiquei ali, no chão da sala, por um longo tempo.

Na manhã seguinte, liguei para o hospital. A enfermeira me disse que Alice estava estável, mas precisaria ficar em observação por pelo menos uma semana. Quando perguntei se podia visitá-la, ela hesitou.

"O Sr. Patterson deixou instruções claras, senhora. Apenas ele está autorizado a visitar."

Desliguei o telefone, o peito vazio.

Passei os dias seguintes em um nevoeiro de dor e vergonha. Limpando a casa, lavando as roupas, existindo em um silêncio que gritava.

Duas semanas se passaram. Duas semanas sem ver minha filha. Duas semanas em que Ricardo estava em alguma praia ensolarada com Helena e o filho dela, sorrindo para fotos que eu sabia que ele estava postando em suas redes sociais privadas.

Na noite em que ele deveria voltar, eu tomei uma decisão.

Arrumei uma pequena mala para mim e outra para Alice. Reuni todos os documentos.

Quando ele entrou pela porta, bronzeado e relaxado, eu estava esperando na sala de estar.

Ele me olhou com surpresa, depois com irritação.

"O que é isso? Por que você está com essas malas?"

Eu respirei fundo, o ar parecia pesado em meus pulmões.

"Eu quero o divórcio, Ricardo."

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