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Capa do romance O Preço da Traição Conjugal

O Preço da Traição Conjugal

Após um acidente alérgico com a filha, Ricardo humilha sua esposa cruelmente, comparando-a à amante, Helena. Ele a obriga a limpar o chão de forma degradante antes de partir em viagem com a outra mulher. Após duas semanas de isolamento e sofrimento sem ver a criança, a protagonista decide dar um basta. Quando o marido retorna, ela o confronta com exigências implacáveis: o divórcio, uma fortuna de cinquenta milhões e a guarda total da pequena Alice.
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Capítulo 3

A expressão de Ricardo passou de irritação para um divertimento frio.

Ele soltou uma risada curta e debochada.

"Divórcio? Você? Com que base?"

"Com todas as bases", eu disse, minha voz mais firme do que eu esperava. "E eu quero cinquenta milhões. E a guarda total da Alice."

Ele parou de rir. Seus olhos se estreitaram.

"Você ficou louca? Cinquenta milhões? Você não vai conseguir um centavo."

"Eu vou", afirmei. "Temos um acordo pré-nupcial, mas ele tem cláusulas sobre crueldade e infidelidade. Acho que tenho provas suficientes de ambos."

Ele deu um passo em minha direção, a aura de perigo voltando.

"Você não tem nada."

"Tenho as marcas dos seus dedos no meu braço. Tenho o testemunho dos funcionários que ouviram você gritar comigo. E tenho fotos suas com Helena e o filho dela nas Maldivas, enquanto sua própria filha estava em um hospital."

O rosto dele ficou sombrio. Ele sabia que eu estava falando a verdade.

Naquele momento, a porta se abriu e a mãe dele, Sônia, entrou. Ela olhou para as malas, depois para mim, com um desprezo mal disfarçado.

"O que está acontecendo aqui? Ricardo, querido, você acabou de voltar e essa mulher já está causando problemas?"

Ela se aproximou, o perfume caro dela enchendo o ar.

"Mãe, não é nada. Laura está tendo um de seus ataques."

Sônia me fuzilou com o olhar.

"Ouvi dizer que você quer o divórcio. E dinheiro. Que audácia. Depois de quase matar minha neta, você ainda acha que tem o direito de exigir alguma coisa?"

"Alice é minha filha também", eu disse, a voz vacilante.

"Uma filha que você não sabe cuidar", ela retrucou. "Helena é uma mãe maravilhosa. O filho dela é saudável e feliz. Ela sabe o lugar dela. Você deveria aprender com ela."

Cada palavra era um pequeno corte. Eles sempre fizeram isso, me comparando a Helena, a mulher perfeita que deveria estar no meu lugar.

Eu ignorei Sônia e olhei diretamente para Ricardo.

"Eu vou buscar a Alice no hospital amanhã. Meus advogados entrarão em contato com os seus."

Eu me virei, peguei minhas malas e a pequena mala de unicórnio de Alice.

"Você não vai a lugar nenhum com a minha filha", Ricardo rosnou, dando um passo para me impedir.

"Tente me parar", eu o desafiei, meu coração batendo forte contra as costelas. "Tente me parar e eu vou gritar para todos os seus vizinhos sobre o que você me fez fazer naquele tapete."

O rosto dele ficou pálido. Ele recuou.

Sônia ofegou, olhando de mim para o filho, confusa e chocada.

Eu saí daquela casa sem olhar para trás. O ar da noite nunca pareceu tão fresco.

Fui para um hotel simples, um lugar onde eu sabia que ele não me procuraria. Na manhã seguinte, fui ao hospital.

Mostrei meus documentos e a certidão de nascimento de Alice. A enfermeira, uma mulher gentil de meia-idade, olhou para mim com pena.

"O Sr. Patterson ligou e revogou a ordem. A senhora pode vê-la."

Quando entrei no quarto, Alice estava sentada na cama, desenhando em um livro. Seus olhos se iluminaram quando ela me viu.

"Mamãe!"

Ela correu para os meus braços e eu a abracei com força, inalando o cheiro de seu cabelo. As marcas do acesso intravenoso em seu bracinho eram um lembrete doloroso.

"Eu senti sua falta, mamãe. O papai disse que você estava doente."

"Eu estou melhor agora, meu amor", eu sussurrei, tentando não chorar. "Vamos para casa."

"Para a nossa casa?"

"Não, meu anjo. Para um lugar novo. Uma aventura só nossa."

Levei-a para o hotel. Nos dias seguintes, tentei criar uma bolha de normalidade para ela. Fomos ao parque, assistimos a filmes, comemos sorvete. Mas a sombra de Ricardo pairava sobre nós.

Uma noite, enquanto eu colocava Alice para dormir, meu celular vibrou. Era uma notificação do Instagram. Uma conta privada que eu não seguia me marcou em uma foto.

Meu dedo tremeu quando abri.

Era Helena.

A foto era uma selfie dela, de Ricardo e do filho dela. Os três sorrindo, parecendo a família perfeita em um restaurante chique. Na legenda, ela escreveu: "Noite em família com meus amores". E ela me marcou. Deliberadamente.

Senti um nó no estômago. Era uma provocação cruel e calculada.

Fechei o aplicativo, mas a imagem ficou gravada na minha mente.

Mais tarde, Alice, que tinha pegado meu celular para jogar, viu a foto.

"Mamãe, por que o papai está com aquela moça e o menino de novo?"

A inocência em sua pergunta partiu meu coração.

"Aquele é o filho da Helena, lembra? O papai é amigo deles."

"Mas... ele não é nosso amigo. Ele não vem mais nos ver", disse ela, a vozinha triste. "Ele não gosta mais da gente, mamãe?"

Eu a abracei com força, as lágrimas que eu segurava finalmente caindo.

"Não, meu amor. Não é isso."

Mas enquanto eu dizia as palavras, uma verdade fria se instalou em meu coração. Talvez ele nunca tenha gostado. Talvez tudo tenha sido uma mentira. Eu era apenas um tapa-buraco, uma substituta para a mulher que ele realmente queria. E eu, tola, acreditei que seu afeto era real, que nosso pequeno mundo era suficiente.

Toda a minha vida com ele, os quatro anos de casamento, pareceram desmoronar em pó.

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