
O Preço da Traição: Amor Destruído
Capítulo 2
A festa de gala da Ordem dos Advogados de São Paulo estava no auge.
Luzes brilhantes, música suave e o som de conversas animadas enchiam o salão de festas de um dos hotéis mais luxuosos da cidade.
Eu, Sofia Mendes, estava ali, ao lado do meu marido, Ricardo Silva.
Para todos, éramos o casal perfeito.
Eu, uma advogada de sucesso, especializada em direito empresarial.
Ele, um arquiteto renomado, cujos projetos estampavam as capas das revistas mais importantes do país.
"Você está deslumbrante esta noite, meu amor," Ricardo sussurrou no meu ouvido, sua mão pousando possessivamente na minha cintura.
Eu sorri, um sorriso ensaiado que eu vinha praticando há anos.
"Você também, querido. Sempre o homem mais elegante da sala."
Nossos amigos e colegas nos olhavam com admiração.
"Sofia, Ricardo, vocês são a prova de que almas gêmeas existem," uma juíza aposentada disse, erguendo sua taça de champanhe para nós.
Eu agradeci, sentindo um vazio gelado se espalhar pelo meu peito.
Eles não sabiam de nada.
Ninguém sabia.
Enquanto Ricardo se afastava para conversar com um potencial cliente, aproveitei para ir ao toalete.
No corredor silencioso e acarpetado, passei por duas assistentes de um escritório de advocacia concorrente, cochichando perto de um arranjo de flores.
Não pude evitar ouvir trechos da conversa delas.
"Você viu o Ricardo Silva? O homem é um deus grego."
"Sim, mas ouvi dizer que ele não é fiel. Minha prima trabalha na construtora dele. Dizem que ele tem um caso com a secretária."
"Sério? A Camila? Aquela que era estagiária da Sofia? Que audácia."
"Pois é. Dizem que ele a leva para almoços caros, viagens... A esposa dele não desconfia de nada. Coitada, parece tão inteligente."
As palavras delas me atingiram.
Eu parei, escondida atrás de uma coluna de mármore.
Meu coração começou a bater descontrolado.
Camila Costa.
Eu me lembrava dela. Uma jovem ambiciosa, inteligente. Fui eu que a indiquei para trabalhar com Ricardo, pensando que seria uma boa oportunidade para ela.
Eu me senti uma idiota.
Voltei para o salão, meu rosto uma máscara de calma.
Ricardo estava rindo, charmoso como sempre.
Ele não notou a mudança no meu olhar.
Mais tarde naquela noite, em casa, no nosso apartamento luxuoso com vista para a cidade, a fachada começou a ruir.
Meu celular vibrou.
Um número desconhecido.
Uma mensagem.
Abri, e meu mundo desabou.
Eram vídeos.
Vídeos curtos, granulados, mas inconfundíveis.
Ricardo e Camila.
Em um quarto de hotel.
Beijando-se.
Rindo.
O som da voz dela, provocadora.
"Sua esposa nunca vai descobrir, Ricky. Ela é tão certinha."
Senti o ar faltar nos meus pulmões.
O celular caiu da minha mão no tapete persa.
Naquele momento, Ricardo saiu do banheiro, enrolado em uma toalha.
Ele sorriu para mim, um sorriso que antes me aquecia, mas que agora me causava náuseas.
"Tudo bem, meu amor? Você parece pálida."
Ele se aproximou, tentando me abraçar.
Eu recuei, um movimento instintivo de repulsa.
"Estou só cansada. A festa foi longa."
Minha voz soou fria, distante.
Ele franziu a testa, confuso com a minha reação, mas não insistiu.
"Vou preparar um chá para você. Um chá de camomila para te ajudar a relaxar."
A ironia era doentia.
Ele, o traidor, oferecendo-me calma.
Enquanto ele estava na cozinha, eu me recompus.
A dor era imensa, uma ferida aberta no meu peito.
Mas por baixo da dor, outra coisa começava a crescer.
Uma raiva fria.
Uma clareza cortante.
Eu não iria chorar.
Eu não iria gritar.
Eu iria planejar.
Ricardo voltou com o chá, todo solicito.
"Aqui está, querida. Beba enquanto está quente. Amanhã teremos aquele brunch na casa dos seus pais, lembra? Precisamos estar descansados. Quero que todos vejam como minha esposa é a mulher mais linda e feliz do mundo."
Eu peguei a xícara, minhas mãos tremendo levemente.
"Sim, claro. O brunch."
Olhei para ele, para o homem com quem dividi minha vida por dez anos.
Ele era um estranho.
Um mentiroso.
E ele iria pagar.
Ele iria pagar por cada mentira, cada toque roubado, cada humilhação.
Ele subestimou a minha inteligência.
Ele subestimou a minha capacidade de ser tão fria e calculista quanto ele.
Naquela noite, enquanto ele dormia profundamente ao meu lado, eu não preguei o olho.
Peguei meu laptop e comecei a pesquisar.
Não sobre divórcio.
Não sobre advogados.
Eu já era a melhor advogada que conhecia.
Eu comecei a traçar um plano.
Um plano meticuloso, complexo.
Um plano de vingança.
No dia seguinte, liguei para Lucas Pereira.
Meu colega de faculdade.
Um advogado brilhante e, mais importante, a única pessoa em quem eu confiava cegamente.
"Lucas? É a Sofia. Preciso da sua ajuda. É algo... pessoal e muito, muito confidencial."
Do outro lado da linha, a voz dele era calma e segura.
"Sofia. O que precisar. Estou aqui para você."
Naquele momento, a advogada devotada morreu.
E a estrategista fria nasceu.
A caçada havia começado.
E a presa não tinha a menor ideia de que já estava na minha mira.
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