
O Preço da Traição: Amor Destruído
Capítulo 3
A manhã seguinte foi um teste para os meus nervos.
Acordei e vi Ricardo se vestindo para o trabalho, assobiando uma melodia qualquer.
Ele parecia despreocupado, como se a noite anterior tivesse sido apenas mais uma noite normal.
Observei cada movimento dele.
A maneira como ele escolheu a gravata, uma azul que eu lhe dei de aniversário.
A forma como ele borrifou seu perfume caro, o mesmo que senti no vídeo com Camila.
Cada detalhe era uma nova camada de repulsa que se acumulava dentro de mim.
"Bom dia, dorminhoca," ele disse, vindo até a cama para me dar um beijo.
Virei o rosto, e seus lábios encontraram minha bochecha.
Senti minha pele arrepiar.
"Não dormi bem," eu disse, minha voz neutra.
Ele me olhou, uma sombra de preocupação em seus olhos.
"Ainda por causa da festa? Você parecia estranha ontem à noite."
Era a minha chance.
Uma pequena sondagem.
"Não. Só estava pensando... no trabalho. Tenho um caso novo, complicado."
"Ah, é? Sobre o quê?" ele perguntou, distraído, enquanto ajustava o relógio no pulso.
"Divórcio. Uma cliente rica, esposa de um arquiteto famoso. Ela descobriu que ele a estava traindo com a secretária."
Eu disse as palavras lentamente, observando a reação dele no espelho.
Por uma fração de segundo, vi seus ombros ficarem tensos.
Ele parou de ajustar o relógio.
Seu reflexo encontrou o meu no espelho.
"Que... situação desagradável," ele disse, forçando um tom casual. "Essas coisas acontecem, eu acho. Homens são fracos."
"Fracos? Ou apenas desonestos e cruéis?" eu retruquei, minha voz um pouco mais afiada do que eu pretendia.
Ele se virou, finalmente me encarando diretamente.
O sorriso charmoso dele apareceu, a arma que ele usava para manipular o mundo.
"Calma, meu amor. É só um caso. Você não precisa ficar tão envolvida emocionalmente. Por isso você é a melhor, não é? Porque consegue manter a cabeça fria."
Ele tentou desviar do assunto, me elogiando, tentando me colocar de volta na caixa da "esposa que o admira".
"Você tem razão," eu disse, suavizando minha expressão. "É só trabalho."
Ele relaxou visivelmente.
Ele se aproximou e sentou na beira da cama, pegando minha mão.
Suas mãos estavam quentes. As minhas, geladas.
"Olha, eu sei que ando trabalhando muito. Talvez eu não tenha te dado a atenção que você merece," ele começou, em um tom de falsa confissão. "Que tal a gente tirar umas férias? Só nós dois. Vamos para a Itália, como sempre sonhamos. O que você acha?"
Era uma tentativa patética de me apaziguar, de cobrir seus rastros com a promessa de uma viagem romântica.
Ele achava que eu era tão superficial assim?
Que uma viagem para a Toscana poderia apagar a imagem dele com outra mulher?
Eu sorri por dentro.
Ele não fazia ideia do que estava por vir.
"Eu adoraria, Ricardo. Seria maravilhoso," eu disse, com a voz mais doce que consegui produzir.
O alívio no rosto dele foi quase cômico.
Ele era tão previsível.
Tão arrogante.
Ele realmente acreditava que tinha me enganado.
"Ótimo! Vou pedir para a Camila começar a ver os hotéis hoje mesmo," ele disse, animado.
O nome dela.
Ele disse o nome dela sem hesitar, sem um pingo de vergonha.
Naquele momento, qualquer resquício de dúvida que eu pudesse ter desapareceu.
A dor se transformou completamente em gelo.
Eu não era mais a vítima naquela história.
Eu era a juíza, o júri e, em breve, a carrasca.
"Perfeito," eu respondi, olhando fundo nos olhos dele. "Peça para a Camila cuidar de tudo."
Ele sorriu, satisfeito, e me deu um beijo na testa antes de sair para o trabalho.
"Te vejo no jantar. Amo você."
"Também amo você," menti.
Assim que ouvi a porta da frente se fechar, levantei da cama.
Não havia tempo a perder.
O Ricardo que eu amava estava morto.
O homem que restou era apenas um alvo.
E eu, Sofia Mendes, nunca erro o alvo.
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