
O Preço da Negligência: A Vingança de Eva
Capítulo 3
A porta do quarto abriu-se de rompante, e o meu sogro, o Sr. Costa, entrou, com a cara vermelha de fúria. Ele nem olhou para mim. Foi direto à minha sogra.
"Que escândalo foi aquele ao telefone? Estás a tentar matar o Pedro de preocupação?"
A minha sogra levantou-se, a voz a tremer. "O nosso neto morreu! O Pedro nem sequer veio ao hospital! Preferiu ir socorrer a Ana!"
"A Ana está grávida! Ela podia ter perdido o bebé dela!", gritou ele. "O Pedro fez o que qualquer irmão faria! O que aconteceu à Eva foi um acidente, uma fatalidade! O que queres? Que ele se divida em dois?"
Uma fatalidade. Era assim que ele descrevia a morte do meu filho.
"Ela é a mulher dele! Este era o filho dele!", a minha sogra insistiu, as lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto.
"E a Ana é a irmã dele, a carregar o nosso outro neto!", retorquiu o meu sogro. "Felizmente, a Ana está bem, e o bebé também. Foi só um susto."
Ele finalmente virou-se para mim, os seus olhos frios e duros.
"Eva, eu sei que estás a sofrer. Mas não podes ser egoísta. A família tem de se apoiar. O Pedro teve de fazer uma escolha difícil. Em vez de o culpares, devias pensar em como o vais apoiar quando ele chegar."
Apoiar? Eu é que perdi um filho. Eu é que estava numa cama de hospital. E eu é que tinha de o apoiar?
Uma raiva fria começou a subir pela minha garganta, sufocando a dor.
"Sr. Costa," a minha voz saiu rouca, quase um sussurro. "Onde está o Pedro agora?"
"Está com a Ana no hospital Santa Maria. A certificar-se de que ela e o bebé estão realmente fora de perigo. Ele virá assim que puder."
Assim que puder.
Peguei no meu telemóvel, que estava na mesinha de cabeceira. As minhas mãos tremiam, mas consegui encontrar o número dele. Liguei.
Demorou, mas ele atendeu. A voz dele era de cansaço.
"Eva?"
"Pedro," disse eu, a minha voz surpreendentemente calma. "Vamos divorciar-nos."
Houve um silêncio. Depois, a fúria dele explodiu através do telefone, tão alta que o meu sogro conseguia ouvir tudo.
"Divórcio? Ficaste maluca? Acabámos de perder um filho e tu falas em divórcio? Onde está a tua sensibilidade? Não vês que eu também estou a sofrer?"
"A sério? Porque parece que a tua maior preocupação foi o pé magoado da tua irmã."
"A minha irmã estava grávida e a sangrar! O que esperavas que eu fizesse, Eva? Deixá-la ali? És assim tão cruel?"
"E tu, Pedro? O que é que tu és? Deixaste a tua mulher, que acabou de perder o teu filho num acidente, sozinha no hospital."
"Eu não te deixei sozinha! A minha mãe estava aí! Pára de fazer drama! Já passei por muito stress hoje por causa da Ana. Não preciso que tu acrescentes mais!"
Com isso, ele desligou.
Olhei para o ecrã escuro do telemóvel. Drama. Ele achava que eu estava a fazer drama.
O meu sogro abanou a cabeça, desapontado.
"Vês? Só lhe causas mais problemas. Uma boa mulher apoia o marido, não o ataca nos momentos difíceis."
Eu não disse nada. Apenas me virei para o lado, de costas para eles. A decisão estava tomada. Não havia mais volta a dar.
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