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Capa do romance O Preço da Ascensão

O Preço da Ascensão

Ana Paula acreditou que a pulseira de platina dada por João, seu marido e astro do futebol, era um milagre para sua doença. Contudo, o objeto era um canal de transferência de infortúnios para proteger Patrícia, a verdadeira amada dele. Após um sequestro planejado, Ana perde o filho que esperava e sofre humilhações sob as ordens de João. Mantida em cárcere e usada como doadora de sangue, ela morre, mas deixa provas cruciais com Lucas para destruir os planos do traidor.
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Capítulo 2

Ana Paula olhou para o marido, João, com um amor que transbordava em seus olhos.

Ele era a estrela em ascensão do futebol brasileiro, um homem cujo nome começava a ecoar nos estádios e nas manchetes dos jornais, e para ela, ele era o mundo inteiro.

João sorriu de volta, um sorriso que sempre a fazia sentir segura, amada.

Ele a abraçou com força, o cheiro dele, uma mistura de suor do treino e colônia cara, a preencheu por completo.

"Eu faria qualquer coisa por você, meu amor", ele sussurrou em seu ouvido.

Ela acreditava nele, cada palavra era um bálsamo para sua alma cansada, uma alma que lutava diariamente contra uma doença rara que os médicos diziam não ter cura.

Mas João tinha encontrado uma cura. Pelo menos, era o que ele dizia.

Ele era um "conquistador", uma alma enviada por uma entidade que ele chamava de "o Sistema" para cumprir missões neste mundo. Sua missão principal, ele explicou vagamente, era garantir que o time adversário vencesse certos jogos cruciais, uma tarefa que o enchia de conflitos, mas que ele aceitava.

Ele nunca entrou em muitos detalhes, e ela nunca pressionou.

Para Ana Paula, o que importava era que ele a amava.

Naquela noite, ele chegou em casa com uma pequena caixa de veludo.

Dentro, havia uma pulseira de platina, delicada e fria ao toque, com um fecho quase invisível.

"O que é isso?", ela perguntou, maravilhada com a beleza da joia.

A expressão de João era séria, quase dolorosa.

"É a sua chance, Ana Paula. A nossa chance."

Ele contou a ela uma história de sacrifício inacreditável.

Disse que havia desafiado o Sistema, que implorou por uma maneira de salvá-la de sua doença. O Sistema, segundo ele, era implacável, mas ofereceu uma troca.

"Eu suportei noventa e nove penalidades", disse ele, a voz embargada. "Cada uma delas foi uma tortura que você não pode imaginar. Dor física, mental... tudo para conseguir isso."

Ele pegou a pulseira e a colocou no pulso dela.

"Isso vai mudar o seu destino. Vai reverter a doença. Você vai ficar bem."

As lágrimas escorriam pelo rosto de Ana Paula enquanto ela o abraçava.

Ela beijou as cicatrizes quase imperceptíveis em suas costas, cicatrizes que ele dizia serem das punições do Sistema.

Ela acreditou em cada palavra.

Como poderia não acreditar? O amor dele era a única coisa que a mantinha de pé.

Ela usava a pulseira todos os dias, um símbolo constante do sacrifício de seu marido. Sentia-se mais forte, mais viva. Acreditava que estava melhorando.

Tudo era uma mentira.

Uma mentira que ela descobriu da forma mais brutal possível.

Uma semana depois, ao sair de sua clínica de fisioterapia, onde trabalhava com a dedicação que lhe restava, uma van preta parou bruscamente ao seu lado.

Dois homens fortes saíram, a agarraram e a jogaram para dentro antes que ela pudesse gritar.

O pânico a dominou.

Ela se debateu, chutou, mas era inútil.

Eles a levaram para um galpão abandonado, o ar pesado com o cheiro de mofo e podridão.

Jogaram-na no chão de cimento sujo.

Um dos homens a segurou enquanto o outro a agredia.

Durante a luta desesperada, seu braço bateu com força contra uma viga de metal.

A pulseira de platina, o símbolo do amor de João, rachou.

Um corte se abriu em seu pulso, e o sangue dela escorreu, penetrando nas ranhuras finas da pulseira quebrada.

Foi então que ela ouviu.

Não com seus ouvidos, mas dentro de sua cabeça.

Uma voz fria, mecânica, sem emoção.

"Você sabia o quanto ela te amava, por que a expôs a isso?"

Ana Paula congelou. A voz não estava no galpão.

E então, outra voz respondeu, uma voz que ela conhecia melhor do que a sua própria.

A voz de João.

"O destino de Patrícia está cheio de infortúnios, só assim posso protegê-la. Não tenho outra opção."

Patrícia.

O nome ecoou em sua mente. Patrícia era uma socialite famosa, a "alvo de conquista" de João, a mulher que ele deveria proteger. Ele havia mencionado o nome dela algumas vezes, sempre de passagem.

O choque foi tão intenso que paralisou seu corpo.

"Depois que Ana Paula suportar as últimas três provações e o destino de Patrícia for alterado, eu a compensarei pelo resto da minha vida..."

A voz de João era calma, calculista. Sem amor, sem remorso.

Com as mãos trêmulas, Ana Paula olhou para a pulseira quebrada.

Na parte interna, agora visível pela rachadura, havia um nome gravado em letras minúsculas.

Patrícia.

O mundo de Ana Paula desmoronou.

A pulseira não era para ela. O sacrifício não era por ela. A cura era uma mentira.

Ela era a provação. Ela era o sacrifício.

O desespero a consumiu, uma onda negra que afogou toda a esperança.

Seus olhos varreram o chão imundo do galpão e encontraram um caco de vidro.

Era sua única saída.

Com um grito que rasgou sua garganta, ela se arrastou em direção ao vidro, sua única intenção era acabar com aquela dor insuportável.

Mas os agressores foram mais rápidos.

Eles a pegaram antes que pudesse se cortar.

Um deles riu.

"O chefe disse para não te deixar morrer. Pelo menos, não ainda."

Eles a prenderam no chão, e a violência recomeçou, mais brutal, mais impiedosa.

Enquanto a dor física a rasgava, a dor da traição a aniquilava por dentro.

Tudo tinha sido planejado.

O amor, o carinho, a promessa de um futuro.

Tudo era uma armadilha orquestrada pelo homem que ela amava mais do que a própria vida.

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