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Capa do romance O pai do meu companheiro me quer

O pai do meu companheiro me quer

Traída pelo parceiro com a própria irmã, uma loba busca consolo nos braços de Vince, o pai de seu companheiro. O que deveria ser uma noite de vingança desperta uma obsessão sombria. Por trás da fachada calma do sogro, esconde-se um homem manipulador e possessivo disposto a destruir tudo para mantê-la sob seu controle. Agora, presa em um vínculo clandestino e viciante, ela luta contra o desejo e o medo enquanto ele jura jamais deixá-la escapar.
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Capítulo 3

ELENA PETERS

Quando meu celular vibrou, fiquei paralisada. Porém, quando verifiquei o identificador de chamadas, meu coração se afundou, porque não era o homem que eu esperava.

Já fazia uma semana desde a noite que passamos juntos. Com certeza eu estava sob o efeito do álcool quando disse que não me arrependeria do que aconteceu.

No dia seguinte daquela noite, quando cheguei em casa, chorei até não poder mais. Nunca pensei que faria algo tão baixo como dormir com outro homem que não fosse meu companheiro, e pior ainda, com seu pai, o que me fez me sentir péssima.

Naquele momento, o odiei e não queria mais falar com ele. Porém, alguns dias depois, esse ódio se transformou num desejo ardente e incontrolável.

Eu sempre ficava tentada a ligar para aquele homem, mas quando pegava meu celular, perdia a coragem. Ele não me ligou e nem nos vimos mais, o que me deixou ainda mais inquieta, Pensei que ele estava me ignorando ou que o que tivemos não significou nada para ele, a ponto de não querer manter contato comigo.

Talvez para ele tivesse sido apenas um caso casual, nada mais, e embora eu devesse estar feliz com isso, uma parte de mim estava sofrendo muito.

Me corrija se eu estiver errada, mas ele não me fez prometer que não fingiríamos que nada aconteceu? Então por que ele estava fazendo isso?

Será que ele não estava sendo sincero quando disse aquelas palavras? Elas foram ditas apenas para apimentar o momento? Ele estava se arrependendo tanto quanto eu?

Talvez para ele isso não significasse nada, e também não deveria significar nada para mim, mas meu coração solitário parecia desejá-lo irremediavelmente.

Olhando para seu número novamente, balancei a cabeça, decidida a não ligar. Então, enxuguei minhas lágrimas e desci para tomar o café da manhã.

Trent já estava sentado e mexendo no celular, mas o guardou rapidamente quando me viu.

Por quê? Ele estava falando com Tracy? Era difícil para mim confrontá-lo sobre isso, então acabei não fazendo, principalmente sabendo que eu era tão suja quanto ele, já que me envolvi com seu pai.

"Oi, amor", ele disse, se aproximando para beijar meus lábios, mas desviei sutilmente, e o beijo acabou caindo na minha bochecha.

Desde que descobri sua traição, não o deixei me beijar ou transar comigo. Seu toque me repelia agora. E saber que ele estava enfiando seu pau em Tracy certamente o tornou menos atraente para mim.

Eu poderia não confrontá-lo sobre isso, mas com certeza não iria dividir um pau com minha irmã, o que acabaria com qualquer resquício de orgulho que eu tivesse.

Ele puxou uma cadeira para mim, e eu me sentei. Sempre um cavalheiro, e era por isso que eu nunca conseguia entender como ele pôde me trair. Como isso foi possível?

"O jantar do seu pai é esta noite", ele me lembrou.

Meu pai era o Alfa da Matilha Moonflakes. Já o pai de Trent era o Alfa da Matilha Crimson Hills, até que se aposentou e passou o cargo para Trent.

Meu pai e o pai de Trent, Vince, eram amigos de infância, e a amizade cresceu com eles. Por isso, eles ficaram muito felizes quando me tornei companheira de Trent.

"Sim", respondi sem entusiasmo, tentando comer mesmo sem apetite.

"Tenho trabalho mais tarde, então vou te deixar lá e ir resolvê-lo. Mas com certeza estarei na festa amanhã."

Acenei com a cabeça novamente, sem ter nada a dizer. Ele estava mentindo, uma mentira que não merecia qualquer resposta. Se eu dissesse algo, só iria me fazer chorar novamente.

"Não estou com fome", eu disse, correndo de volta para o quarto, e fiquei trancada lá até a noite.

Trent me levou para a Matilha do meu pai. Quando entramos no complexo, meu pai estava esperando na varanda.

Desci do carro e corri para seus braços.

"Calma, querida", ele riu, passando a mão pelas minhas costas.

"Desculpe." Mas eu precisava de um abraço, desesperadamente.

Depois de cumprimentar meu pai, Trent foi embora, e vê-lo partir me deixou ainda mais deprimida.

Quando meu pai e eu entramos, Tracy estava lá com sua mãe, minha madrasta.

"Oi, mãe", eu a abracei. Ela nunca conseguiria preencher o vazio que minha mãe deixou no meu coração quando eu tinha quatro anos, mas certamente era muito gentil comigo, e isso significava muito.

"Oi, irmã", Tracy abriu seu sorriso habitual e atrevido, um sorriso radiante que iluminava até os corações mais sombrios.

Como alguém com um sorriso desses poderia ser tão má? E eu a amava tanto que também não sabia como confrontá-la.

Então, fui forçada a reprimir todas as minhas emoções, o que estava me sufocando. Nesse momento, eu tinha que ser legal com ela, mesmo que isso estivesse me matando por dentro.

"Ei, Tracy", eu disse, e meu sorriso durou apenas um segundo antes de desaparecer. Felizmente, ninguém percebeu, e meu pai nos levou para a mesa de jantar.

No entanto, éramos só nós — não havia nenhum outro convidado, nem mesmo... Vince. Ao vir para cá, meu coração estava na boca, pensando que o veria aqui. Porém, ver que ele não estava foi decepcionante e ao mesmo tempo um alívio.

"Você não convidou mais ninguém?", perguntei ao meu pai enquanto me sentava ao seu lado e Tracy se sentava ao lado da mãe.

"Convidei apenas Vince", ele respondeu, pegando os talheres.

"Por que..." Fiquei paralisada, minha voz rouca, mas logo disfarcei e limpei a garganta. "Ele não veio?"

"Não sei. Ele disse que surgiu algo que não podia deixar de resolver." Meu pai parecia um pouco desapontado.

Comi em silêncio, sentindo uma onda de culpa me destruindo. E se Vince tivesse recusado porque sabia que eu estaria aqui?

E se o homem estivesse se sentindo mal por causa do que aconteceu? Algo que só aconteceu porque eu estava bêbada, ousada e rancorosa.

Talvez Vince estivesse se sentindo mal. Afinal, eu era filha do seu melhor amigo e companheira do seu filho. Ele devia estar se odiando agora.

E eu não deveria esquecer que fui eu quem iniciou o que tivemos. Fui eu...

"Tudo bem, querido. Ele com certeza virá para a festa amanhã", a mãe consolou meu pai, que não conseguiu esconder sua tristeza.

Me senti tão mal que mal comi.

Por fim, fui para o meu quarto e fiquei olhando para o celular novamente.

Minhas ações naquela noite poderiam arruinar a amizade dele com meu pai e prejudicar ainda mais meu relacionamento com Trent, se eu não consertasse isso. Eu precisava assumir a responsabilidade pelos meus atos, pedir desculpas e tranquilizá-lo.

Tudo foi culpa minha. Eu não deveria ter me jogado para cima dele, e eu deveria pedir desculpas por isso.

Com um suspiro profundo, disquei seu número. O que me chocou foi ele ter atendido no primeiro toque.

"Demorou bastante", ele resmungou.

"Peço descuplas", eu disse calmamente, tentando controlar meu coração acelerado.

"O que..."

"Eu não deveria ter me jogado para cima de você." Continuei, interrompendo-o. "Peço descuplas se está se sentindo culpado, mas não precisa. Foi só uma transa casual. Vamos... vamos só fingir que isso nunca aconteceu, por favor."

Um silêncio gélido se instalou entre nós, e eu fiquei com a impressão de que ele havia encerrado a ligação.

"Foi para me dizer isso que você ligou?" Havia um tom de voz ameaçador, o que me fez sentir um arrepio na espinha.

"Si-sim", gaguejei, segurando meu celular com mais força. "Não é... não é isso que você quer ouvir?"

"Você não faz a menor ideia", ele sibilou, e a ligação foi encerrada.

Fiquei pálida por um minuto inteiro. Meu rosto estava corado com a intensidade da ligação de três minutos com um homem que deveria ser o mais decente e tranquilo.

Ele não parecia nada disso ao telefone. Pelo contrário, parecia uma fera descontrolada, assim como estava na noite em que me penetrou.

O que estava acontecendo? Por que parecia haver mais nele do que aparentava? O que... o que estava acontecendo? Porque eu sentia que havia acabado de irritar um enxame de abelhas com a ligação, quando tudo o que eu queria era acalmá-lo.

"Há algum problema?" A voz do meu pai me assustou e me virei rapidamente, substituindo minha expressão pálida por um sorriso.

"Nenhum, pai." Se ao menos eu pudesse perguntar a ele que tipo de homem era seu melhor amigo, já que eu havia sentido um calafrio mortal vindo de Vince ao telefone.

Quem era esse Vince com quem dormi e acabei de falar ao telefone? Ele não deveria ser o Vince caloroso e amigável? Ele parecia totalmente diferente do Vince que todos nós conhecíamos ao longo dos anos.

"Vim dar boa noite." Meu pai se aproximou, me abraçando brevemente. "Obrigado por ter vindo passar a noite comigo na véspera do meu aniversário."

"É um prazer, pai." Mantive meu sorriso, mas, querida deusa, meu coração estava ardendo de culpa. Quão decepcionado ele ficaria se descobrisse...

"Descanse um pouco. Sinto muito por não poder se divertir com sua irmã esta noite."

Divertir... bom, geralmente, nas noites em que eu passava na casa assim, Tracy e eu ficávamos acordadas assistindo a filmes de terror e gritando até não poder mais.

Com certeza, eu não faria isso com ela esta noite. Eu não conseguia nem olhar para ela por um minuto sequer, então como eu poderia dividir um quarto com ela ou rir com ela?

"Não, pai. Estou exausta. Preciso descansar um pouco."

"Ah, tudo bem. Tracy não está aqui mesmo. Ela saiu e disse que tinha que encontrar um amigo."

"O quê?" Mas tudo o que recebi como resposta foi o som suave da porta se fechando — meu pai já havia ido embora.

Tracy... não estava em casa? Eu não queria começar a imaginar coisas, e não devia me torturar assim. Talvez não fosse o que eu estava pensando.

Talvez...

De repente, meu celular apitou. Rapidamente, cliquei na mensagem que era mais um conjunto de fotos do senhor Anônimo.

Trent estava nu, e Tracy estava em cima dele, se divertindo muito.

A mensagem dizia:

"Seu adorável companheiro, Trent."

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