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Capa do romance O Noivo Que Roubou Minha Vida

O Noivo Que Roubou Minha Vida

Enganada por Heitor, descobri no noivado que sua família planejava roubar meu rim para Clarice. Fui traída e jogada em uma clínica brutal sob falsas acusações. Ao sair, Heitor me humilhou com minha rival, Kátia, culpando-me até por acidentes que ela causou. No hospital, entre provas forjadas e insultos, ele me descartou como um monstro. Agora, ferida mas desperta, percebo que vivi com carrascos. Livre desse amor tóxico, decidi nunca mais olhar para trás.
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Capítulo 2

Ponto de Vista de Elna:

A mansão parecia a mesma, mas tudo parecia diferente. Meu antigo quarto ainda era meu, mas a presença de Kátia estava em toda parte. Suas coisas novas já estavam na suíte de hóspedes, um toque de cores vibrantes contra os tons suaves que eu preferia. Seu perfume pairava no ar, uma doçura enjoativa que revirava meu estômago.

Heitor parecia mais leve, mais feliz. Seus negócios estavam florescendo, seus acordos fechando um após o outro. Seu rosto, antes tenso de preocupação com Clarice, agora exibia uma confiança relaxada. Ele frequentemente saía cedo e voltava tarde, seu celular zumbindo com chamadas e mensagens. Ele estava sempre sorrindo, sempre rindo, especialmente quando Kátia estava por perto.

Uma noite, ele anunciou uma grande celebração. "Uma festa da vitória", ele chamou, seus olhos brilhando. "Pelo progresso da Clarice, pelo meu último negócio, por... tudo de bom que está acontecendo." Ele não me mencionou. Ele não mencionou a "clínica de correção".

Alguns dias antes da festa, um pacote chegou ao meu quarto. Dentro havia um vestido. Um lindo vestido verde-esmeralda, de seda cintilante. Era deslumbrante. Heitor havia deixado um bilhete com ele. *Use isto. Venha sozinha. Chegue na hora.* Nenhum carinho. Nenhuma explicação. Apenas uma ordem.

Na noite da festa, vesti-me lentamente, meus dedos traçando o tecido delicado. Parecia pesado, como uma fantasia. Cheguei ao grande salão de festas sozinha, como instruído. O lugar já estava fervilhando de convidados, um mar de vestidos brilhantes e ternos elegantes. Eu me sentia como um fantasma, flutuando pela multidão opulenta, invisível.

Então, os murmúrios começaram. Um silêncio caiu sobre o salão quando as portas principais se abriram. Heitor estava lá, radiante em um terno sob medida, um sorriso deslumbrante no rosto. E ao seu lado, com o braço orgulhosamente entrelaçado no dele, estava Kátia.

Ela estava usando exatamente o mesmo vestido verde-esmeralda.

Minha respiração ficou presa na garganta. Minhas mãos se fecharam, amassando a seda do meu vestido. Não foi um erro. Foi uma humilhação deliberada e calculada. Seus olhos encontraram os meus através do salão lotado, um flash de triunfo malicioso em sua profundidade.

Os sussurros ficaram mais altos, subindo como uma maré. "Meu Deus, elas estão usando o mesmo vestido!" "Que vergonha para a Elna!" "Aquela é a nova namorada do Heitor? Ela é deslumbrante!"

Heitor e Kátia entraram no salão, um casal poderoso, banhados pelos holofotes. Eles nem sequer olharam na minha direção. Eu era uma mera sombra, uma cópia mal executada. A humilhação me inundou, quente e ardente.

Ouvi trechos de conversas enquanto as pessoas passavam. "Ela sempre foi meio... estranha", murmurou uma mulher. "Emocionalmente atrofiada, sabe." Outra riu. "Pobre Heitor, ele merece alguém vibrante, não uma lousa em branco."

Uma onda de náusea me atingiu. Senti meu rosto corar, um calor raro consumindo minhas bochechas. Uma emoção desconhecida, aguda e dolorosa, perfurou minha dormência habitual. Parecia... vergonha profunda e avassaladora. E uma fúria abrasadora. Pela primeira vez em muito tempo, senti algo parecido com raiva de verdade.

Eu precisava sair. Tinha que sair. Abri caminho pela multidão de convidados, meus olhos procurando uma saída. Mas as portas estavam bloqueadas, as pessoas se acotovelando para vislumbrar o casal celebrado. Eu não conseguia me mover. Estava presa.

O salão de festas estava muito quente, o ar denso com perfume e conversa. Avistei uma pequena e isolada porta de terraço e escapei para fora, precisando de um pouco de ar fresco. A noite estava fria, o vento cortando a seda fina do meu vestido. Tremi, mas o frio era uma distração bem-vinda da humilhação ardente lá dentro.

Depois de alguns minutos, o frio se tornou insuportável. Voltei para o salão, buscando refúgio em um canto tranquilo, tentando me misturar às sombras. Do meu ponto de vista, observei Heitor e Kátia na mesa principal, reinando. Eles pareciam em todos os aspectos o casal perfeito.

Um repórter se aproximou da mesa deles, microfone na mão. "Sr. Almeida, os rumores estão circulando. Quem é esta bela mulher ao seu lado esta noite?"

Heitor riu, um som suave e praticado. Ele olhou para Kátia, que sorriu recatadamente. "Kátia é... muito importante para mim. Para minha família. Ela tem sido uma rocha, uma fonte de força incrível." Ele evitou a pergunta direta, deixando o status dela ambiguamente elevado.

"Aquele vestido cai maravilhosamente bem nela", sussurrou outra convidada por perto, uma mulher que eu não reconheci. "Não como... a outra. Sempre tão rígida, tão fria."

As palavras foram como punhais. Senti-me pequena, insignificante. Meu passado, todo o meu ser, reduzido a um sussurro. Esta era a minha vida agora, não era? Uma coisa descartada, observando o homem que eu amava construir um mundo novo e mais brilhante com outra pessoa. Um mundo onde eu era o fantasma inconveniente e sem sentimentos.

A festa finalmente atingiu seu clímax. Heitor ergueu um brinde, reconhecendo sua família, seu sucesso e "o futuro brilhante à frente". Ele não olhou para mim. Ele não reconheceu minha existência nem uma vez.

De repente, um rangido alto ecoou pelo salão. Um enorme lustre de cristal, pendurado precariamente no teto alto, balançou. As pessoas olharam para cima, murmurando nervosamente. Alguns cristais se soltaram, tilintando no chão de mármore.

Então, com um gemido aterrorizante, toda a estrutura começou a cair.

Aconteceu tão rápido. Puro instinto, uma onda primal que eu não sabia que possuía, tomou conta. Heitor estava diretamente abaixo dele, de costas para o perigo que descia. Kátia estava ao lado dele, seus olhos arregalados de terror. Sem pensar, eu me lancei para frente, empurrando Heitor com toda a minha força.

Ele tropeçou, caindo para longe do caminho direto do lustre. Kátia gritou, puxando-o ainda mais para trás. Senti um impacto tremendo, um flash ofuscante de dor branca. O mundo ficou preto.

A última coisa que vi, antes que a escuridão me consumisse, foi o rosto de Heitor. Ele estava olhando para Kátia, seus olhos cheios de medo e preocupação, não por mim, mas por ela.

Acordei com o cheiro estéril de antisséptico. Minha cabeça latejava, meu corpo doía. Pisquei, desorientada. Hospital. Eu estava em um hospital. O quarto era branco e silencioso. Ninguém estava lá. Nenhum Heitor. Nenhuma família. Apenas eu. Sozinha.

Minha garganta estava seca. Minha língua parecia uma lixa. Tentei me sentar, mas uma dor aguda atravessou meu lado. Ofeguei, caindo de volta nos travesseiros. Finalmente, com um esforço monumental, consegui alcançar o copo de água na mesa de cabeceira. Minha mão tremia tanto que metade derramou antes que eu pudesse levá-lo aos lábios.

A porta rangeu ao se abrir. Heitor estava lá, seu rosto sombrio. Meu coração deu um salto estranho. Ele estava aqui. Ele se lembrou de mim.

Mas então, ele jogou algo na minha cama. Um pedaço de papel amassado, uma pequena mola intrincada e um fio minúsculo, quase invisível. Seus olhos estavam frios, duros como lascas de gelo.

"O que é isso, Elna?", ele exigiu, sua voz baixa e ameaçadora. "O que você estava tentando fazer?"

"Eu... eu não sei do que você está falando", sussurrei, confusa e fraca. Minha cabeça ainda estava nebulosa.

"Não se faça de inocente!", ele rosnou, dando um passo mais perto. "A filmagem da segurança. Mostra você, Elna. Logo antes do lustre cair. Mexendo na fiação. Tentando sabotá-lo."

Sabotar? Meu sangue gelou. "Não! Eu não fiz isso! Eu te empurrei para fora do caminho, Heitor! Eu te salvei!"

Ele riu, um som amargo e sem humor. "Me salvou? Você tentou matar a Kátia! Você estava com ciúmes, não estava? Você queria machucá-la, se livrar dela. Porque ela é importante. A família dela. As conexões dela. Tudo."

"Isso não é verdade!", gritei, lágrimas brotando em meus olhos. "Kátia... ela é quem me machucou! Ela usou o mesmo vestido, ela me humilhou!"

"E que trágica coincidência que tudo o que você alegou que ela fez não pode ser provado, enquanto suas ações são cristalinas", Heitor zombou. "Encontramos isso perto do lustre. A fiação foi adulterada, Elna. E suas impressões digitais estão por toda parte."

Ele ergueu um tablet. Um vídeo granulado passava. Mostrava uma figura, indistinta, mas claramente eu, em pé em uma cadeira perto do lustre, as mãos estendidas para cima. Era uma armação perfeita e condenatória.

"Isso é impossível", sussurrei, balançando a cabeça. "Eu não... eu não faria..."

"Você sempre foi um enigma, Elna", disse Heitor, sua voz tingida de nojo. "Sempre tão quieta, tão desprovida de emoção. Mas por baixo dessa calma exterior, você é uma víbora, não é? Uma víbora ciumenta e manipuladora."

"Eu não sou!", implorei, a injustiça de tudo aquilo uma dor lancinante no meu peito. "Kátia é a manipuladora! Ela mentiu para você! Ela é cruel!"

"Chega!", ele rugiu, batendo a mão na mesa de cabeceira. O copo de água saltou, chacoalhando. "Você não vai falar mal da Kátia! Ela é uma mulher gentil e altruísta que ajudou imensamente minha família. Ela é inocente! Você, Elna, é a consumida pela amargura e pela inveja."

Ele me encarou, seus olhos cheios de um ódio que revirou minhas entranhas. "Você vai pagar por isso, Elna. Você vai se desculpar com a Kátia, e vai entender o seu lugar. Você vai aprender a se controlar. Ou acredite em mim, as consequências serão muito piores do que algumas semanas em uma clínica."

Ele se virou para sair, mas parou na porta. "Sabe, Elna", disse ele, sua voz perigosamente suave, "eu costumava pensar que por baixo da sua... natureza incomum, havia um bom coração. Um coração puro. Mas eu estava errado. Você é apenas vazia. Um vácuo. E, francamente, estou cansado de tentar preenchê-lo."

Suas palavras me atingiram mais forte do que qualquer golpe físico. Vazia. Um vácuo. Ele me via como nada. As lágrimas que eu estava segurando finalmente se libertaram, escorrendo pelo meu rosto. Meu corpo tremia com soluços silenciosos. Parecia que meu peito estava sendo rasgado.

Eu o observei ir, a porta se fechando atrás dele. O som foi final. Irrevogável.

Vazia. Um vácuo.

Ele estava certo. Eu estava vazia. Vazia de esperança, vazia de amor, vazia de tudo que eu pensei que tínhamos. Mas também, vazia dele. E com essa percepção, uma determinação fria e dura se instalou profundamente dentro de mim.

Eu o deixaria. Eu deixaria esta vida. Eu deixaria tudo para trás.

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