Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance O Monstro que Criaram

O Monstro que Criaram

Ana Paula sempre viveu sob a sombra de Sofia, a irmã preferida que lhe roubou tudo, inclusive Pedro. Após ser empurrada da escada pela própria mãe e morrer no dia do casamento de Sofia com Marcelo, Ana desperta milagrosamente no passado. Com memórias intactas e sede de justiça, ela decide usar os segredos sujos da família para destruir quem a humilhou. O jogo virou: a filha submissa morreu, dando lugar a um monstro focado em vingança absoluta.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

O cheiro de cigarro barato e perfume doce me tirou do sono.

Abri os olhos e vi a silhueta da minha irmã, Sofia, na porta do meu quarto. Ela se apoiava no batente, tentando parecer casual, mas a forma como seu corpo balançava denunciava a bebida.

"Ana, você não vai acreditar."

A voz dela estava arrastada, cheia do orgulho bêbado de quem acabou de fazer algo que considera uma grande vantagem.

Na minha vida passada, eu teria me levantado, preocupada, e perguntado o que aconteceu. Teria escutado suas histórias sobre mais uma noite de excessos, com homens que ela mal conhecia, e teria dado conselhos que ela nunca seguiria.

Mas esta não era mais aquela vida.

Eu me sentei na cama, o coração batendo forte, não de preocupação, mas de uma raiva fria e antiga. A memória do meu próprio sangue, quente e pegajoso no chão frio de mármore, ainda era fresca na minha mente, mesmo que, neste tempo, ainda não tivesse acontecido.

"O que foi, Sofia?" perguntei, minha voz soando mais calma do que eu me sentia.

Ela sorriu, um sorriso presunçoso que eu conhecia muito bem.

"O Pedro. Ele terminou com você, né? Coitadinha."

Ela entrou no quarto, tropeçando nos próprios pés.

"Adivinha com quem ele está agora? Comigo. Ele disse que sempre me quis, que você era só um passatempo sem graça."

Cada palavra era uma pá de terra jogada sobre o meu caixão. O caixão da antiga Ana Paula.

Eu apenas a observei. Observei o rímel borrado, o vestido caro e amassado, a mancha de batom no pescoço dela que não era da cor que ela usava. Ela era um desastre, mas se via como uma rainha.

Na minha vida passada, essa notícia me destruiu. Eu chorei por semanas. Agora, eu só sentia um vazio gelado.

"Sofia, você sabe que o Pedro não vale nada," eu disse, repetindo as palavras que eu deveria ter dito com mais força antes. "Ele não se importa com ninguém além dele mesmo. E você deveria tomar mais cuidado com quem você se deita."

Eu olhei diretamente para ela.

"Você não sabe que tipo de doenças as pessoas podem carregar. Essa vida que você leva vai te cobrar um preço."

Era um aviso genuíno, nascido da dor e do conhecimento do futuro. Na outra vida, eu a vi sofrer as consequências, mas era tarde demais.

Sofia riu, uma risada alta e debochada.

"Ah, Ana, sempre a santinha preocupada. Que fofa."

Ela se aproximou da minha cama e se sentou na beirada.

"Você só está com inveja. Inveja porque eu sou bonita, porque os homens me querem, e porque eu sei aproveitar a vida. Você é só uma chata, trabalhadora e certinha. Ninguém quer isso."

Ela se levantou.

"Não se preocupe com as minhas doenças, querida irmã. Eu sei me cuidar. Diferente de você, que não consegue nem segurar um homem."

Ela saiu do quarto, me deixando sozinha com a escuridão e as memórias.

Algumas semanas depois, Sofia chegou em casa mais cedo, pálida e com os olhos vermelhos. Ela não disse nada, apenas foi para o seu quarto e se trancou. Pela fresta da porta, eu a ouvi chorando.

Mais tarde, nossa mãe, Isabel, me chamou na sala. Ela estava com uma expressão furiosa.

"O que você disse para a sua irmã?"

A voz dela era afiada.

"Não disse nada. O que aconteceu?"

"Não se faça de desentendida, Ana Paula. A Sofia está passando mal, com umas irritações estranhas. Ela foi ao médico. Ela acha que pegou alguma coisa."

Isabel me fuzilou com os olhos.

"E ela disse que a culpa é sua!"

Eu senti um calafrio. Não de medo, mas de confirmação. O futuro que eu conhecia estava se repetindo.

"Minha culpa? Como poderia ser minha culpa?"

"Ela disse que você colocou praga nela! Que você ficou jogando essas suas energias negativas, falando de doença, por pura inveja. Você fez isso acontecer com ela, sua invejosa!"

A acusação era tão absurda, tão irracional, que por um momento, a antiga Ana Paula quase respondeu. A que tentava argumentar, que buscava a lógica, que queria ser compreendida.

Mas ela estava morta.

Eu me lembrei daquela tarde. A tarde em que tudo acabou.

Na minha vida passada, a briga foi por causa de Marcelo. Minha mãe o tinha arranjado para mim, mas Sofia, como sempre, o roubou. No dia do casamento deles, que eu fui forçada a organizar, eu não aguentei. Eu não expus a vida dela, como eu sonhava em fazer agora. Eu apenas tentei ir embora, fugir daquela família.

Minha mãe me segurou pelo braço, gritando que eu estava tentando arruinar a felicidade da minha irmã. Sofia veio para cima de mim, me chamando de perdedora, de invejosa.

"Você nunca vai ser feliz, Ana Paula! Nunca!" ela gritou.

A raiva me consumiu. Eu a empurrei.

Mas minha mãe me empurrou de volta, com toda a força.

"Não toque na sua irmã!"

Eu perdi o equilíbrio no topo da escada de mármore da nossa casa luxuosa. Caí. O som do meu crânio batendo no degrau ecoou na minha mente. A última coisa que vi foram os rostos chocados, mas não arrependidos, da minha mãe e da minha irmã, olhando para o meu corpo quebrado lá embaixo. A dor era insuportável, mas o sentimento de traição era ainda pior. Eu morri ali, naquele chão frio, odiando-as com cada fibra do meu ser.

E agora, aqui estava eu. De volta. Com uma nova chance.

Olhei para a minha mãe, que continuava me acusando.

"Se a Sofia está doente, a culpa é das escolhas dela, mãe. Não minha."

Eu me levantei e saí da sala, deixando-a sem palavras. A vingança não seria com gritos ou acusações. Seria um prato servido frio, no tempo certo. E eu tinha todo o tempo do mundo.

Você pode gostar

Capa do romance A BABÁ DO CEO VIÚVO
8.4
Após perder a esposa em um resgate trágico, o magnata Bruce Stain ignora o próprio filho por pura dor. Ele contrata a babá Hillary Allister sem saber que ela é uma dançarina que o odeia pela destruição de seu antigo lar. Hillary busca vingança ao aceitar o cargo, mas o afeto pelo pequeno Cristopher muda tudo. Enquanto Bruce investiga a ligação entre sua tragédia pessoal e seus negócios, ele redescobre a paternidade e se rende a uma paixão inesperada.
Capa do romance A Fúria de uma Mãe: Vingança e Recomeço
8.7
No quinto aniversário de morte do pequeno Lucas, a dor de sua mãe é insultada pela frieza de Pedro. Além de trazer a ex-amante Beatriz para morar com eles, o marido descarta os pertences do filho falecido para apagar seu rastro. Beatriz é a mesma mulher que causou a tragédia na estrada anos atrás. Consumida por uma fúria renascida, a protagonista decide abandonar o luto pela sobrevivência. O corte no bolo marca o início de uma vingança implacável contra o casal.
Capa do romance A mais doce vingança da esposa do Don
7.9
Isabella foi a esposa exemplar do Don de São Paulo por quinze anos, até descobrir a traição dele com a assistente, Sofia, que está grávida. Humilhada por provocações e vídeos da amante, ela decide quebrar a regra do silêncio mafioso. Após ser subestimada pelo marido, Bella aproveita uma viagem dele para liquidar bens e esvaziar a mansão. Ela desaparece, deixando apenas os papéis do divórcio e sua aliança derretida como prova de sua vingança implacável.
Capa do romance Cativeiro de Luxo
8.4
Arina vive cercada por luxo, mas sua realidade é uma prisão dourada. Entregue aos Volkov, ela vira um peão em tramas de poder. Enquanto tenta manter sua dignidade, a jovem atrai Ivan Volkov, que oscila entre o controle e o desejo por seu espírito forte. Entre segredos sombrios e uma paixão proibida, Arina precisa decidir se aceita a submissão ou se luta pela liberdade. É uma jornada sobre ambição e redenção, onde a riqueza esconde uma face cruel.
Capa do romance Coração Ferido - Corações Insensíveis
8.7
Nicolas é um jovem milionário que busca um amor genuíno para construir uma família. Sua vida se cruza com a de Laila, uma mulher batalhadora e de temperamento forte que luta pelo bem-estar dos seus parentes. Embora a paixão tenha surgido de imediato, o destino os separou, transformando o carinho em profundo ressentimento. No segundo volume da série Corações Insensíveis, resta saber se o sentimento sobreviverá às mágoas do passado e unirá o casal novamente.
Capa do romance EU ME APAIXONEI PELO CEO ITALIANO
9.7
Sarah Stenfield vê sua vida mudar ao entrar na Styles Mengoni para realizar o sonho de ser designer. Enquanto foca na carreira, ela se vê rendida a uma paixão intensa pelo seu chefe italiano. Contudo, o ambiente corporativo logo se torna um campo de batalha emocional. A presença de Sarah desperta uma rivalidade perigosa entre os irmãos Mengoni, mergulhando a jovem em um triângulo repleto de tensões e conflitos que podem abalar seu futuro profissional.