Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance O Legado Do Alfa

O Legado Do Alfa

Derik Hale, o temido alfa de Nova Orleans, carrega o destrutivo poder do Legado. Enquanto isso, a legista Allison Morgan investiga mortes estranhas que a levam a um destino sombrio. Quando seus caminhos se cruzam, um vínculo sobrenatural e ardente surge, unindo-os contra caçadores e sombras. Agora, Rick deve controlar sua fera interior ou permitir que ela consuma Allison. Em um mundo de instintos, esse amor proibido pode ser a sentença de morte definitiva.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

O barulho da chuva sempre me acalma.

Mas naquela noite, o som parecia diferente - mais intenso, mais profundo, como se cada gota batesse no telhado para me avisar que algo estava prestes a mudar.

O necrotério estava silencioso, exceto pelo zumbido frio das luzes fluorescentes e pelo som constante do ar-condicionado. O corpo na maca diante de mim parecia... errado.

As marcas eram fundas demais, com cortes precisos demais para serem causados por qualquer animal comum.

Mas o que mais me intrigava era o formato: simétrico, quase como se alguém tivesse desenhado aquelas feridas.

- Grande canídeo - murmurou Arthur, meu colega de turno, mastigando o mesmo chiclete que usava desde as nove da noite. - Lobo, cachorro, sei lá. Eles sempre dizem isso.

Revirei os olhos.

- Isso aqui não é mordida de animal. É algo diferente... humano demais.

Arthur bufou.

- E lá vem você com suas teorias. O último corpo que disse ser "diferente" era um caso de overdose, lembra?

- Sim. Até o legista ver as marcas no pescoço e perceber que alguém drenou o sangue da mulher. - Sorri de canto, só para provocar. - A diferença é que agora ninguém vai dizer que foi um acidente.

Ele ergueu as mãos em rendição.

- Ok, ok, doutora Morgan. Continue sua análise de monstros. Só me avise quando tiver certeza de que o bicho não está por aqui, certo?

Esperei ele sair. Só então me aproximei novamente da maca.

Peguei a câmera e fotografei cada detalhe. Quando o flash acendeu, por um breve instante, juro que vi algo mover-se no reflexo do inox. Uma sombra atrás de mim.

Virei rápido.

Nada.

O silêncio ficou mais pesado. Até o ar parecia mais espesso.

Respirei fundo, tentando voltar à razão.

- Você está cansada, Allison. Só isso. - Murmurei, apertando o jaleco.

Mas, quando toquei o peito, bem no centro do esterno, um calor estranho se espalhou pela pele.

Era como se meu corpo reagisse a algo invisível - ou alguém.

O batimento acelerou. E, pela primeira vez, senti medo... e curiosidade ao mesmo tempo.

Voltei à mesa, mas o foco já tinha ido embora.

Em vez de estudar o corpo, comecei a pensar nos últimos dias - os rumores de ataques, o aumento de desaparecimentos nas redondezas da cidade antiga.

E aquele som...

Um tipo de batida no fundo da mente. Não era música. Era um ritmo, algo que vinha de dentro e de fora ao mesmo tempo.

Peguei o gravador.

- 23h47. Corpo masculino, cerca de trinta anos, marcas extensas no abdômen e ombro. Cortes formam padrão geométrico simétrico. Possível ataque ritualístico.

Parei.

A palavra "ritualístico" ficou ecoando no ar.

Por que soava tão certa?

Fechei os olhos por um segundo. O cheiro metálico do sangue se misturava ao perfume da chuva que entrava por uma janela mal fechada.

Quando abri os olhos, algo novo estava lá: um símbolo desenhado na pele do cadáver.

Não com corte. Com queimadura.

Um círculo incompleto, linhas curvas no centro, como garras tentando se unir.

Fotografei rápido.

O flash iluminou o vidro da janela, e então eu o vi.

Um homem do lado de fora.

Alto, ombros largos, encostado na parede como se fizesse parte dela. A chuva o cobria, mas ele não parecia se importar. Mesmo com o vidro e a distância, eu podia sentir o olhar dele - firme, pesado, de alguém que já viu demais.

E o mais estranho: eu não fiquei assustada.

A luz piscou. Quando olhei de novo, ele já não estava lá.

O coração martelava no peito. Tentei racionalizar. Talvez fosse alguém da polícia. Talvez fosse só um transeunte.

Mas uma parte de mim sabia que não.

Sabia que aquele olhar tinha atravessado o vidro, a sala e a minha pele.

E deixado uma marca.

O calor no peito voltou, mais forte.

Por reflexo, abri o jaleco e olhei. A pele estava vermelha, pulsando.

Um círculo leve começou a se desenhar - o mesmo símbolo que estava no corpo da maca.

Meu corpo reagia à presença dele.

Dei um passo para trás, encostando na parede fria. O símbolo desapareceu em segundos, mas a sensação não.

Como se algo tivesse despertado e agora respirasse dentro de mim.

A porta se abriu de repente. Arthur voltou, segurando um copo de café.

- Está tudo bem? - perguntou. - Você está pálida.

Engoli seco.

- Só cansada. - Peguei a prancheta e fingi anotar algo. - Já está quase na hora de encerrar o turno.

Ele assentiu, distraído, e saiu de novo.

Sozinha, olhei para a janela mais uma vez.

O vidro mostrava apenas meu reflexo, mas a chuva criava distorções, e, entre uma gota e outra, achei ver dois reflexos por um instante.

O meu - e o dele.

Um trovão cortou o céu. As luzes piscaram. O gerador demorou um segundo a responder, e nesse segundo, a sala inteira mergulhou no escuro.

No breu, ouvi um som baixo - não vindo da porta, mas de dentro da parede, ou talvez... de mim mesma.

Um rugido.

Quando a luz voltou, o corpo na maca estava imóvel, mas as pupilas estavam dilatadas, como se tivessem acabado de ver o próprio inferno.

Toquei o símbolo na pele morta e senti calor.

Um corpo morto não deveria ter calor.

Recuei. Peguei o celular, tirei uma foto, e ao olhar a imagem, o símbolo parecia brilhar em azul na tela.

Não piscava. Brilhava.

Abaixei o aparelho, tremendo. O símbolo, ao vivo, estava apagado.

Na foto, ardia como fogo.

Meu telefone vibrou. Uma mensagem de número desconhecido:

"O que você viu esta noite vai te escolher."

Deixei o celular cair.

A janela bateu com o vento.

E lá fora, por um segundo, aquele homem estava de volta, debaixo da chuva, o olhar fixo em mim.

E então, o mundo pareceu parar.

Você pode gostar

Capa do romance A Escrava Do Rei Dragão
8.7
Aya vive como escrava até ser capturada por Kian, o temido Dragão Negro. Surpreendentemente, ela descobre ser a companheira destinada do soberano. A transição de prisioneira a rainha dos dragões é dificultada por traumas do passado e o medo de seus próprios poderes ocultos. Enquanto o romance floresce, a notícia sobre sua existência atrai reis rivais com intenções perversas, dispostos a explorar os segredos sombrios que ela carrega consigo.
Capa do romance A filha da Alfa
8.0
Como herdeira de um clã, uma jovem loba deve se casar com um Alfa para garantir a paz entre as matilhas rivais. No entanto, seu destino muda ao se apaixonar por um lobo selvagem, que carrega a maldição de ser humano. Agora, ela está dividida entre a lealdade ao seu povo e um amor proibido que pode desencadear uma guerra. Entre o dever e o coração, ela precisará decidir se segue as tradições ou se arrisca tudo por uma paixão secreta.
Capa do romance Cicatrizes de Um Passado
8.9
Traída por Marina e forçada a doar órgãos para salvar Luiza, Gabriela enfrenta a morte em uma cela fria. Contudo, ela desperta misteriosamente no passado, no dia exato em que seu martírio começou. Sem as cicatrizes da servidão e com o coração blindado contra o amor que a destruiu, ela percebe que recebeu uma nova chance. Agora, a mulher ingênua dá lugar a uma estrategista implacável. Gabriela usará cada segredo para executar sua vingança e destruir quem a usou.
Capa do romance De Tolo a Justiceiro
9.5
Ricardo, um arquiteto que se sacrificou no exterior para sustentar Sofia, retorna e descobre que foi traído. Ela e seu amante, Pedro, usaram o dinheiro dele para luxo, tratando-o como um tolo. Durante um evento em Paris, o protagonista enfrenta mentiras e acusações de assédio orquestradas por Sofia e seu mentor. Agora, ele abandona a ingenuidade para buscar justiça, decidido a retomar tudo o que lhe foi roubado e destruir o império de quem o explorou.
Capa do romance Do Ômega Rejeitado ao Lobo Branco Supremo
8.6
Elena agoniza envenenada enquanto seu parceiro, o Alfa Caleb, a despreza para favorecer a vilã Lídia. Rejeitada e morta após dez anos de abusos, a protagonista descobre no pós-morte sua verdadeira linhagem: ela é a lendária Loba Branca. Diante da Deusa da Lua, Elena recusa o descanso eterno e escolhe retornar à vida. Agora, desperta e poderosa, ela não busca o perdão de Caleb, mas sim uma vingança implacável contra todos que a traíram no passado.
Capa do romance Pertenço ao CEO
8.8
Emilia Monti vive sob o peso da culpa e das dívidas de seu irmão, até ser vendida pela própria mãe para quitar débitos com a máfia. Em um leilão clandestino, seu destino cruza com o de Ruyman Bencomo, um CEO avesso a compromissos que se vê forçado pela família a casar. Ao ver a jovem como a cativa Andrômeda, ele arremata sua liberdade. Agora, ambos devem conviver por oito anos, enfrentando uma atração irresistível e inimigos perigosos que não aceitam sua perda.