Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance O JUIZ - O Tio do Meu Filho

O JUIZ - O Tio do Meu Filho

Maria Silva tenta esquecer seu passado traumático, mas o velório do homem que a feriu muda tudo. Lá, ela encontra Bruno de Alcântara e Leão, um juiz implacável e idêntico ao falecido. Convencido de que Maria é uma cúmplice do assassino de seu irmão, Bruno inicia uma caçada obsessiva para desmascará-la. Enquanto ele busca vingança e ela tenta se proteger, um segredo oculto revela uma conexão profunda entre os dois, forçando-os a encarar verdades perigosas.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 1

O JUIZ - Tio do Meu Filho

Capítulo 1

Eu sou mais uma Maria na multidão, aquela que não deu certo na vida. Assim como tantas outras, vou levando, dia após dia, matando um, dois, três leões por dia. Tento ser mãe, provedora, trabalhadora, mas o mundo parece sempre estar contra mim. Eu sou apenas mais uma Maria lutando para sobreviver no cruel mundo dos humanos.

****

**Maria Silva**

"Até mais, meninas. Bom descanso." Deixei o trabalho aliviada por ter sobrevivido a mais uma noite na boate.

Os saltos altos e a minissaia de couro, que eu era obrigada a usar, pareciam instrumentos de tortura. Cada passo doía, cada movimento parecia exibir uma ferida que eu escondia. Quando finalmente troquei aqueles sapatos desconfortáveis pelos meus velhos tênis de guerra, senti um alívio imediato. Estava livre, ainda que por algumas horas.

"Cansada... Como estou cansada," murmurei para mim mesma enquanto caminhava até o ponto de ônibus.

O ônibus estava lotado como de costume, repleto de trabalhadores que, assim como eu, lutavam para manter a cabeça fora d'água. O veículo sacolejava pelas ruas esburacadas da cidade, jogando meu corpo para frente e para trás. Consegui um pequeno espaço para me equilibrar enquanto os passageiros ao meu redor se amontoavam.

Em meio à confusão, o ônibus parou bruscamente, e os passageiros começaram a murmurar. Do lado de fora, carros pretos escoltados por motos da polícia passavam rapidamente, suas sirenes cortando o ar da manhã. Uma senhora ao meu lado assistia a um noticiário em volume alto no celular, e eu não pude evitar ouvir.

"Delegado Matheus de Alcântara e Leão, brutalmente assassinado..."

Aquelas palavras fizeram meu coração parar por um momento. Uma onda de frio percorreu minha espinha. A mulher ao meu lado virou-se para mim, o rosto refletindo choque e curiosidade. E o pior de tudo, eu não sabia porque estava sentindo aquilo.

"Você viu isso?" perguntou ela, com os olhos arregalados. "Mataram o filho de um magnata, ele era delegado. Coisa do morro, dizem."

Engoli em seco, tentando disfarçar meu nervosismo. "É uma pena," respondi, com a voz vacilante. "Parece que vivemos em uma guerra constante."

"Todo dia morrem pessoas no morro," continuou ela, balançando a cabeça, "mas como dessa vez é um homem rico, de família influente, vai ser notícia o dia todo."

"Se fosse um pobre como nós, nem mencionariam," outra senhora no ônibus comentou, os olhos fixos na tela do celular.

"Essa é minha parada," eu disse rapidamente, aliviada por escapar daquela conversa. "Bom dia pra vocês." Apressada, desci do ônibus.

Quando cheguei em casa, já estava exausta. Os dois quarteirões que caminhei da parada de ônibus até a periferia onde moro pareciam mais longos a cada dia. Cumprimentei rapidamente os vizinhos que estavam na rua, ansiosa por encontrar algum descanso. Minha madrinha, como sempre, estava sentada no sofá, esperando por mim, assim que abri a porta de casa.

"Bom dia, filha. Como foi o trabalho?" perguntou ela, sorrindo.

"Bom dia, madrinha. Tudo tranquilo," respondi, forçando um sorriso.

Ela acreditava que eu trabalhava como camareira em um hotel. Não tive coragem de contar a verdade. Afinal, como explicar que trabalho em uma boate, servindo bebidas para homens que só enxergam um pedaço de carne? Não queria desapontá-la ou fazê-la se preocupar comigo.

Depois de trocar algumas palavras, fui até o quarto onde meu pequeno anjo dormia. Inclinei-me sobre ele e beijei sua testa, e acariciei seu cabelo negro.

"Deus te abençoe," sussurrei.

De volta à sala, sentei-me ao lado da madrinha no velho sofá vermelho. O noticiário ainda passava, e os repórteres falavam incessantemente sobre o assassinato do delegado.

"Só se fala disso na televisão, hoje" comentou minha madrinha, balançando a cabeça.

"É... No ônibus também não se falava de outra coisa," respondi, tentando parecer desinteressada. "Dizem que é filho de um ricaço, por isso virou notícia."

Quando a imagem do delegado assassinado apareceu na tela, o ar sumiu dos meus pulmões. Meu coração disparou, e uma sensação de pavor tomou conta de mim. Era ele. Não havia como negar. O homem que havia destruído minha vida agora estava morto, com seu rosto estampado em todas as manchetes.

Tentei controlar o pânico que ameaçava tomar conta de mim. Aquele rosto... Eu nunca poderia esquecê-lo. Ele mentiu sobre quem era, me enganou, e agora estava morto. Não sabia se sentia alívio ou desespero. Talvez um pouco de ambos.

Com as mãos trêmulas, peguei o telefone e comecei a procurar informações sobre o velório. Eu precisava ver com meus próprios olhos, confirmar que aquele homem realmente estava morto. Nunca soube seu nome completo até aquele momento, mas agora que sabia, algo dentro de mim gritava que eu precisava estar lá. Como eu queria contar a ele.

"Eu preciso sair, madrinha. Cuida do anjinho pra mim," disse, já pegando minha bolsa e saindo apressada.

"Mas você acabou de chegar, menina..." nem olhei para trás, estava tão atordoada.

Peguei um carro de aplicativo e, enquanto o motorista me levava até o cemitério, minha mente estava a mil. Imagens do passado invadiam minha cabeça, me torturando com lembranças que eu preferia esquecer.

Quando o carro finalmente parou na frente do cemitério, desci com o coração na boca. A visão do portão, cercado por jornalistas e curiosos, me fez hesitar por um segundo. Eu sabia que entrar ali não seria fácil.

Três carros pretos e luxuosos chegaram logo atrás de mim, e o portão foi aberto para permitir a entrada dos veículos. Os seguranças estavam ocupados tentando conter a multidão. Era minha chance.

Com passos rápidos e calculados, me misturei à confusão. Passei despercebida pelos seguranças enquanto eles lidavam com os jornalistas. Dentro do cemitério, me escondi atrás de um dos carros que havia acabado de chegar, tentando acalmar minha respiração.

A capela estava à minha frente. Respirei fundo e, com o coração acelerado, segui em direção às portas. A tensão no ar era palpável, e os sussurros das pessoas ao redor só aumentavam meu nervosismo. Quando finalmente entrei, o ambiente parecia ainda mais sufocante.

Caminhei lentamente até o caixão, cada passo me aproximando da verdade que eu tanto temia. Quando o vi, deitado ali, com uma expressão serena que contrastava com tudo o que ele havia feito, senti uma onda de emoções me dominar. Lágrimas encheram meus olhos.

"Meu Deus," sussurrei, sentindo um nó se formar em minha garganta. "Eu não queria que isso tivesse acontecido."

De repente, uma mão firme segurou meu braço, e uma voz fria sussurrou em meu ouvido: "Quem é você? E o que está fazendo aqui?"

Levantei o olhar, ainda com lágrimas nos olhos, e o choque me paralisou. O homem que estava diante de mim era uma cópia exata do que estava no caixão. Parecia que eu estava vendo um fantasma. Se aquele homem soubesse do meu segredo eu estaria arruinada para sempre, poderiam me tirar tudo que mais amo na vida. Eu precisava fugir.

Você pode gostar

Capa do romance A Ex do CEO: Um Recomeço Inevitável
9.7
Kevin rejeitou Justine de forma cruel, abandonando-a grávida após acreditar em mentiras. Sete anos depois, o destino os une novamente em uma situação desesperadora: o pequeno Bryan está hospitalizado em estado grave. A única chance de cura para o menino depende do sangue do pai que o renegou no passado. Agora, o CEO precisa enfrentar as consequências de seus atos e decidir se salvará o próprio herdeiro antes que o tempo se esgote para a criança.
Capa do romance A graça do meu  amor
7.9
Gabriela sempre buscou ser útil para compensar a solidão e criar laços com os outros. No entanto, ao tentar auxiliar uma amiga, ela acaba casada, sem perceber, com o homem que sempre amou. O grande problema é que, para ele, ela é uma completa desconhecida sem qualquer importância. Agora, essa mulher generosa enfrentará o desafio de sair do anonimato e lutar para conquistar o coração do seu marido. Será que ela conseguirá transformar esse desprezo em amor?
Capa do romance A Rainha e a Usurpadora
8.7
Isabela Durán lidera com punho de ferro a Durán Global, gigante do mercado imobiliário. Sua soberania é posta à prova quando Valeria Cruz, uma empresária audaciosa, surge com táticas agressivas para derrubá-la. Em meio a litígios e confrontos públicos, a rivalidade profissional desperta uma atração proibida. Elas percebem que, no topo, apenas a maior rival as entende. Agora, devem decidir entre o domínio total ou a paixão que ameaça arruinar tudo.
Capa do romance Amor Envenenado, Justiça Amarga
9.6
Após quarenta anos de dedicação, minha mãe foi envenenada por Keila Diniz. No tribunal, meu marido e renomado advogado, Gustavo Guedes, defendeu a criminosa, manipulando a verdade para absolvê-la. Diante da injustiça e das ameaças dele de manchar a memória da vítima, fui humilhada. Ao assinar o divórcio, percebi que ele sacrificou minha família por ambição. Agora, planejo meu desaparecimento para iniciar uma vingança implacável contra aqueles que me destruíram.
Capa do romance O Assistente
8.9
Após insultar Wes Reynolds, o único gênio em estatística do campus, me vejo forçada a implorar por sua ajuda. Eu o via apenas como um atleta arrogante e preguiçoso, mas ele esconde uma inteligência brilhante. Enquanto Wes tenta afastar minha persistência, ele acaba distraído por uma atração inesperada. O que começou como um suporte acadêmico entre uma garota determinada e um jogador cético se torna o semestre que transformará nossas vidas para sempre.
Capa do romance O Dia em que Desapareci
8.3
Diagnosticada com câncer terminal, Amanda Rezende aceita a morte como punição pela perda de sua amiga Lívia. Sob o jugo cruel de Heitor, irmão da falecida, ela suporta humilhações extremas para expiar sua culpa. Após tentar o fim definitivo na Ponte Rio-Niterói, Amanda sobrevive com uma identidade secreta. Enquanto Heitor mergulha na loucura acreditando na perda dela, o destino prepara um reencontro que testará os limites entre ódio e redenção.