Capa do romance O JUIZ - O Tio do Meu Filho

O JUIZ - O Tio do Meu Filho

9.0 / 10.0
Maria Silva tenta esquecer seu passado traumático, mas o velório do homem que a feriu muda tudo. Lá, ela encontra Bruno de Alcântara e Leão, um juiz implacável e idêntico ao falecido. Convencido de que Maria é uma cúmplice do assassino de seu irmão, Bruno inicia uma caçada obsessiva para desmascará-la. Enquanto ele busca vingança e ela tenta se proteger, um segredo oculto revela uma conexão profunda entre os dois, forçando-os a encarar verdades perigosas.

O JUIZ - O Tio do Meu Filho Capítulo 1

O JUIZ - Tio do Meu Filho

Capítulo 1

Eu sou mais uma Maria na multidão, aquela que não deu certo na vida. Assim como tantas outras, vou levando, dia após dia, matando um, dois, três leões por dia. Tento ser mãe, provedora, trabalhadora, mas o mundo parece sempre estar contra mim. Eu sou apenas mais uma Maria lutando para sobreviver no cruel mundo dos humanos.

****

**Maria Silva**

"Até mais, meninas. Bom descanso." Deixei o trabalho aliviada por ter sobrevivido a mais uma noite na boate.

Os saltos altos e a minissaia de couro, que eu era obrigada a usar, pareciam instrumentos de tortura. Cada passo doía, cada movimento parecia exibir uma ferida que eu escondia. Quando finalmente troquei aqueles sapatos desconfortáveis pelos meus velhos tênis de guerra, senti um alívio imediato. Estava livre, ainda que por algumas horas.

"Cansada... Como estou cansada," murmurei para mim mesma enquanto caminhava até o ponto de ônibus.

O ônibus estava lotado como de costume, repleto de trabalhadores que, assim como eu, lutavam para manter a cabeça fora d'água. O veículo sacolejava pelas ruas esburacadas da cidade, jogando meu corpo para frente e para trás. Consegui um pequeno espaço para me equilibrar enquanto os passageiros ao meu redor se amontoavam.

Em meio à confusão, o ônibus parou bruscamente, e os passageiros começaram a murmurar. Do lado de fora, carros pretos escoltados por motos da polícia passavam rapidamente, suas sirenes cortando o ar da manhã. Uma senhora ao meu lado assistia a um noticiário em volume alto no celular, e eu não pude evitar ouvir.

"Delegado Matheus de Alcântara e Leão, brutalmente assassinado..."

Aquelas palavras fizeram meu coração parar por um momento. Uma onda de frio percorreu minha espinha. A mulher ao meu lado virou-se para mim, o rosto refletindo choque e curiosidade. E o pior de tudo, eu não sabia porque estava sentindo aquilo.

"Você viu isso?" perguntou ela, com os olhos arregalados. "Mataram o filho de um magnata, ele era delegado. Coisa do morro, dizem."

Engoli em seco, tentando disfarçar meu nervosismo. "É uma pena," respondi, com a voz vacilante. "Parece que vivemos em uma guerra constante."

"Todo dia morrem pessoas no morro," continuou ela, balançando a cabeça, "mas como dessa vez é um homem rico, de família influente, vai ser notícia o dia todo."

"Se fosse um pobre como nós, nem mencionariam," outra senhora no ônibus comentou, os olhos fixos na tela do celular.

"Essa é minha parada," eu disse rapidamente, aliviada por escapar daquela conversa. "Bom dia pra vocês." Apressada, desci do ônibus.

Quando cheguei em casa, já estava exausta. Os dois quarteirões que caminhei da parada de ônibus até a periferia onde moro pareciam mais longos a cada dia. Cumprimentei rapidamente os vizinhos que estavam na rua, ansiosa por encontrar algum descanso. Minha madrinha, como sempre, estava sentada no sofá, esperando por mim, assim que abri a porta de casa.

"Bom dia, filha. Como foi o trabalho?" perguntou ela, sorrindo.

"Bom dia, madrinha. Tudo tranquilo," respondi, forçando um sorriso.

Ela acreditava que eu trabalhava como camareira em um hotel. Não tive coragem de contar a verdade. Afinal, como explicar que trabalho em uma boate, servindo bebidas para homens que só enxergam um pedaço de carne? Não queria desapontá-la ou fazê-la se preocupar comigo.

Depois de trocar algumas palavras, fui até o quarto onde meu pequeno anjo dormia. Inclinei-me sobre ele e beijei sua testa, e acariciei seu cabelo negro.

"Deus te abençoe," sussurrei.

De volta à sala, sentei-me ao lado da madrinha no velho sofá vermelho. O noticiário ainda passava, e os repórteres falavam incessantemente sobre o assassinato do delegado.

"Só se fala disso na televisão, hoje" comentou minha madrinha, balançando a cabeça.

"É... No ônibus também não se falava de outra coisa," respondi, tentando parecer desinteressada. "Dizem que é filho de um ricaço, por isso virou notícia."

Quando a imagem do delegado assassinado apareceu na tela, o ar sumiu dos meus pulmões. Meu coração disparou, e uma sensação de pavor tomou conta de mim. Era ele. Não havia como negar. O homem que havia destruído minha vida agora estava morto, com seu rosto estampado em todas as manchetes.

Tentei controlar o pânico que ameaçava tomar conta de mim. Aquele rosto... Eu nunca poderia esquecê-lo. Ele mentiu sobre quem era, me enganou, e agora estava morto. Não sabia se sentia alívio ou desespero. Talvez um pouco de ambos.

Com as mãos trêmulas, peguei o telefone e comecei a procurar informações sobre o velório. Eu precisava ver com meus próprios olhos, confirmar que aquele homem realmente estava morto. Nunca soube seu nome completo até aquele momento, mas agora que sabia, algo dentro de mim gritava que eu precisava estar lá. Como eu queria contar a ele.

"Eu preciso sair, madrinha. Cuida do anjinho pra mim," disse, já pegando minha bolsa e saindo apressada.

"Mas você acabou de chegar, menina..." nem olhei para trás, estava tão atordoada.

Peguei um carro de aplicativo e, enquanto o motorista me levava até o cemitério, minha mente estava a mil. Imagens do passado invadiam minha cabeça, me torturando com lembranças que eu preferia esquecer.

Quando o carro finalmente parou na frente do cemitério, desci com o coração na boca. A visão do portão, cercado por jornalistas e curiosos, me fez hesitar por um segundo. Eu sabia que entrar ali não seria fácil.

Três carros pretos e luxuosos chegaram logo atrás de mim, e o portão foi aberto para permitir a entrada dos veículos. Os seguranças estavam ocupados tentando conter a multidão. Era minha chance.

Com passos rápidos e calculados, me misturei à confusão. Passei despercebida pelos seguranças enquanto eles lidavam com os jornalistas. Dentro do cemitério, me escondi atrás de um dos carros que havia acabado de chegar, tentando acalmar minha respiração.

A capela estava à minha frente. Respirei fundo e, com o coração acelerado, segui em direção às portas. A tensão no ar era palpável, e os sussurros das pessoas ao redor só aumentavam meu nervosismo. Quando finalmente entrei, o ambiente parecia ainda mais sufocante.

Caminhei lentamente até o caixão, cada passo me aproximando da verdade que eu tanto temia. Quando o vi, deitado ali, com uma expressão serena que contrastava com tudo o que ele havia feito, senti uma onda de emoções me dominar. Lágrimas encheram meus olhos.

"Meu Deus," sussurrei, sentindo um nó se formar em minha garganta. "Eu não queria que isso tivesse acontecido."

De repente, uma mão firme segurou meu braço, e uma voz fria sussurrou em meu ouvido: "Quem é você? E o que está fazendo aqui?"

Levantei o olhar, ainda com lágrimas nos olhos, e o choque me paralisou. O homem que estava diante de mim era uma cópia exata do que estava no caixão. Parecia que eu estava vendo um fantasma. Se aquele homem soubesse do meu segredo eu estaria arruinada para sempre, poderiam me tirar tudo que mais amo na vida. Eu precisava fugir.

Continue Lendo

O JUIZ - O Tio do Meu Filho de Conteúdos

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Romances Recém-Lançados

Capa do romance A Herdeira Oculta
9.8
Sofia vê seu mundo ruir quando o noivo, Pedro, revela que engravidou a chefe, Juliana, por puro interesse financeiro. Expulsa de casa e humilhada pela amante, a assistente administrativa é tratada como uma órfã insignificante. No entanto, eles ignoram seu maior segredo: ela é a herdeira do império Luxus Group. Cansada da traição e das falsas acusações, Sofia decide abandonar a simplicidade para assumir seu poder e destruir aqueles que a subestimaram.
Capa do romance Casualidades da vida
9.2
Após perder a mãe adotiva, Cassandra Hall invade a mansão do bilionário Isaac Jhonson. Capturada, ela enfrenta um dilema: a prisão ou ser babá do filho dele. Pietro, a criança, encanta-se por ela imediatamente, forçando-a a aceitar o contrato. O que começou como um erro desesperado transforma-se em uma jornada de amadurecimento e descobertas. Entre o dever e o amor, essa órfã perdida encontrará na família de Isaac a felicidade que o destino sempre lhe negou.
Capa do romance Cinco Anos, Um Voto Forjado
9.8
Dediquei cinco anos ao império de Bruno, mas ele me descartou por Cristal, seu antigo amor. Em uma tempestade, gatilho do meu trauma, ele me abandonou para socorrê-la. Após quase sofrer um ataque e descobrir que ele nunca registrou nosso casamento legalmente, percebi que era apenas um estepe. Sem brigas, destruí o documento falso e parti para sempre. Agora que ele implora de joelhos pelo meu perdão, já é tarde demais para qualquer reconciliação.
Capa do romance Contrato de Amor: Se Eu Tivesse Seu Amor
8.9
Melissa aceitou um casamento por contrato com Charles para evitar a ruína financeira da empresa de seu pai. No entanto, a união trouxe apenas desprezo e rivais cruéis. Em meio à dor, o afeto dele tornou-se sua única salvação, envolvendo-a em beijos e carinhos que pareciam um sonho perfeito. Ela deseja que essa felicidade dure para sempre, mas o destino reserva reviravoltas inesperadas. Será que esse amor resistirá aos desafios que ainda estão por vir?
Capa do romance É tão errado estar apaixonado pelo meu irmão adotivo
8.7
Após sete anos de um amor unilateral e doloroso, a herdeira Rosalyn Wright decide colocar um fim em seu casamento. Ela entra em contato com o pai, admitindo que ele estava certo sobre a infelicidade de sua união com Saul, seu irmão adotivo. Após romper laços familiares por essa paixão, um acesso de fúria do marido revela a falta de afeto dele, destruindo as ilusões de Rosalyn. Agora, ela planeja o divórcio para retornar ao lar e assumir o império da família.
Capa do romance Forçada a Casar
8.7
Traída pelo noivo com a própria meia-irmã, Sandra decide afogar suas mágoas em uma noite intensa com Levi. O que ele julgava ser apenas um encontro casual se transforma em algo sério quando ela ressurge com uma proposta de casamento por contrato. Em busca de vingança, ela aceita a fama de playboy dele, focando apenas em seus planos. Sandra acredita dominar a situação, mas Levi usará todos os seus truques para conquistar seu coração e derrubar suas barreiras.
Capítulos
Leia agora
Compartilhar