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Capa do romance O Jogo do Bilionário Disfarçado

O Jogo do Bilionário Disfarçado

Forçada a um evento de elite, conheci Lucas, um homem atraente que parecia humilde. Convidei-o para morar comigo, mas meu mundo ruiu ao ser deserdada e perder tudo. Descobri então que Lucas comprou meu imóvel e é, na verdade, o herdeiro do Grupo Valente. Após ele me salvar de um ataque brutal, entendi que ambos buscávamos algo real além das aparências. Agora, entre segredos revelados e um novo recomeço, resta saber se nosso amor sobreviverá à verdade.
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Capítulo 2

Eu odeio festas. Especialmente festas de gente rica e metida a besta. Mas minha melhor amiga, a Bia, insistiu que eu viesse, dizendo que eu precisava "ver gente" e parar de me esconder no meu apartamento minúsculo. O que ela não sabe é que eu amo meu apartamento minúsculo justamente por ser um esconderijo, um refúgio da minha vida real, a vida de Helena Sampaio, herdeira de um império que eu não pedi e que, na maioria das vezes, desprezo.

Aqui, na universidade, eu sou apenas a Helena. Uma garota normal, com roupas de segunda mão e que conta moedas para o almoço. E eu amo essa normalidade.

"Helena, você está me ouvindo?"

A voz irritante de Ricardo me tira dos meus pensamentos. Ele é o típico riquinho da faculdade, carro do ano, roupas de marca e um cérebro do tamanho de uma ervilha. Ele me persegue há meses.

"Não, Ricardo. E, sinceramente, não faço questão."

Ele sorri, um sorriso que ele deve ter treinado no espelho, achando que é charmoso.

"Sempre tão arisca. Sabe, Helena, eu poderia mudar sua vida. Esse seu vestido parece... cansado. Eu poderia te comprar um novo. Vários, na verdade."

Eu olho para o meu vestido florido, que comprei por vinte reais num brechó. Ele está longe de ser novo, mas eu gosto dele.

"E por que eu iria querer isso?"

"Toda mulher quer", ele diz, como se fosse a verdade universal. "Você se faz de difícil, mas eu sei que no fundo você adoraria andar no meu carro, jantar nos lugares que eu frequento."

Eu dou uma risada curta, sem humor.

"Ricardo, a única coisa que eu adoraria no momento é que você fosse para bem longe de mim. Sua companhia é mais cansativa que o meu vestido."

Viro as costas para ele, deixando-o com sua cara de idiota, e vou em direção ao bar improvisado no canto do salão. Preciso de uma bebida. Enquanto espero, meus olhos passeiam pelo lugar, e é aí que eu o vejo.

Ele está encostado numa parede, longe da multidão, como se também não pertencesse àquele lugar. Alto, com ombros largos que se destacam mesmo sob uma camisa simples e escura. O cabelo preto está meio bagunçado, e a expressão dele é de tédio puro. Ele segura um copo de plástico, e o jeito que seus dedos longos o envolvem me causa um arrepio estranho.

Mas o que me chama a atenção é o contraste. Ele é, de longe, o homem mais bonito da festa, mas suas roupas gritam "não tenho dinheiro". A calça jeans é gasta, os tênis estão visivelmente velhos. Ele parece um deus grego que foi assaltado e deixado apenas com a roupa do corpo. Uma combinação fascinante de beleza e pobreza. E, para completar, ele exala uma arrogância que não combina em nada com sua aparência "humilde".

Eu fico hipnotizada.

Esqueço o Ricardo, a festa, a bebida. Meu novo projeto de vida está a dez metros de distância. Decido que preciso dele. Sem pensar duas vezes, pego meu copo e caminho na direção dele, com a confiança que o dinheiro me deu, mas que eu aprendi a usar de outras formas.

"Você parece tão entediado quanto eu", digo, parando na sua frente.

Ele levanta os olhos, e por um segundo fico sem ar. São de um azul profundo, quase cinza, e me analisam de cima a baixo com uma lentidão calculada. Um sorrisinho de canto aparece em seus lábios.

"E você parece o tipo de garota que causa problemas."

A voz dele é grave, rouca. Gosto disso.

"Talvez eu seja. E você? Qual o seu tipo?"

"O tipo que fica longe de problemas."

"Que pena", eu digo, me aproximando um pouco mais. "Porque eu acho que nós dois juntos seríamos um problema delicioso."

Ele ri, uma risada baixa que vibra no peito.

"Você é bem direta, não é?"

"A vida é curta demais para rodeios. Meu nome é Helena. E o seu?"

Ele hesita por um momento, como se estivesse decidindo se vale a pena me dar essa informação.

"Lucas."

"Lucas", eu repito, testando o nome na minha língua. "Então, Lucas, o que um cara como você faz num lugar como este?"

"Um amigo me arrastou pra cá. Arrependimento profundo."

"Eu também. Mas agora acho que a noite pode melhorar."

Eu o encaro diretamente, sem desviar o olhar. Ele sustenta o meu, e a tensão entre nós é quase palpável. Eu observo os detalhes dele. A camisa, apesar de simples, é de um tecido bom, mas tem um pequeno remendo quase invisível perto da gola. O relógio no pulso dele é um modelo barato, digital, daqueles que se compra em qualquer camelô. Ele é claramente um cara que se esforça para manter as aparências, um vaidoso que não tem como bancar a própria vaidade. Perfeito.

Ele é o meu tipo de desafio. Um homem lindo, orgulhoso e, aparentemente, quebrado. Vou me divertir muito "consertando" ele. Ou melhor, fazendo ele se acostumar com as coisas boas da vida. As minhas coisas.

"Então, o que você sugere para melhorar a noite?", ele pergunta, o tom de voz com um toque de desafio.

Um plano começa a se formar na minha cabeça. Um plano ousado, divertido e que me coloca totalmente no controle.

"Eu sugiro que a gente saia daqui. Agora."

Ele ergue uma sobrancelha.

"E pra onde a gente iria?"

"Para um lugar mais interessante", eu digo, com um sorriso que promete tudo e não entrega nada. "Confia em mim."

Ele me olha por mais um instante, uma batalha silenciosa acontecendo naqueles olhos azuis. Por fim, ele dá de ombros.

"Certo. Por que não? Pior do que está não fica."

Eu sorrio, vitoriosa. O primeiro passo foi dado. Lucas ainda não sabe, mas ele acabou de entrar no meu jogo. E eu sempre venço.

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