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O Jogo do Bilionário Disfarçado

Forçada a um evento de elite, conheci Lucas, um homem atraente que parecia humilde. Convidei-o para morar comigo, mas meu mundo ruiu ao ser deserdada e perder tudo. Descobri então que Lucas comprou meu imóvel e é, na verdade, o herdeiro do Grupo Valente. Após ele me salvar de um ataque brutal, entendi que ambos buscávamos algo real além das aparências. Agora, entre segredos revelados e um novo recomeço, resta saber se nosso amor sobreviverá à verdade.
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Capítulo 3

Dois dias depois, meu plano entra em ação. Descobri, através de uma "coincidência" muito bem planejada com a ajuda da Bia, que Lucas estava procurando um lugar para morar. O apartamento onde ele estava teve um problema de encanamento e ele precisava sair com urgência. A sorte, ou melhor, a minha habilidade de manipulação, sorriu para mim.

Eu sou dona de um prédio pequeno e charmoso num bairro bom, um dos meus primeiros investimentos "secretos". Um dos apartamentos ficou vago na semana passada. É perfeito. Pequeno o suficiente para não levantar suspeitas, mas confortável o bastante para ser uma bela atualização na vida dele.

Eu ligo para ele, usando um número diferente, fingindo ser a corretora de imóveis.

"Alô, Lucas? Meu nome é Sônia. Uma amiga em comum, a Bia, me disse que você está procurando um apartamento. Tenho uma ótima oportunidade, acabou de vagar."

Ele soa desconfiado do outro lado da linha.

"Apartamento? Onde?"

"No bairro Vila Madalena. Um lugar ótimo, aluguel super em conta. O proprietário está mais interessado em ter um bom inquilino do que em ganhar dinheiro."

Isso era tecnicamente verdade. O proprietário, eu, estava muito interessada em um inquilino específico.

"Parece bom demais pra ser verdade", ele diz.

"Venha ver. Sem compromisso. Hoje à tarde, às três?"

Ele concorda, ainda hesitante. Às três em ponto, eu estou no apartamento, esperando. Não como Helena Sampaio, a dona do prédio, mas como Helena, a colega de faculdade que "por acaso" está ajudando a "corretora" a mostrar o imóvel.

A campainha toca. Eu respiro fundo e abro a porta com meu melhor sorriso de "que coincidência!".

"Lucas! O que você está fazendo aqui?"

Ele me olha, surpreso, e depois uma ponta de desconfiança cruza seu rosto.

"Helena? Eu vim ver um apartamento. A corretora, Sônia..."

"Ah, a Sônia! Ela é uma... conhecida da minha família. Pedi pra ela me avisar quando algo bom aparecesse. Eu também estou procurando um lugar", minto descaradamente. "Parece que somos concorrentes."

Ele relaxa um pouco. A mentira parece ter colado.

"Que mundo pequeno."

"Pequeno mesmo. Entra aí."

Ele entra e olha ao redor. O apartamento é um estúdio, mas bem dividido, com uma varanda com vista para as árvores. Está mobiliado com peças simples, mas de bom gosto.

"É... legal", ele admite, parecendo impressionado.

"Legal? É perfeito! E o aluguel é uma barganha. Sabe, eu tive uma ideia. Já que nós dois queremos, por que não dividimos? Reduziria ainda mais os custos."

Ele me encara, os olhos azuis se estreitando.

"Dividir o apartamento? Com você?"

"Por que não? Somos adultos. E eu não mordo. A menos que você peça."

Um fantasma de sorriso brinca nos lábios dele.

"Você não perde uma oportunidade, não é?"

"Nunca. Então, o que me diz? Topa ser meu colega de quarto?"

Ele pensa por um longo momento. Eu vejo o cálculo em seu rosto. A oportunidade de morar num lugar bom por um preço baixo era tentadora demais para um cara como ele.

"Certo. Mas com regras. Nada de festa, nada de bagunça."

"Combinado", eu digo, estendendo a mão. "Temos um acordo, colega de quarto."

Ele aperta minha mão. A pele dele é quente e firme. A corrente elétrica que passa entre nós é inegável.

Uma semana depois, estamos morando juntos. A "corretora Sônia" convenientemente desapareceu, e eu cuidei de toda a "burocracia". Na prática, eu só transferi dinheiro de uma conta minha para outra.

Na primeira noite como "colegas de quarto", eu decido testar os limites. Ele está na pequena cozinha, preparando algo para comer. Eu chego por trás, vestindo apenas uma camiseta grande e velha que mal cobre minhas coxas.

"O que você está fazendo?", pergunto, minha voz um sussurro perto de seu ouvido.

Ele se enrijece.

"Jantar."

"Sabe, Lucas, como seu colega de quarto e, tecnicamente, quem te colocou aqui, eu acho que tenho direito a algumas regalias."

Ele se vira lentamente para me encarar. Seus olhos descem pelo meu corpo, demorando-se nas minhas pernas expostas, e depois sobem de volta para o meu rosto.

"Que tipo de regalias?"

"Regras de vestimenta", eu digo, com a maior naturalidade do mundo. "Eu acho que você ficaria muito bem de bermuda. E sem camisa. Principalmente sem camisa. Faz calor neste apartamento, você não acha?"

Ele me olha, uma mistura de incredulidade e diversão no rosto.

"Você está me dizendo como eu devo me vestir na minha própria casa?"

"Nossa casa", eu corrijo. "E sim, estou. É uma sugestão para o bem-estar geral dos moradores. Ou seja, o meu."

Ele ri, balançando a cabeça.

"Você é inacreditável."

"Eu sei. Então, vamos ver esses músculos ou vou ter que continuar imaginando?"

Para minha surpresa, ele não discute. Ele lentamente puxa a camisa para fora da calça e a tira por cima da cabeça. E meu queixo quase cai. Eu esperava que ele fosse em forma, mas não esperava aquilo. O peito e o abdômen dele são perfeitamente definidos, cada músculo no lugar certo, a pele bronzeada como se ele passasse os dias na praia e não trancado em algum trabalho qualquer.

Eu engulo em seco, meus olhos percorrendo cada centímetro daquele torso.

"É... Acho que a regra é boa", consigo dizer, minha voz um pouco trêmula.

Ele dá um passo na minha direção, diminuindo o espaço entre nós.

"Satisfeita?"

"Ainda não", eu sussurro, levantando a mão e tocando levemente o peito dele com a ponta dos dedos. A pele dele é quente, firme. Ele não se move, apenas me observa, a respiração um pouco mais pesada. "Acho que preciso... inspecionar a qualidade."

Minha mão desliza pelo abdômen dele, sentindo os músculos se contraírem sob o meu toque. Eu estou jogando com fogo, e sei disso. A atração é uma força quase violenta entre nós.

"Cuidado, Helena", ele diz, a voz baixa e perigosa. "Você pode começar algo que não sabe como terminar."

Eu sorrio, olhando nos olhos dele.

"Quem disse que eu não sei?"

Eu me inclino para a frente, mas antes que eu possa fazer qualquer coisa, a mão dele segura meu pulso. O aperto é firme, mas não machuca.

"Regra número dois", ele diz, seus olhos azuis fixos nos meus. "Sem toques não autorizados."

Ele solta meu pulso lentamente.

"E regra número três: se você vai me provocar, esteja preparada para as consequências."

Ele se vira de volta para o fogão, me deixando ali, parada, com o coração batendo descontroladamente. Ele não era tão fácil de manipular quanto eu pensei. Ele tinha seus próprios limites, seu próprio jogo.

Eu sorrio para mim mesma. Isso era ainda melhor. O desafio era maior, e a recompensa, eu tinha certeza, seria muito mais doce. Ele acha que pode ditar as regras? Mal sabe ele que eu sou a dona do tabuleiro, das peças e do jogo inteiro. E eu estava apenas começando a me divertir.

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