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Capa do romance O INVERNO ME TROUXE VOCÊ

O INVERNO ME TROUXE VOCÊ

Após ser traída por Nicolas, que escolheu noivar com Laura, a vida de Ana desmorona. Em meio ao caos, ela é salva de um assalto pelo enigmático Mateo, um homem em situação de rua que se fere para protegê-la. Ao acolhê-lo em casa, Ana descobre que ele é Marco, um homem marcado por traumas profundos. Para ajudá-la a superar o ex, ele finge ser seu namorado, mas a farsa logo revela um amor real, provando que ambos podem curar suas feridas juntos neste inverno.
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Capítulo 1

Ana Meireles

Abro os olhos e suspiro ainda não acreditando que ele está ao meu lado. Nicolas e eu passamos a noite editando alguns trabalhos, ele me pediu ajuda e nem acreditei quando ele chegou ao meu apartamento com aquela garrafa de vinho.

Tenho uma queda por ele faz tempo, para ser bem mais específica, desde que entrei para o jornal. Na época, ele e Laura namoravam então não tive a mínima chance. Quando eles romperam, a cerca de quatro meses, por causa de uma traição, Nicolas estava muito ocupado com outras mulheres mais interessantes que eu. Por isso, nunca criei expectativas. Porém, a cada dia meu amor platônico aumentava, afinal trabalhamos juntos, passamos várias horas todos os dias ao lado um do outro, e se tratando de um homem tão charmoso como ele, fica difícil não ter nenhum tipo de interesse, ele é alto e forte, prática vários esportes como hobby e se sobressai em quase todas as modalidades, sua pele negra e sedutora tem um contrate incrível com seus olhos verdes, além de cabelos levemente encaracolados, além de ser muito atencioso e simpático. Quanto a mim, não sou do tipo atrativa, já que não sou muito vaidosa, estou precisando urgente de um corte de cabelo, pois estão grandes demais, poderia aproveitar e dar uma boa hidratada, meus fios estão parecendo um arame farpado de tão secos. Meus óculos também não ajudam muito, descrevem o quanto nerd eu sempre fui, além de tímida ao extremo, o que atrapalha qualquer tipo socialização nos ambientes que frequento. Talvez seja consequência de certos traumas do passado. Depois de tudo que passei, me relacionar com pessoas, sempre foi um desafio, principalmente no que diz respeito sexo. A ideia de ser tocada, antes me apavorava, pois, além de tudo o que aconteceu comigo, minhas experiências na adolescência não foram das melhores. Minha primeira vez consensual foi com uma paquera da escola, eu tinha uma paixonite dessas de adolescente, foi terrível, os hormônios do garoto e sua inexperiência não contribuíram em nada, tornando mais um momento traumatizante, eu era jovem, acreditava que me recuperaria logo. Mas não me recuperei, me tranquei em meu mundo de livros e fórmulas. Quando entrei na faculdade, me apaixonei por um irmão de uma amiga, José era tão nerd quanto eu, e no momento em que senti que estava pronta ele me mostrou que eu poderia sim experimentar o sexo sem medo, foi muito fofo e carinhoso, aos poucos relaxei, não foi tão ruim quanto eu esperava. Entretanto nosso caso não deu certo, ele acabou ganhando uma bolsa fora do país, definitivamente nunca tive sorte em relacionamentos.

Com Nicolas, também foi bom, entretanto foi preciso muita paciência de sua parte, ele não forçou a barra e mesmo não sabendo do meu problema, ele se comportou gentilmente. Talvez tudo fosse resultado de anos de terapia, ou por que eu gosto muito dele, havia uma atração física entre nós, não sei se é amor ou apenas uma paixão desenfreada. Minha amiga, Liliane, inclusive a única que eu tenho, insiste em dizer que estou obcecada e que talvez eu devesse dizer a minha terapeuta sobre esse meu novo lado obsessivo/compulsivo.

Suspiro e continuo analisando a figura deitada ao meu lado na cama, coberto parcialmente por meu lençol de estampas azuis, e seus cachos negros meio atrapalhados que o deixaram bem a vontade. Noto que ele está acordando, fico apreensiva quando resmunga algo. Um temor me invade. Como será que ele vai reagir? Vai dizer que tudo foi um erro e vai me pedir desculpas?

Droga!

Me preparo mentalmente para concordar com ele, assim não ficarei tão arrasada.

"Tudo bem, Nicolas eu sei que isso foi um erro..."

Meus pensamentos são interrompidos com um delicioso toque em meus lábios.

— Bom dia, Ana Jully.

Nicolas é o único ser humano na terra que me chama de Ana Jully e não me deixa irritada. Odeio meu segundo nome, brigo horrores com minha mãe, não entendo por que escolheu me chamar assim, Ana Júlia seria muito mais simples. Jully! Isso parece nome de garota de programa, daqueles anúncios de jornais: Jully, tão meiga quanto assanhada, sexy, seios fartos, bunda grande, faço tudo o que o cliente desejar, se prepare, você vai se cansar. A Jully acaba com você na cama. Tive uma irmã gêmea que também se chamava Ana, porém, Ana Louyse. Não sei qual a dificuldade minha mãe teve em colocar apenas Luisa, seria muito mais fácil. Mas ela nunca explicou sobre nosso nome, na verdade ela nunca fala sobre suas escolhas e decisões. Entretanto não quero falar da Louyse, nem sobre meu relacionamento com minha mãe, estas são outras partes da minha história, da qual não gosto de mencionar.

— Ana...— escuto ele falar com voz rouca. Certamente agora vai dizer que se arrependeu — ontem à noite, foi incrível!

Fico surpresa com seu elogio, afinal minha experiência no assunto nunca foram das melhores. E certamente ele estava ignorando meus tremores de insegurança, feito uma adolescente virgem.

— Então...— fico sem saber o que dizer.

Mas Nicolas continua:

— Sim, e quero mais, não apenas uma noite... Ana, sempre fui louco por você.

Fico perplexa com sua declaração.

Sempre notei algumas trocas de olhares entre nós, mas pensava que fosse fruto da minha imaginação.

Ele me toca e me arrepio toda.

— Se depender de mim, vamos repetir isso, muitas vezes... Ana.

Fala se jogando por cima de mim, e segurando meus braços enquanto me beija. Nem consigo me mexer começando a ficar tensa, mesmo o desejando.

— Nicolas... — isso é muito bom, entretanto estou dura feito uma pedra, preciso tentar relaxar. Falo a primeira coisa que me vem a mente. — Você vai ficar para o café?

Ele fica sério, e se afasta.

— Claro. — então ele se deita esticando os braços para pegar celular no bolso de sua calça jogada na cômoda ao lado. De repente Nicolas parece simplesmente não estar mais aqui, fica atento a tela do celular parando apenas por um instante me chamando: — Jully, eu gosto do café sem açúcar por favor.

Mesmo confusa com sua mudança repentina, me levanto afim de ir até a cafeteria buscar algo, afinal não preparo nenhum tipo de refeição em casa, e nem ao menos tenho uma cafeteira.

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