Capa do romance O Imprinting do lobisomem

O Imprinting do lobisomem

8.6 / 10.0
Na pacata Hankster, a vida de Lua muda drasticamente ao cruzar o caminho de Edmon. O homem misterioso e atraente esconde um segredo sombrio, mas sente um impacto imediato ao encarar a jovem. Uma conexão inexplicável e intensa surge entre eles, despertando sentimentos que Lua não consegue evitar. No entanto, essa ligação profunda traz riscos inesperados, e cada encontro coloca sua segurança em xeque. Ela precisará lidar com o perigo enquanto seus destinos se entrelaçam.

O Imprinting do lobisomem Capítulo 1

Era uma vez…

Uma pequena garotinha que morava em uma fazenda no interior da floresta, sua pele era branca como a neve, seus cabelos dourados como ouro, e seus olhos azuis como mar.

A inocente garota não tinha medo de nada, ela caminhava nas trilhas tarde da noite e passeava sozinha pelos bosques, mesmo com seus pais dizendo para que ela tomasse cuidado, a jovem não os ouvia.

Certo dia, a pequena criança decidiu caminhar pelas redondezas da fazenda onde vivia, já era tarde e o sol se punha, logo à noite iria cair e a lua brilhar.

A jovem vestiu sua capa vermelha, colocando o capuz sobre sua cabeça, ela estava animada e queria brincar até tarde da noite.

Ela saltitava e pulava caminhando pela estreita trilha entre as árvores, a lua que já estava no alto brilhava iluminando o caminho, revelando as belas flores que enfeitavam o caminho.

Enquanto andava distraída a jovem as colhia, enchendo suas pequenas mãos com flores de diversas cores.

Alguns minutos se passam e a pequena jovem que mal prestava atenção para onde andava acaba se distanciando da estreita trilha a qual estava acostumada.

Enquanto sorria e brincava sozinha, a jovem tem sua atenção fisgada por um feroz som.

Era um uivo, havia um lobo ali perto.

Curiosa e inocente, a pequena criança que brincava agachada com as flores se levanta, olhando ao redor procurando a origem do som, e de longe ela conseguia ver, um enorme par de olhos verdes observava.

A jovem, que era muito pequena, cerca de 10 anos de idade, não se deixou ser intimidada pela enorme fera, muito pelo contrário a criança não tinha medo, ela não conhecia a maldade, em sua pura imaginação a pequena pensava que aquele lobo era como nos desenhos e histórias, ela reparava na longa pelagem cinza que a fera tinha, e aquilo a atraía, a criança queria tocar e fazer carinho no animal.

O lobo que estava imóvel no mesmo local apenas observando a criança, parecia perder o interesse, ele se virava e voltava a seguir seu caminho, a garota via o animal se distanciando e sem pensar duas vezes corria até ele, puxando a sua longa cauda, ela queria abraçar a fera e sentir a sua pelagem fofa, infelizmente, mal sabia ela que aquele animal estava a dias sem comer, ele se virou para a criança rosnando alto e assustando, ele avançou contra ela.

E tudo que restou foi uma enorme poça de sangue ao chão, algumas partes do corpo da pequena ficavam ali, junto ao tecido rasgado da capa vermelha que a garota usava…

— Prestem atenção, crianças.. isso é real e aconteceu há 4 anos..

Já era tarde da noite e minha mãe como sempre contava novamente aquela mesma história, a mim e o meu irmão.

— Tomem cuidado, a floresta é traiçoeira, um deslize e vocês irão acabar como aquela pobre garota.

Minha mãe falava enquanto servia os nossos pratos com o jantar, em seu rosto podia se ver seriedade e o medo, todas as noites ela dizia as mesmas coisas, mesmo sendo pequena assim como a garota da história, sempre tive consciência das coisas, e sabia que ela nos contava aquilo apenas para que tivéssemos medo e parássemos de sair para brincar pela fazenda.

A criança da história era igual a mim, tinha pele clara, cabelos dourados, e olhos azuis, me perguntava se minha mãe fazia de propósito, para me amedrontar, até mesmo a capa vermelha que eu usava ela colocava na história, por isso nunca dei atenção, não sentia medo ao ouvir aquela velha história. Meu irmão dizia não acreditar na história, achava que era só a velha história que todos pais contavam aos filhos.

Depois de todos jantarmos, nos retiramos para dormir, estava frio e na fazenda tudo que tínhamos para nos aquecer era a lareira que ficava no cômodo central da casa.

No meu quarto, observava a lua, esse era o mesmo nome que minha mãe havia me dado, olhava para aquela gigante esfera que brilhava, e imaginava o porquê de ter o mesmo nome, sempre a achei linda, e todas as noites era como se a luz que ela emanava me atraísse.

Mesmo frio, pegava minha capa e vestia, após ter certeza que todos dormiam, saía pelas portas do fundo, caminhava admirando a noite seguindo as trilhas ao redor da casa.

Naquela noite havia algo diferente, não sabia o que, até me deparar com algo que nunca havia visto em minha vida.

Eu fazia o mesmo trajeto, estava acostumada com os sons dos pássaros e dos animais noturnos, já havia visto vários em minhas caminhadas, mas nada igual aquele.

Assim como na história que minha mãe sempre contava, ouvi um uivo, sabia que era um lobo, já havia visto vários pela fazenda, ao parar para verificar ao redor, me deparo com um enorme par de olhos verdes, no mesmo instante que os vi congelei por completo, aqueles não eram olhos de um lobo normal, o animal era maior do que qualquer outro que havia visto, sua pelagem era cinza e a expressão em sua face única, ele não era um animal qualquer.

Assim como eu, o animal estava congelado no meio da trilha, ele me encarava e parecia esperar minha reação, não era ingênua como uma garota da história, sabia do que a fera era capaz de fazer, por isso, permaneci parada, imóvel como uma estátua. O medo me consumiu naquele instante.

Aquela foi a primeira vez que senti medo de verdade, tinha algo naquele lobo diferente de tudo que já havia visto na vida. Mesmo de longe, era amedrontador.

Depois de alguns segundos encarando aquele enorme ser, ele se virou e seguiu caminho, me deixando para trás assim como fazia na história, diferente da criança ingênua e boba que seguia o lobo, me virei rapidamente e corri para casa sem olhar para trás.

Tranquei a casa, tirei o capuz, o guardando, e vou para a cama. Meu coração batia em um ritmo muito acelerado, colocava as mãos sobre o peito tentando me acalmar. Fecho os olhos tentando dormir, mas não conseguia.

Alguns minutos depois, demoro a pegar no sono, pois aqueles olhos verdes assustadores do lobo, não me deixam dormir. Como se ele estivesse bem na minha frente, esperando eu dormir para me devorar.

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