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Capa do romance O Império Do CEO E A Secretária Marcada

O Império Do CEO E A Secretária Marcada

Hellen vê seu sonho na Blackwell Corporation virar pesadelo ao trabalhar para Gustavo, um CEO frio e calculista. Entre o desejo proibido e o controle absoluto dele, ela recebe avisos anônimos de que corre perigo naquele andar. Alvo de uma trama sombria que visa derrubar o império de Gustavo, Hellen fica entre a fuga e a entrega. Agora, o temido executivo deve decidir se protege seu legado ou a secretária que marcou seu destino em um jogo de poder.
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Capítulo 2

Se alguém me contasse, alguns meses atrás, que eu trabalharia na cobertura de uma das maiores empresas do país, eu teria rido. Ou chorado. Ou os dois.

Mas agora eu estava ali.

No vigésimo quinto andar da Blackwell .

Na porta do escritório do homem que a imprensa chamava de gênio... e os funcionários chamavam de monstro quando achavam que ninguém estava ouvindo.

Gustavo Blackwell .

Meu chefe.

Meu CEO.

Meu... problema em potencial.

Meu primeiro dia ainda nem tinha acabado, e eu já sentia que estava no meio de uma arena.

O andar da presidência era silencioso demais.

Não o silêncio confortável de biblioteca.

Mas um silêncio pesado, tenso, como se todo mundo ali tivesse medo de respirar mais alto e ser notado.

Camilla, a assistente executiva, tinha me explicado tudo com poucas palavras e muita objetividade.

Minha mesa ficava exatamente em frente à porta dele.

Eu era a guarda da caverna do dragão.

- Respira, Hellen - murmurei para mim mesma, ajeitando a blusa social. - Não é como se ele fosse te devorar logo no primeiro dia.

Uma parte minha não tinha tanta certeza.

O dia começou com uma avalanche de coisas novas.

Senha de sistema.

Agenda lotada.

Telefonemas de gente importante que falava como se o mundo fosse cair se não falasse com "o senhor Vasconcellos" em cinco segundos.

E então teve ele.

Quando a porta do elevador abriu e ele surgiu pela primeira vez naquele andar naquela manhã, o ambiente inteiro mudou.

Eu percebi isso antes mesmo de vê-lo.

O ar ficou mais pesado.

As vozes, mais baixas.

Os passos, mais rápidos.

Aí ele apareceu.

Terno escuro.

Gravata impecável.

Relógio que provavelmente valia mais que tudo o que eu tinha no armário.

E olhos... Deus.

Olhos escuros, atentos, difíceis de ler.

Olhos de predador.

Ele passou pelo corredor sem olhar para ninguém.

Até olhar para mim.

Por um segundo - que pareceu uma eternidade - os olhos dele prenderam os meus.

Eu senti o estômago revirar, o coração saltar, as mãos suarem.

"Não pisca", eu mandei mentalmente para mim mesma.

Pisquei.

Perfeito.

Ele parou ao lado da minha mesa, sem diminuir a própria imponência nem um pouco.

- Miss Morgan? - a voz dele era tão firme que parecia um comando.

- S-sim, senhor.

"Ótimo, Hellen, gagueja logo na primeira palavra."

- A partir de hoje, tudo que chega a mim passa primeiro por você - ele disse, sem rodeios. - Ligações, reuniões, recados, pessoas. Se eu disser "não quero ser incomodado", não importa quem esteja lá fora. Não entra.

Assenti.

- Entendido.

Ele inclinou levemente a cabeça, como se me avaliasse por dentro.

- Detesto atrasos, detesto desculpas e detesto erros repetidos - completou. - Aprenda rápido.

Deu as costas e entrou na sala, deixando a porta se fechar sozinha.

Eu fiquei alguns segundos parada, encarando o nada.

- Senhor simpático, ele - murmurou uma voz ao meu lado.

Virei.

Lucas, o diretor financeiro, estava encostado na divisória outra vez, com um sorriso divertido.

- Não sei se "simpático" é a palavra - respondi.

- É o que temos. - Ele deu de ombros. - E acredite, isso que você viu hoje foi a versão leve.

- Existe uma versão pior?

- Pergunta pra quem já foi demitido por um olhar dele. - Lucas inclinou a cabeça. - Mas não se assusta. Se ele ainda não mandou você embora, quer dizer que você passou na primeira triagem.

- Primeira triagem?

- O olhar. - Ele gesticulou com o copo de café na mão. - Se ele olha e não gosta, manda trocar. Já vi isso acontecer com duas secretárias antes de você.

Meu estômago virou de novo.

- Ótimo saber - resmunguei.

Lucas riu.

- Vai por mim, se ele não gostasse de você, você estava lá embaixo na recepção.

Ele ia sair, mas voltou um pouco.

- Só um porém, Hellen...

- Ainda tem mais?

- Tem. - Ele apontou discretamente para a porta da sala do CEO. - Ele odeia quando você se aproxima demais de gente que ele não aprovou.

- Gente... como você?

- Exato. - Ele sorriu. - Bem-vinda à selva.

No meio da tarde, Camilla colocou uma pasta sobre minha mesa.

- Mr. Blackwell quer esses relatórios o quanto antes.

- Eu levo.

Peguei a pasta, respirei fundo e bati de leve na porta.

- Entre - a voz dele ecoou lá de dentro.

Entrei.

A sala dele era ampla, mas não exagerada.

Tons escuros, cortinas abertas, janela enorme que dava vista para a cidade inteira.

Ele estava em pé, de costas, encarando os prédios como se controlasse cada um deles.

- Os relatórios, senhor - falei, me aproximando.

Ele se virou devagar, os olhos descendo até a pasta em minhas mãos, depois subindo de volta para o meu rosto.

- Deixe na mesa.

Coloquei a pasta. Me preparei para sair. Senti o olhar dele me seguindo.

- E, Miss Morgan... - ele disse, antes que eu alcançasse a porta.

Parei.

- Sim?

- Evite conversas paralelas durante o expediente. - Um brilho frio cruzou os olhos dele. - Principalmente com diretores que gostam de falar mais do que fazem.

Lucas.

- Não vai se repetir - respondi, tentando manter a voz firme.

Por dentro, uma parte minha armava os punhos.

Ele me segurou com o olhar por mais dois segundos.

Pareceu... testar minha reação.

Depois virou para a mesa, me dispensando sem dizer mais nada.

Saí da sala com o coração acelerado.

"Ele é controlado até nos sermões", pensei.

Mas, ao contrário do que eu deveria sentir, não era só irritação queimando em mim.

Tinha outra coisa.

Algo perigoso.

Algo que eu não queria admitir tão cedo.

Quando me sentei, algo me chamou atenção.

Um papel.

Dobrado, sobre o teclado.

Franzi a testa.

Eu tinha deixado minha mesa organizada. Nada estava ali antes.

Peguei o papel, as mãos um pouco geladas sem motivo aparente.

Abri.

As letras eram maiúsculas, fortes.

Como se tivessem sido escritas com raiva ou pressa.

VOCÊ NÃO DEVERIA ESTAR AQUI.

NEM TODO MUNDO QUE TRABALHA NESSE ANDAR CONSEGUE SAIR.

Meu coração pulou uma batida.

Olhei para os lados, quase esperando ver alguém rindo escondido, esperando a minha reação.

Nada.

O corredor estava quieto.

Camilla digitava alguma coisa em sua sala.

A impressora mais distante zumbia.

Mas ninguém parecia prestar atenção em mim.

Um arrepio frio subiu pela minha nuca.

"Uma piada", tentei me convencer.

"Provavelmente alguém sem ter o que fazer."

Mas tinha algo naquela frase que me atingiu de um jeito estranho.

Nem todo mundo que trabalha nesse andar consegue sair.

Dobrei o papel com rapidez e o enfiei na primeira gaveta, fechando com mais força do que precisava.

- Tudo bem... - respirei fundo. - Não é com você. Não entrar nessa paranoia, Hellen.

Mas eu já tinha entrado.

A partir daquele momento, minha atenção mudou.

Comecei a reparar nas coisas.

Nos olhares.

Nos silêncios.

No fim do expediente, o vigésimo quinto andar ficou ainda mais silencioso.

Funcionários começaram a descer.

As luzes do andar não apagavam, mas as sombras ficavam mais compridas.

Camilla guardava as coisas dela.

- Pode ir para casa, Hellen - ela disse, sem levantar muito o rosto. - Primeiro dia puxado, imagino.

- E o senhor Blackwell? - perguntei, encarando a porta que continuava fechada.

- Ele vai continuar. Ele quase sempre continua. - Ela prendeu um papel na prancheta. - Só vá embora quando eu disser. Hoje, pode ir.

Assenti, peguei minha bolsa e apertei o botão do elevador.

Quando as portas abriram e eu entrei, olhei uma última vez para o corredor.

Tive a sensação estranha de que alguém me observava.

Mas não vi ninguém.

No metrô, a cidade parecia outra.

Gente suada, cansada, barulhenta.

O oposto absoluto da frieza controlada daquele andar.

Tentei não pensar na mensagem anônima.

Tentei não pensar no olhar do meu chefe.

Tentei não pensar em nada disso.

Só que minha cabeça insistia em voltar para lá.

Voltar para ele.

Para o jeito como ele me olhou como se eu fosse um arquivo importante a ser classificado.

Para a forma como sua presença preenchia cada centímetro daquele andar.

E, no meio desse turbilhão, uma pergunta insistente batia na minha mente:

Por que alguém acharia que eu não deveria estar lá?

O que, exatamente, acontecia naquele andar da empresa...

Que eu ainda não sabia?

Quando cheguei em casa, joguei a bolsa no sofá e fui direto para o quarto.

Me olhei no espelho.

A mesma Hellen de sempre.

Cabelos presos de qualquer jeito.

Olheiras leves.

Uniforme social que parecia mais elegante na foto do anúncio do emprego do que no meu corpo real.

- Não faz essa cara - murmurei para o reflexo. - Você sobreviveu ao primeiro dia.

Sobreviveu.

A palavra ecoou diferente depois da mensagem.

Abri a bolsa, peguei o caderno velho onde costumo anotar tudo o que não posso falar em voz alta.

E escrevi.

"Primeiro dia na Blackwell .

Chefe: intimidador.

Andar: silencioso demais.

Advogado: fala mais do que deveria.

Mensagem anônima: alguém me quer longe.

Motivo: desconhecido."

Fechei o caderno.

Fui dormir tarde, revirando na cabeça o olhar escuro de Gustavo... e as letras frias naquela folha de papel.

Se eu soubesse...

Naquela noite, eu ainda não fazia ideia.

De que eu não tinha apenas entrado em uma empresa.

Eu tinha entrado no centro de uma guerra silenciosa.

E, querendo ou não, eu já estava no alvo.

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