
O Homem Dela, o Melhor Amigo Dela
Capítulo 2
Danilo insistiu que eles saíssem para um café da manhã comemorativo. Ele subiu correndo as escadas depois de perceber que tinha esquecido a carteira.
Helena desceu para a garagem.
Ela abriu a porta do passageiro do Tesla dele.
Karmen estava sentada lá, passando batom no espelho de cortesia.
"Oi, Lena! Eu também não tomei café. Espero que não se importem se eu for junto!", disse Karmen, com a voz enjoativamente doce. "Ah, e você gostou do meu novo assistente virtual? É incrível."
Ela apontou para o aparelho elegante e de grife conectado ao console do carro.
"Credo, você não gosta daquele trambolho básico, gosta?", ela perguntou, com os olhos arregalados em falsa inocência.
"Saia", disse Helena, a voz fria. "O banco do passageiro é o meu lugar. Você pode sentar atrás."
Ela não queria uma cena. Só queria que aquilo acabasse.
"Não, acho que vou ficar aqui", disse Karmen, medindo Helena de cima a baixo. "Passei a noite toda... fazendo networking. Estou exausta!"
"Estou te dizendo mais uma vez. Saia", a voz de Helena era baixa, com um tom perigoso.
"Me obrigue", Karmen sorriu com deboche, mexendo no aparelho de grife. "Acho que eu mereci este lugar."
A raiva, quente e cortante, explodiu dentro de Helena. Ela agarrou o braço de Karmen para puxá-la do carro.
"Ai! Lena, você está me machucando!", Karmen gritou de repente, olhando por cima do ombro de Helena. "Ok, ok, desculpa, eu vou sair!"
Então Karmen se jogou de lado, caindo do carro no chão de concreto. O assistente virtual que ela segurava caiu ao seu lado.
"Helena, qual é o seu problema? Ela é sua amiga!", gritou Danilo. Ele empurrou Helena para o lado e pegou Karmen nos braços.
Karmen tinha um arranhão minúsculo na mão. Ela enterrou o rosto no peito de Danilo e começou a soluçar.
"Danilo, a culpa é minha", ela choramingou. "Eu não devia ter tentado vir com vocês. Eu só queria comemorar com meu chefe..."
Danilo fuzilou Helena com o olhar. "Ela só queria tomar café da manhã com a gente. Você tem uns parafusos a menos, atacando sua própria amiga."
Ele virou as costas para Helena.
"Você claramente não está com fome se tem toda essa energia para agredir as pessoas. Fique em casa e esfrie a cabeça."
Ele colocou Karmen gentilmente no banco do passageiro, depois entrou no lado do motorista sem um segundo olhar para Helena. Ele engatou a marcha e acelerou.
O pneu traseiro atingiu a perna dela enquanto ele cantava pneu para sair da vaga.
Um estalo medonho ecoou na garagem. Ela desabou, o som do seu próprio osso fraturando se misturando com o guincho dos pneus.
Ele fez de propósito.
Enquanto o Tesla desaparecia, uma dor lancinante subiu por sua perna. Este era o homem que ela amou por cinco anos. Ele a deixaria quebrada no chão de uma garagem por causa de uma mentira.
Ela pegou o celular e chamou um Uber para levá-la ao pronto-socorro.
O raio-X confirmou: uma fratura fina na fíbula. Ela precisaria de gesso e muletas.
Uma risada, sem humor e seca, escapou de seus lábios. Isso era bom. Agora não haveria dúvidas. Nenhum momento de fraqueza.
"Helena? Você está bem?"
João Carlos Medeiros entrou correndo na emergência, a testa úmida de suor. Ele viu o gesso dela, e seus olhos escureceram com uma mistura de raiva e preocupação.
"Helena, me desculpe por não estar lá."
Ele a levantou gentilmente nos braços e a levou para o carro dele. Ele a colocou cuidadosamente no banco do passageiro e afivelou o cinto de segurança. O rosto dele estava perto, sua preocupação real e palpável. Era um tipo de intimidade que ela e Danilo nunca haviam compartilhado.
"Para onde?", ele perguntou suavemente.
"Me leve de volta para o apartamento", ela disse, olhando pela janela. "Tenho algumas coisas que preciso pegar."
Uma vida com João Carlos talvez não fosse tão ruim. Ele nunca a culpou. Ele nunca levantou a voz.
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