
O Homem Dela, o Melhor Amigo Dela
Capítulo 3
Na garagem, João Carlos se ofereceu para ajudá-la a subir.
"Espere aqui", ela insistiu. "Não vai demorar."
Ela manobrou a cadeira de rodas para fora do carro dele e rolou para dentro do elevador.
Quando abriu a porta do apartamento, Danilo e Karmen estavam lá. Karmen estava esparramada no sofá, usando uma das máscaras faciais de seda caras de Helena. Danilo estava na cozinha, descascando cuidadosamente um pêssego para ela.
"Karmen, meu bem, descasquei seu pêssego branco favorito", disse Danilo ao sair da cozinha com um pratinho. Ele congelou quando viu Helena.
Seus olhos foram do rosto dela para o gesso grosso em sua perna.
"O que você fez agora?", a voz dele estava cheia de irritação. "A conferência de tecnologia é na semana que vem. Você está tentando me envergonhar, aparecendo de cadeira de rodas?"
"Ah, Helena", Karmen riu do sofá. "Você não vai ser a noiva de cadeira de rodas, vai? Que brega."
Karmen estendeu o prato de pêssegos que Danilo acabara de lhe dar. "Danilo ficou na fila uma eternidade para conseguir esses pêssegos orgânicos da feira. Você devia comer um."
Helena encarou os pêssegos. Ela havia implorado a Danilo por semanas para ir àquela feira com ela. Ele sempre dizia que estava ocupado demais com o trabalho.
"Não, obrigada", disse Helena, a voz vazia. "Não quero nada que você tenha tocado."
Ela virou a cadeira de rodas em direção ao quarto para pegar suas coisas.
"Ah-", Karmen gritou como se tivesse sido esbarrada. O prato de pêssegos caiu no chão. "Helena, eu sei que você não gosta de mim, mas não precisava derrubar as frutas que o Danilo se esforçou tanto para conseguir!"
Enquanto Karmen se ajoelhava para pegar os cacos do prato, ela "acidentalmente" cortou o dedo em um caco.
"Karmen, não toque nisso", Danilo correu até ela. Ele a levantou e a levou para o sofá, cuidando do pequeno corte como se fosse uma ferida mortal.
Ele fuzilou Helena com o olhar. "Ela é uma convidada em nossa casa, Helena. Estou tão decepcionado com você."
"Fico feliz que você esteja feliz", ela respondeu, rolando para dentro do quarto.
Ela estava lá por uma única coisa: o medalhão vintage de sua avó.
Sua avó o havia dado a ela em seu aniversário de dezesseis anos, pouco antes de morrer. "Nossa Helena já é uma moça", ela dissera, com a voz fraca. "A vovó não pode ficar com você para sempre. Quando estiver com medo, segure isto com força e saiba que estou sempre com você."
Ela o usou até a corrente quase quebrar, então o guardou em segurança na caixa de joias em sua cômoda.
Hoje, ela pegaria o medalhão e iria embora para sempre.
Mas não estava lá. Ela procurou na gaveta, depois na seguinte, seus movimentos frenéticos. Ela sabia que o tinha deixado bem ali.
Ela rolou de volta para a sala de estar, as mãos tremendo de fúria. Quando estava prestes a perguntar a Danilo se ele o tinha visto, a campainha tocou.
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