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Capa do romance O Homem da Minha Vida

O Homem da Minha Vida

Mel encontrou em Rodolpho seu primeiro amor, mas a fortuna da família dele tornou-se uma barreira intransponível. O pai do rapaz, o homem mais rico da região, jamais aceitaria uma nora humilde. Mesmo cercada pelo machismo de seu próprio pai e de seus cinco irmãos, além da perseguição do sogro implacável, Mel se recusa a desistir. Entre reviravoltas e cicatrizes profundas, ela enfrentará qualquer sofrimento para resgatar esse sentimento proibido e intenso.
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Capítulo 3

Mel estava trêmula por trás de uns arbustos e não percebeu quando Rodolpho se aproximou por trás. 

Ela se virou já sentindo a respiração forte no seu pescoço e se atirou nos seus braços num misto de medo e desejo.

Se beijaram longamente e Rodolpho se controlou para não lhe assustar. As suas mãos comportadas seguravam a cintura fina de Mel enquanto ela acariciava o rosto dele. O toque dos seus dedos delicados era como um calmante para o seu desejo. Ela era diferente, não iria se entregar tão fácil. 

Rodolpho sorriu quando ela se afastou com olhar de menina. Era tão meiga e ingênua, pensava se a merecia. Na sua cidade, já se envolveu com metade das moças e a sua fama não era das melhores, ele imaginava. Começava a pensar em como eram diferentes e ao mesmo tempo se encaixavam de forma tão harmônica. 

Aquela menina simples de olhar doce e puro era uma jóia e não sabia como agir diante dela. Sempre foi tão simples para ele as coisas. Queria alguém, ia lá e era só estender a mão. Pronto, já tomava para si e depois descartava. Mas não foi sempre assim.

Há dois anos atrás, Rodolpho teve uma decepção que quase lhe afundou em depressão, não fosse o seu pai perceber rápido e lhe envolver com as empresas, hoje poderia ser um garoto problemático ao invés de um Don Juan. 

Bem, filhinho de papai não era bem o termo, pois Rodolpho trabalhava muito, mas havia se transformado num garoto belo, educado, gentil e passou a ser auge de cobiça das moças da sua cidade. Já se passaram dois anos desde que Rodolpho sofreu o abandono pela sua primeira namorada. Pensou ter fechado o coração, mas algo aconteceu naquela noite, queria aquela garota de qualquer jeito e parecia tão ansioso que tinha medo de lhe assustar.

Mel sorriu olhando nos olhos de Rodolpho, tentando adivinhar o que se passava em sua mente. Ele era tão lindo, tão perfeito que pensava estar sonhando.

  — Pare de fugir de mim! Não sou um monstro!— ele disse sério. 

Mel deixou-se descansar no seu peito e suspirou. Não queria mais fugir, queria ficar assim, na paz que aquele homem lhe transmitia. Era como se ele fosse tudo o que ela procurava encontrar numa pessoa.

Eles eram muito jovens, tinham apenas dezoito anos e ambos estavam prestes a completar dezenove, mas eram de um tempo mais remoto, onde as coisas ainda andavam devagar, onde a adolescência se estendia e a fase adulta parecia estar sempre um pouco mais a frente e se curtia a vida muito mais.

Mel já fazia faculdade e tentava uma vaga como professora, mas nessas festas, todos pareciam desprendidos de responsabilidades e a magia do amor estava sempre envolvendo aqueles que lhe procurava.

Não era muito o caso de Rodolpho que não pensava em se apaixonar tão já, mas acabou se deixando envolver sem medo, rendido aos olhos misteriosos de Mel que pareciam lhe guiar para um mundo desconhecido e ele estava fascinado por ela. Queria muito conquistá-la, como se fosse a última façanha da sua vida.

Ele puxou Mel pela mão e saíram de volta ao quiosque para dançar novamente.

Não queriam mais se desgrudar. Mel olhava em volta à procura dos irmãos que estavam sempre à caça de mulheres disponíveis e já sabia que no dia seguinte iria ouvir os comentários deles e as risadas fáceis no terraço da sua casa. O seu pai ouvia orgulhoso os filhos muitas vezes fazerem comentários grosseiros sobre as moças com quem passaram momentos íntimos e Mel ficava num canto os criticando em pensamento, enquanto que a sua mãe meneava a cabeça sorrindo como se aquilo lhe soasse normal.

Nice e Iara vigiavam os irmãos para Mel e estavam sempre a dizer que os haviam visto com alguma moça em locais escuros e desertos, muitas vezes bêbados. 

Mel suspirou, era a caçula e a única filha mulher de uma família humilde, mas conservadora e machista.

Rodolpho cumprimentava quase todo mundo, parecia um político. O pai era muito conhecido e naquela festa especialmente, haviam muitas pessoas importantes do meio dos negócios da família.

Mel olhava para ele e parecia que ele era mais velho, por ser tão responsável. Ele era gentil com as pessoas e falava muito bem, enquanto que ela, se escondia numa redoma criada pelos pais e irmãos que a tornava tímida. A pressão em casa era tão grande para que não caísse na lábia de nenhum aproveitador, que estava sempre se perguntando se não estava dando muita confiança para alguém, mas com Rodolpho era diferente, parecia que tinha encontrado o homem da sua vida, aquele que jamais esqueceria.

Num dado momento, Rodolpho saiu puxando Mel pela mão, enquanto falava:

  — Venha, vou te levar para casa!

Mel saiu caminhando e acenando para as amigas que sorriam maliciosas.

Rodolpho parou diante de um carro esportivo, com idéia rural e Mel o olhou assustada. 

  — O que foi?— Rodolpho indagou curioso.

  — Podemos ir caminhando! É bem próximo daqui! — ela respondeu nervosa e já andando na frente.

Rodolpho franziu a testa e apressou o passo para alcançá-la. 

Ele a abraçou e não fez perguntas. Sentia uma paz muito grande do seu lado e não queria perder aquilo por nada nesse mundo.

Andaram algumas quadras e chegaram diante de uma casa grande, pintada de verde claro, havia algumas árvores na frente e dali podia-se sentir ainda a brisa do mar.

Rodolpho encostou Mel na parede e a prendeu com os seus olhos brilhantes de emoção. 

Ela suspirou e fechou os olhos esperando o seu beijo.

Parecia que o mundo inteiro deixou de existir naquele momento e o calor dos seus corpos corriam direto para aquele beijo sem se importar com mais nada, mas o ruído de passos que se aproximavam dali chamaram a atenção deles e Mel puxou Rodolpho para um canto escuro, detrás de uma árvore frondosa. 

  — O que houve?— Rodolpho sussurrou curioso, olhando alguns rapazes que se aproximavam sorrindo, pareciam bêbados. Se seguravam uns nos outros. 

  — Meus irmãos!— Mel cochichou enquanto via os rapazes entrarem em casa.

Passado o susto, ela sorriu e encheu Rodolpho de beijos.

  — Vamos nos ver amanhã?— ele disse baixinho. 

Mel assentiu com a cabeça.

  — Eles fecharam a porta! Preciso entrar pelos fundos!— ela disse ansiosa. 

  — Posso vir te procurar para irmos à praia?— ele quis saber.

  — Está veraneando aqui?— ela indagou olhando para os fundos da sua casa como se quisesse sair correndo antes que dessem falta dela.

Rodolpho deu de ombros e respondeu:

  — Da minha cidade para cá é um pulo, depois o meu pai está sempre aqui!

Mel entendeu que a outra mulher do pai de Rodolpho veraneava ali e por isso para ele seria fácil. 

  — Amanhã, vou estar no mesmo lugar com as minhas amigas! Me encontre próximo ao quiosque bar, às onze horas! — Mel disse isso e foi se afastando pelo terreno lateral da casa.

Rodolpho foi embora confuso. Sentia-se perdido, queria ter ficado mais com aquela garota, queria ter certeza de que nada os separaria.

Mel chegou nos fundos da sua casa, na ponta dos pés.

Empurrou a porta e percebeu que estava fechada.

Suspirou desanimada e sentou-se no pequeno degrau a sua frente. Estava quase cochilando quando sentiu a porta se abrir.

Era a sua mãe. Ela falava nervosa:

  — Mel! Isso são horas!  Seus irmãos já estão em casa! Entra logo menina, antes que o seu pai acorde!

Mel entrou sonolenta e abraçou a mãe dizendo:

  — Conheci o homem da minha vida!

Dona Helena revirou os olhos impaciente e disse:

  — Cuidado! Está cheio de aproveitadores por aí! Eles querem deixar as moças faladas e depois eles somem!

Mel suspirou desanimada. Queria tanto falar com a mãe sobre Rodolpho. Ele era diferente, era especial, ela tinha certeza disso!

  — Vai dormir Mel, vai logo pelo amor de Deus!— Dona Helena disse isso empurrando a filha para o quarto.

Mel entrou rapidamente para o seu quarto e logo ouviu a voz do pai.

  — Que falatório é esse? Onde está Mel? Não me diga que ainda está na rua! Eu já avisei: se der um erro, é rua mulher, deixe isso claro para ela. Eu não quero uma filha perdida dentro de casa!

Helena suspirou ofegante quando viu o marido empurrar a porta do quarto da filha sem mesmo bater.

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