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Capa do romance O Gato Dele, Minha Mãe Morta

O Gato Dele, Minha Mãe Morta

No momento em que minha mãe sofria um AVC, meu marido, o único cirurgião capaz de salvá-la, ignorou meus apelos para buscar o gato da ex. Após a morte dela, pedi o divórcio, mas fui agredida e jogada contra uma mesa. O impacto causou a perda do bebê que eu esperava em segredo. Ao descobrir a verdade sobre as duas mortes, Gabriel implorou perdão de joelhos. No entanto, o abandonei à própria culpa, saindo sem olhar para trás e levando comigo apenas minha dignidade.
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Capítulo 3

Manuela Ruas POV:

Eu já havia ameaçado Gabriel com o divórcio várias vezes antes. Sempre que ele me humilhava, me ignorava, ou me trocava por Yara, eu explodia em raiva e desespero. Mas ele sempre sabia como me calar, me fazendo sentir culpada, manipulando minhas emoções com a desculpa da "gratidão" pela minha mãe. Eu sempre cedia, sempre pedia desculpas. Ele provavelmente pensou que desta vez seria igual.

Mas não seria.

Minha resposta para ele foi curta e direta. "Não me arrependo. Te vejo no cartório amanhã."

Ele respondeu com um emoji de polegar para cima. Frio e indiferente como sempre.

Eu não li mais nada. Queimei todas as pontes.

No dia seguinte, Flávia e eu chegamos ao cartório cedo. Nossos olhos estavam vermelhos de noites mal dormidas, mas havia uma determinação férrea em nossos rostos.

Nós esperamos. E esperamos.

Então, eles apareceram. Gabriel, com seu terno impecável, e Yara, parecendo uma flor frágil, agarrada ao seu braço. E, claro, a gata Luna, aconchegada nos braços de Yara, como um troféu macabro.

Yara era a ex-namorada da faculdade de Gabriel, a "primeira paixão" que ele nunca superou. Ela usava sua fragilidade e seus animais de estimação como armas para mantê-lo sob seu controle.

Eu apertei a mão de Flávia. Ver Luna, a gata que custara a vida da minha mãe, me fez sentir uma onda de náusea.

Gabriel sequer me olhou. Ele passou por mim como se eu fosse invisível, os olhos fixos na mesa do cartório.

"Nós podemos começar?", ele perguntou ao funcionário, a voz fria.

Eu dei um passo à frente. "Não, não podemos. Flávia também vai se divorciar. Estamos esperando o marido dela."

Gabriel franziu a testa, virando-se para mim com um olhar de raiva. "O que diabos você está fazendo, Manuela? Tentando transformar isso em um circo? Você quer destruir tudo?"

Flávia interveio, a voz calma, mas com um brilho perigoso nos olhos. "Não é ela, Gabriel. Sou eu. E sim, eu quero destruir tudo o que me aprisionava. Você e seu irmão são dois parasitas. E eu estou farta."

Yara, como sempre, interveio com sua voz melosa e fingida. "Oh, Manuela, Flávia, não vamos ser precipitadas. Tenho certeza que Gabriel não quer isso. Não é, querido? Ele se importa com você, Manuela. Ele só está um pouco..."

Eu a interrompi, a voz tão fria quanto a dele. "Por que você está falando por ele, Yara? Ele não tem voz própria?"

Yara recuou, os olhos marejados, fazendo beicinho para Gabriel. Ele se virou para mim, a raiva queimando em seus olhos.

"Como você se atreve a tratar Yara assim? Ela está apenas tentando ajudar!"

"Ajudar? Ela está aqui para esfregar na minha cara que você a escolheu, não é? E depois de tudo o que aconteceu, você ainda a defende?"

Yara agiu como se estivesse chocada. "Manuela! Eu não sabia que você era tão... Rancorosa. Ainda mais depois do que você disse sobre sua mãe. É feio desejar mal às pessoas."

"Desejar mal?" Eu ri, uma risada vazia. "Minha mãe morreu, Yara. Morreu porque o seu 'herói' estava ocupado buscando a sua gata. E você está aqui, com essa gata, fingindo preocupação?"

Gabriel me olhou com nojo. "Você é uma ingrata, Manuela. Minha família te deu tudo. E você ainda ousa falar assim da sua mãe?"

Minha mão tremeu quando eu tirei um envelope do meu bolso. Nele, estava a declaração de óbito da minha mãe.

"Ela morreu, Gabriel", eu disse, a voz embargada. "Ela morreu no mesmo hospital em que você estava de plantão. Morreu porque você se recusou a atendê-la. Morreu porque você achou que eu estava fazendo drama. Morreu porque você preferiu salvar a gata dela do que a minha mãe!"

Ele pegou o papel, deu uma olhada rápida, e um sorriso irônico apareceu em seus lábios. "Isso é uma piada, não é? Você falsificou isso para me chocar? Para me manipular de novo?"

"Manipular?" Eu balançava a cabeça, o corpo tremendo. "Você é inacreditável. Você é um monstro. Você é um covarde que não consegue encarar a verdade!"

"Eu estou decepcionado com você, Manuela", ele disse, a voz baixa e perigosa. "Pensei que você fosse melhor. Mas vejo que sempre foi uma atriz. Você não quer o divórcio, quer apenas atenção."

"Eu quero o divórcio!", eu gritei, perdendo o controle. "Eu quero me livrar de você! Você é um peso morto! Você é a razão da minha dor!"

"Tudo bem, então!" Ele jogou os papéis na mesa. "Você quer se livrar de mim? Ótimo! Eu assino! Mas você vai se arrepender de cada palavra que disse!"

Eu fechei os olhos por um momento, sentindo um cansaço profundo. Aquele homem não valia a pena. Ele não valia mais nada.

Quando abri os olhos, olhei para ele com um desprezo que eu nunca pensei ser capaz de sentir. "Você é um idiota, Gabriel. Um completo e absoluto idiota."

O rosto dele ficou vermelho. Ele nunca havia sido chamado de tal coisa. Eu o havia atingido onde mais doía: seu orgulho.

Ele deu um passo à frente, a mão levantada. Eu recuei.

Yara, vendo que a situação estava fugindo do controle, usou seu último trunfo. Luna, a gata, que estava nos braços dela, de repente pulou em minha direção.

Eu instintivamente a empurrei. Eu não queria machucar a gata, mas eu não queria aquele animal perto de mim.

Yara, com uma teatralidade digna de Oscar, caiu no chão, gritando. "Minha Luna! Você a machucou!"

Gabriel viu vermelho. "Manuela! Você ousou machucar a Luna?"

Ele veio para cima de mim, a mão estendida. Ele tentou agarrar meu braço, talvez para me chacoalhar, para me forçar a pedir desculpas.

Eu me esquivei, mas ele estava muito perto. Em seu movimento desajeitado, ele me empurrou.

Eu perdi o equilíbrio. Minhas costas atingiram a borda afiada da mesa de vidro do cartório. Uma dor aguda e lancinante explodiu em meu abdômen.

Um grito escapou da minha garganta. Minhas mãos foram direto para a minha barriga, tentando proteger algo que eu ainda não havia revelado a ninguém.

Eu caí no chão. Uma poça escura começou a se espalhar sob mim.

"Minha barriga...", eu sussurrei, a voz tremendo. "Dói... minha barriga..."

Flávia correu até mim, os olhos arregalados de horror. Ela viu o sangue. Ela viu o meu pânico.

"Manu! O que aconteceu?" Ela me segurou, tentando estancar o sangramento.

Ela olhou para Gabriel, que estava paralisado. "Seu monstro! Olha o que você fez! Você a empurrou! Ela está grávida, seu desgraçado! Você a empurrou!"

Gabriel congelou. O sangue escorreu do meu corpo, manchando o chão de branco do cartório.

Seus olhos se arregalaram, fixos na poça vermelha, no meu rosto pálido.

Ele não sabia. Ninguém sabia. Eu queria contar a ele no nosso aniversário. Queria dar a ele a chance de mudar.

Agora, eu tinha perdido tudo. Minha mãe. Meu filho. E a última centelha de esperança que eu tinha guardado para um futuro melhor.

Gabriel ficou ali, como uma estátua, o rosto branco como papel, os lábios tremendo.

Ele não conseguia falar. A realidade o atingiu com a força de um raio.

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