Capa do romance O Gato Dele, Minha Mãe Morta

O Gato Dele, Minha Mãe Morta

8.1 / 10.0
Em O Gato Dele, Minha Mãe Morta, uma traição imperdoável destrói uma família. Após perder a mãe e o filho por negligência do marido, a protagonista busca o divórcio neste romance modern de superação. Leia livros online grátis e descubra como ela recupera sua dignidade e recomeça a vida.
Resumo de O Gato Dele, Minha Mãe Morta
No momento em que minha mãe sofria um AVC, meu marido, o único cirurgião capaz de salvá-la, ignorou meus apelos para buscar o gato da ex. Após a morte dela, pedi o divórcio, mas fui agredida e jogada contra uma mesa. O impacto causou a perda do bebê que eu esperava em segredo. Ao descobrir a verdade sobre as duas mortes, Gabriel implorou perdão de joelhos. No entanto, o abandonei à própria culpa, saindo sem olhar para trás e levando comigo apenas minha dignidade.
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O Gato Dele, Minha Mãe Morta Capítulo 1

Meu marido era o único neurocirurgião de plantão capaz de salvar minha mãe de um AVC, mas ele desligou o telefone na minha cara.

Ele disse que estava ocupado demais procurando a gata da ex-namorada no meio de uma tempestade e que eu deveria parar com meus "dramas".

Enquanto ele posava de herói para ela, minha mãe morreu sozinha, esperando por um socorro que ele negou.

Quando exigi o divórcio no dia seguinte, ele riu e levou a ex e a gata ao cartório para me humilhar.

Ao ver a certidão de óbito, ele me acusou de falsificação e, num acesso de raiva, me empurrou contra uma mesa de vidro.

Foi quando senti o sangue quente escorrer pelas minhas pernas.

Ali, no chão frio, perdi o bebê que eu carregava em segredo, o último fio de esperança do nosso casamento.

Só quando a médica confirmou a morte da minha mãe e o aborto é que Gabriel desabou, ajoelhando-se e implorando perdão.

Mas já era tarde demais.

Olhei para ele sem derramar uma única lágrima, peguei minha dignidade de volta e saí pela porta, deixando-o sozinho com a culpa que o assombraria para sempre.

Capítulo 1

Manuela Ruas POV:

Enviei a mensagem. As palavras dançaram na tela, frias e definitivas. "Eu quero o divórcio."

Meu dedo pairou sobre o botão de enviar por um instante, mas não hesitei. Não havia mais nada para salvar. O ar no apartamento parecia pesado, denso, sufocando-me com memórias que eu queria apagar.

Meu celular vibrou imediatamente. Gabriel.

Eu sabia que ele ligaria. Ele sempre ligava quando eu tentava impor um limite. Era a única forma de conseguir a atenção dele.

Peguei o telefone. Meu coração batia tão forte que podia ouvi-lo em meus ouvidos.

"O que é isso, Manuela?" A voz dele era de irritação, não de preocupação. "Outro drama seu? Não pode ser. Você está tentando competir com uma gata agora?"

Eu fechei os olhos. As lágrimas que eu pensei terem secado voltaram a queimar.

"Gabriel..." Minha voz era um sussurro, rouca de tanto chorar.

"Não, Manuela. Eu não tenho tempo para isso. Yara perdeu a Luna. É uma tempestade lá fora! A gata está lá fora, sozinha e assustada! Você sabe o quanto a Luna é importante para ela."

Cada palavra dele era um golpe. Como um martelo batendo na mesma ferida, de novo e de novo.

"Minha mãe está morrendo, Gabriel."

Houve uma pausa do outro lado da linha. Uma fração de segundo de silêncio que me deu uma faísca de esperança. Talvez, apenas talvez, ele tivesse processado o que eu disse.

Mas então, ele riu. Um riso seco, sem humor, que me congelou até os ossos.

"Morrendo? Manuela, por favor. Eu acabei de falar com o médico dela. Ela está estável. Não tente usar a saúde da sua mãe para me manipular de novo. É baixo, até para você."

Eu não conseguia respirar. A bile subia pela minha garganta.

"Não estou manipulando você! Ela teve um AVC hemorrágico! Os médicos disseram que você é o único neurocirurgião de plantão que pode salvá-la!"

"AVC?" Ele disse a palavra como se fosse uma piada. "Manuela, eu estou no meio de uma emergência real aqui. Uma gata assustada. Você não entende? É uma vida!"

Minhas mãos tremiam incontrolavelmente. A imagem do rosto pálido da minha mãe, a forma como ela se agarrou à minha mão antes de desmaiar, tudo voltou com força brutal.

"Gabriel, por favor! Por favor, venha! É a minha mãe! A mãe que você prometeu cuidar quando me casei com você!"

"Não é hora para chantagem emocional, Manuela. Você sempre faz isso. Sempre um drama. Eu estou ocupado salvando uma vida que realmente precisa de mim. Não a sua mãe, que está perfeitamente bem, ou a sua sanidade, que parece estar em frangalhos."

A cada palavra, eu sentia um pedaço de mim se quebrar. Ele tinha razão. Eu o havia chantageado, sim. Mas não por mim. Por ela. Por minha mãe, Dona Cila, a única família que me restava no mundo.

Lembrei-me do dia do nosso primeiro aniversário de casamento, poucas horas antes. O jantar que eu havia preparado, as velas, a música suave. Eu tinha esperança. Tinha a inocência de acreditar que, talvez, ele pudesse começar a me ver.

Ele sequer tocou na comida. O telefone dele tocou, era Yara. A gata dela, Luna, havia fugido durante uma tempestade repentina.

Ele se levantou da mesa como se fosse um chamado de emergência médica.

"Eu preciso ir, Manuela. A Luna está assustada. Yara precisa de mim."

Eu tentei argumentar. "Mas Gabriel, é o nosso aniversário. Eu preparei tudo..."

Ele sequer me ouviu. Seus olhos já estavam longe, focados na sua "primeira paixão", como ele a chamava.

Quando ele saiu, a tempestade lá fora parecia espelhar a que se formava dentro de mim.

Foi quando o telefone tocou de novo. O número do hospital.

Minha mãe.

E agora, aqui estava ele, zombando da minha dor, da minha súplica.

"Não me ligue mais, Manuela", ele disse, a voz ficando mais dura. "Estou quase encontrando a Luna. Sua mãe está em boas mãos. Pare de fazer drama. Eu ligo quando terminar aqui."

Então, ele desligou.

Eu fiquei ali, com o telefone na mão, ouvindo o som da chamada encerrada. O eco do seu último 'clique' era o som da minha esperança morrendo.

Eu continuei ligando. Dez vezes. Vinte vezes. Trinta.

Ele não atendeu.

O hospital ligou novamente. Os médicos tentaram, mas sem o especialista, as chances eram mínimas.

Dona Cila não resistiu.

Eu desabei no chão frio do meu quarto, o lugar onde eu o esperava todos os dias, o lugar onde eu sonhava com um amor que nunca viria. Minha mãe se foi. A única pessoa que me amava incondicionalmente, a razão pela qual eu havia aceitado me casar com Gabriel, se foi.

Meu mundo virou pó.

Peguei meu celular novamente. A mensagem que eu havia enviado para ele no início da noite - "Eu quero o divórcio" - parecia uma piada cruel agora.

Não era mais um desejo. Era uma necessidade. Uma única verdade que restava na minha vida estilhaçada.

Não era mais raiva, nem dor. Era um vazio frio, um buraco negro onde meu coração costumava estar.

Flávia, minha melhor amiga, chegou correndo. Ela me encontrou encolhida no chão, com os olhos vermelhos e inchados, o corpo tremendo em espasmos silenciosos.

Ela não disse uma palavra. Apenas me abraçou, um abraço apertado que me fez sentir um fio de calor na escuridão.

Ela pegou meu celular. Seus olhos se arregalaram ao ver as chamadas perdidas e a última mensagem de Gabriel.

Ela ligou para ele. Sua voz, geralmente tão forte, falhou ao dar a notícia.

"A Dona Cila... ela morreu."

Ouvi Gabriel do outro lado, ainda indiferente. "Morte? Manuela não está mais com essas piadas, Flávia. Ela está chateada porque eu fui ajudar a Yara com a gata."

Flávia respirou fundo. Sua voz se tornou um aço frio. "Não é piada, Gabriel. Sua sogra, Dona Cila Lins, faleceu há duas horas. Deu a Deus por falta de socorro. Um socorro que você, o único de plantão, negou a ela."

Houve um silêncio pesado. Um silêncio que me fez tremer.

Então, Flávia me entregou o celular. Ela estava pálida. Seus olhos mareados encontravam os meus.

"Olha isso, Manuela", ela disse, a voz embargada.

Eu olhei para a tela. Era o Instagram de Yara. Uma foto dela, sorrindo, na praia, com Luna nos braços.

A legenda dizia: "Meu papai Gabriel encontrou a Luna! Que alívio! Meu herói!"

Minha visão embaçou. O mundo inteiro pareceu girar.

Gabriel estava lá, rindo na praia com Yara e a gata, enquanto minha mãe morria sozinha no hospital.

Ele escolheu a gata.

Ele escolheu a ex-namorada.

Ele me acusou de drama e mentiras.

E minha mãe, a única pessoa que valia a pena na minha vida, se foi por causa da sua negligência.

A dor era tão intensa, tão aguda, que eu senti como se um raio tivesse me atingido. Meu corpo parou de tremer. Minhas lágrimas secaram.

Eu não chorei mais. Não havia mais lágrimas. Apenas um frio cortante que se instalou dentro de mim. O tipo de frio que te transforma em pedra.

Eu não iria perdoá-lo. Nunca. Essa era a minha verdade agora.

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O Gato Dele, Minha Mãe Morta de Conteúdos

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