
O Fogo Que Consumiu Meu Futuro
Capítulo 2
Quando acordei, a primeira coisa que vi foi o teto branco do hospital.
O cheiro de desinfetante encheu minhas narinas.
Minha cabeça latejava, e uma dor surda vinha do meu abdômen.
Lembrei-me do fogo, da fumaça, do meu grito desesperado por meu marido, Leo.
E então, a escuridão.
Minha mãe estava sentada ao lado da minha cama, seu rosto pálido e seus olhos inchados.
Ela segurou minha mão.
"Graças a Deus, você acordou, Ana."
Sua voz estava rouca.
"O bebê...", eu sussurrei, a garganta seca.
Minha mãe desviou o olhar, e as lágrimas que ela estava segurando finalmente caíram.
Naquele momento, eu soube.
Meu bebê se foi.
O bebê que eu e Leo tínhamos esperado por três anos.
Peguei meu celular na mesa de cabeceira.
A tela mostrava dezenas de chamadas perdidas para Leo.
Nenhuma resposta.
A porta do quarto se abriu. Era meu sogro, Miguel.
Ele parecia exausto, com fuligem no rosto.
"Ana, que bom que você está bem", ele disse, mas seu tom era frio, distante.
"Onde está o Leo? Ele está bem?", perguntei, a esperança crescendo em meu peito.
Miguel hesitou.
"Ele está ocupado. A casa da Catarina foi totalmente destruída pelo fogo. Ele está com ela, ajudando."
Catarina.
Sua prima. A mulher que ele sempre dizia ser "apenas como uma irmã".
"A casa dela? Mas o incêndio foi no nosso prédio", eu disse, confusa.
"As chamas se espalharam para o prédio ao lado. A situação dela é muito pior. Ela perdeu tudo", ele respondeu, sem me olhar nos olhos.
Uma risada amarga escapou dos meus lábios.
"E eu? Eu perdi nosso filho, Miguel. Onde estava o Leo quando eu precisei dele?"
O silêncio dele foi a resposta mais alta.
Eu sabia, naquele instante, que meu casamento, assim como meu bebê, estava morto.
"Diga a ele", minha voz era um fio, mas firme. "Diga a ele que eu quero o divórcio."
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