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O Fim de Um Pesadelo

No auge da Lopes Tech, João Carlos é traído publicamente por sua esposa, Ana Paula. Durante a festa da empresa, ela revela estar grávida de um suposto príncipe angolano, humilhando o marido. Após ser espancado e dado como inútil, João descobre que sua saúde debilitada era fruto de um envenenamento causado por ela. Salvo pela irmã, ele entende que o rival é um golpista. Agora, João busca vingança para destruir quem tentou matá-lo e retomar tudo o que construiu.
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Capítulo 2

O salão de festas da "Lopes Tech" brilhava, decorado com um luxo que beirava o exagero.

Luzes, champanhe, e centenas de funcionários e parceiros de negócios circulavam, celebrando o quinto aniversário da empresa.

Eu, João Carlos, observava tudo de um canto, um sorriso contido no rosto.

Cinco anos.

Cinco anos de trabalho duro ao lado da minha esposa, Ana Paula.

Nós construímos isso juntos, do zero.

Ela era o rosto da empresa, a negociadora implacável.

Eu era os bastidores, o cérebro técnico que desenvolveu o software que nos tornou milionários.

Mas há um ano, minha saúde começou a piorar.

Tonturas, fadiga constante, uma fraqueza que os médicos não conseguiam diagnosticar.

Fui forçado a me afastar, a deixar Ana Paula no comando total.

Ela subiu ao palco, deslumbrante em um vestido vermelho que abraçava seu corpo.

O microfone em sua mão reluzia sob os holofotes.

"Boa noite a todos!", sua voz ecoou pelo salão, clara e cheia de poder.

"Obrigada por estarem aqui para celebrar o sucesso da Lopes Tech!"

Aplausos irromperam.

Ela sorriu, um sorriso que eu conhecia tão bem, mas que agora parecia estranho, distante.

"Hoje não é apenas um dia para celebrar nossos sucessos profissionais. É também um dia para celebrar o amor."

Uma onda de murmúrios percorreu a multidão.

Eu senti um calafrio.

"Nos últimos meses, eu encontrei uma felicidade que nunca pensei ser possível. Encontrei um homem que me entende, que me apoia, que me faz sentir viva."

Meu coração parou.

"Gostaria de chamar ao palco o amor da minha vida, Zé Pequeno!"

Da lateral do palco, surgiu um homem alto, de pele escura e corpo atlético.

Zé Pequeno, o instrutor de capoeira angolano de Ana Paula.

Ele usava um terno branco impecável, contrastando com sua pele e realçando seu sorriso branco e largo.

Eles se abraçaram no palco, um abraço longo e apaixonado, e depois se beijaram.

Não foi um beijo rápido.

Foi um beijo de cinema, demorado, com as mãos dele em sua cintura e as dela em seu rosto, enquanto a multidão assistia, chocada e em silêncio.

As câmeras dos celulares se ergueram, flashes disparando por todo o salão.

Eu fiquei paralisado.

O copo de champanhe na minha mão tremia.

O barulho ao meu redor desapareceu, substituído por um zumbido agudo em meus ouvidos.

Ana Paula pegou o microfone novamente, o rosto radiante, os olhos brilhando.

"Eu amo este homem", ela declarou, olhando para Zé Pequeno com uma adoração que um dia foi dirigida a mim.

"E para selar nosso amor, temos uma notícia maravilhosa para compartilhar."

Ela pousou a mão em sua barriga.

"Eu estou grávida. Do nosso filho."

O choque no salão foi como uma onda física.

As pessoas se viravam, cochichando, procurando por mim com os olhos.

Eu era o marido. O marido humilhado, transformado em piada na frente de centenas de pessoas.

A raiva ferveu dentro de mim, queimando a névoa do choque.

Eu caminhei em direção ao palco.

Cada passo era pesado, como se eu estivesse andando no fundo do mar.

As pessoas abriam caminho, seus rostos uma mistura de pena e curiosidade mórbida.

Subi os degraus e parei na frente deles.

"Ana Paula."

Minha voz saiu rouca, um arranhão na garganta.

Ela me olhou, e pela primeira vez naquela noite, seu sorriso vacilou.

Ela parecia surpresa em me ver ali.

"O que você está fazendo aqui, João Carlos?", ela perguntou, a voz baixa, irritada.

"O que estou fazendo aqui?", repeti, a raiva me dando uma força que eu não sentia há meses. "Eu vim te perguntar o que você está fazendo. Anunciando seu amor e seu filho com outro homem no aniversário da nossa empresa?"

Um suspiro coletivo veio da plateia.

"Nossa empresa?", ela riu, um som frio e cortante. "Você não faz mais parte disso há muito tempo."

"E o nosso casamento? Isso também não significa mais nada?"

Zé Pequeno deu um passo à frente, colocando-se protetoramente ao lado de Ana Paula.

Ele me olhou de cima a baixo com desprezo.

"Casamento?", Ana Paula zombou, o microfone ainda ligado, transmitindo sua crueldade para todos. "Você se tornou um inútil, João Carlos. Um homem doente e fraco. Eu preciso de um homem de verdade ao meu lado."

A humilhação era um gosto amargo na minha boca.

"Você vai descer deste palco agora", ela sibilou, cobrindo o microfone com a mão, mas sua voz ainda era audível para quem estava perto. "Vai para casa e, se alguém perguntar, vai dizer que nosso casamento já tinha acabado há muito tempo. Que foi amigável. Entendeu?"

Eu olhei para o rosto dela, o rosto que eu amei por cinco anos, e não vi nada além de gelo.

A mulher que eu conhecia tinha desaparecido, substituída por essa estranha cruel.

"Não", eu disse, minha voz ganhando firmeza.

Eu me virei para a multidão silenciosa.

"Eu sou João Carlos. Co-fundador da Lopes Tech. E até poucos minutos atrás, marido de Ana Paula."

Eu fiz uma pausa, sentindo todos os olhares em mim.

"Eu construí esta empresa com ela. Sacrifiquei minha saúde por ela. Eu me afastei para que ela pudesse brilhar, acreditando em nosso futuro juntos."

Minha mente voltou no tempo.

As noites sem dormir, codificando até o amanhecer.

Vendendo nosso carro para comprar os primeiros servidores.

A alegria que sentimos quando fechamos nosso primeiro grande contrato.

Tudo isso, transformado em cinzas por essa traição pública.

"Mas o que eu vejo aqui hoje não é a mulher com quem construí um império. É uma estranha."

Eu me virei para ela, meus olhos encontrando os dela.

"Eu não sei quem você é, Ana Paula. E não quero mais saber."

"A partir de hoje, eu, João Carlos, não tenho mais nenhuma relação com a Lopes Tech. E não tenho mais nenhuma relação com você."

Eu me virei e desci do palco.

O silêncio era total.

Eu não olhei para trás.

Caminhei em direção à saída, sentindo o peso de mil olhares, mas pela primeira vez em muito tempo, sentindo que estava tomando o controle da minha vida de volta.

O amor estava morto.

Tudo o que restava era a dor e a necessidade de sobreviver.

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