
O Filho Secreto do CEO e Sua Esposa Médica
Capítulo 2
A voz do diretor soava calorosa do outro lado da linha: "A bolsa de estudos ainda está disponível, Helena. Mas você entende as condições? Seis meses de isolamento completo, sem contato com o mundo exterior."
"Eu entendo", respondi, sentindo que era exatamente o que eu precisava — um lugar para desaparecer, a única luz em um túnel que parecia não ter fim.
"Podemos organizar tudo para você, basta nos informar seus planos de viagem", ele prometeu.
"Obrigada, nos vemos em Zurique", eu respondi e, por um instante, algo que se parecia com esperança atravessou meu entorpecimento.
Após encerrar a ligação, dirigi direto para casa — nossa casa. A lembrança tinha um gosto amargo.
A porta se abriu para uma sala de estar repleta de símbolos da nossa vida juntos, uma vida que agora parecia uma grotesca paródia — dois copos combinando sobre o balcão, uma foto nossa do dia do casamento, em que o braço dele me envolvendo com força, no aparador... Cada objeto era uma prova de mentira.
Uma onda de repulsa me atingiu, então peguei um saco de lixo na cozinha e atravessei a casa como uma tempestade. Os copos foram os primeiros, quebrando no fundo do saco. O porta-retrato seguiu, o vidro estalando. Rasguei cada foto nossa, as fragmentando em pedaços minúsculos antes de jogar no saco. Logo foi a vez de suas roupas no meu armário e os pequenos objetos que ele trouxera de suas "viagens de negócios".
Tudo foi para os sacos que arrastei até a calçada, como se uma chama de raiva me consumisse, purificando cada canto desse espaço.
Depois, comecei a arrumar minhas coisas: meus livros de medicina, os artigos de pesquisa, minhas roupas, tudo o que era meu. Combinei com uma transportadora para que entregassem tudo na casa da minha melhor amiga, Ayla.
Emílio não apareceu em casa naquela noite. Quando chegou na noite seguinte, cansado, mas com um sorriso no rosto, ele largou a pasta e me envolveu em um abraço, como se nada tivesse acontecido.
"Meu Deus, eu senti sua falta", ele murmurou, enterrando o nariz nos meus cabelos.
Meu corpo ficou rígido, pois um leve perfume feminino impregnava sua camisa e tudo o que eu conseguia imaginar era ele segurando aquele bebê, beijando Haydée Carvalho. A náusea subiu pela minha garganta e eu me afastei rapidamente.
O sorriso de Emílio esmoreceu, dando lugar a uma expressão preocupada enquanto ele perguntava: "O que houve, Helena? Você está fria."
"Estou bem", respondi, minha voz dura, sem emoção.
Emílio não insistiu, apenas tirou da pasta uma série de caixas embrulhadas enquanto dizia: "Trouxe presentes da minha viagem."
Dentre as evidências de sua viagem falsa, havia um lenço de seda de uma marca que Haydée gostava, e um perfume cujo aroma reconheci imediatamente — o mesmo que Haydée usara no hospital, o mesmo que ele me dera no meu aniversário na faculdade, esquecendo que eu tinha alergia grave a um dos componentes.
Na época, eu terminara no pronto-socorro, e ele jurara nunca mais se esquecer de nada sobre mim, mas obviamente, tinha esquecido.
Eu queria gritar, jogar as caixas na cara dele e exigir explicações, mas as palavras não vinham.
Encarando os olhos dele, eu exigi: "Quero um bebê, Emílio. E quero agora."
O rosto de Emílio mudou, deixando transparecer um relance de pânico, seguido de uma máscara de paciência cansada enquanto ele repetia a mesma desculpa de sempre: "Já conversamos sobre isso. A empresa lançou uma nova iniciativa. Estou sob muita pressão."
Então seu celular tocou, o salvando. Ouvi a voz de Haydée claramente do outro lado da linha, e Léo chorando ao fundo, chamando pelo pai.
Foi aí que caiu a ficha — ele não queria um filho comigo, pois seu amor, seu futuro e sua família já estavam com outra pessoa.
Como antes, Emílio beijou minha testa e disse: "É do trabalho, tenho que ir. Volto tarde."
Observei pela janela enquanto ele entrava no carro e desaparecia na rua.
Caí no sofá, exausta, esgotada de lutar. Poucos minutos depois, meu celular vibrou, me notificando sobre uma solicitação de amizade de alguém que eu não conhecia. Por impulso, aceitei.
Meu sangue gelou, porque o perfil era um verdadeiro santuário da vida secreta do meu marido — foto após foto de Emílio com Léo no parque, em restaurantes que costumávamos frequentar, no carrossel... Abaixo das imagens, havia comentários e curtidas de pessoas que eu conhecia — amigos dele, nossos amigos. Então, o mundo inteiro sabia, menos eu.
Uma dor intensa me atravessou o estômago, e eu corri para o banheiro, a mão voando à boca, vomitando no vaso.
Meu corpo estava estranho, não parecendo ser apenas coração partido. Como médica, reconheci os sinais e uma possibilidade, que eu não sabia se podia descrever como milagre ou maldição, começou a se formar na minha mente.
Mais uma vez, Emílio não voltou para casa.
Na manhã seguinte, fui ao meu hospital, e pedi a uma colega de confiança que fizesse os exames.
Quando os resultados chegaram, os olhos dela se iluminaram e o sorriso se abriu naturalmente. "Parabéns, Helena, você está grávida de seis semanas."
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