
O Envelope Fatal: Seis Anos de Mentiras
Capítulo 3
A porta do meu apartamento abriu-se com um estrondo.
Pedro entrou, o rosto vermelho de fúria. A minha irmã, Laura, seguia-o, os olhos baixos, parecendo frágil e assustada.
"Onde conseguiste aquilo?" gritou o Pedro, agitando o telemóvel no ar.
Não respondi. Apenas olhei para a Laura.
"Laura," disse eu, a minha voz calma. "Porquê?"
Ela encolheu-se. "Helena, eu... eu não queria..."
"Não querias?" interrompi-a. "Não querias dormir com o meu marido? Não querias ter um filho dele? Durante seis anos, Laura?"
As lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto. "Eu amo-o, Helena. Eu sempre o amei."
O Pedro pôs-se à frente dela, protetor.
"Deixa-a em paz! A culpa não é dela!"
Olhei para ele, incrédula. "A culpa não é dela? Então é minha? Por ser uma esposa fiel? Por ser uma irmã que te acolheu em minha casa?"
"Eu nunca te pedi para fazeres nada!" gritou ele. "Tu és tão controladora, tão perfeita! A Laura é diferente! Ela precisa de mim!"
Aquelas palavras doeram.
Todo o meu esforço para construir uma vida perfeita para nós, todo o meu amor, reduzido a "controladora".
"Então vai ter com ela," disse eu, a voz sem emoção. "Sai da minha casa. Os dois."
"Esta casa também é minha!" retorquiu o Pedro. "Não vou a lado nenhum!"
"É mesmo?" Peguei nos papéis do envelope. "A casa foi um presente de casamento dos meus pais, Pedro. O teu nome não está na escritura. Legalmente, não tens direito a nada."
O rosto dele ficou pálido. Ele olhou para os papéis, depois para mim.
A raiva nos seus olhos foi substituída por um vislumbre de pânico.
"Helena, podemos conversar sobre isto. Não sejas precipitada."
"Já não há nada para conversar," disse eu. "Peguem nas vossas coisas e saiam. Agora."
A Laura começou a soluçar alto. "Helena, por favor... Pensa na Sofia. Ela não tem culpa de nada."
A menção da Sofia fez algo dentro de mim estalar.
"A Sofia?" repeti, a minha voz a subir. "Tu atreves-te a usar a tua filha, a filha do meu marido, contra mim? Durante cinco anos, deixaste-me acreditar que eu era a tia dela! Deixaste-me amá-la!"
Virei-me para o Pedro. "E tu! Tu viste-me a comprar-lhe presentes, a cuidar dela quando estava doente, a tratá-la como se fosse minha! E nunca disseste uma palavra!"
O silêncio deles era a única resposta que eu precisava.
"Fora," disse eu, a minha voz agora um sussurro perigoso. "Saiam da minha vista antes que eu chame a polícia."
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