
O empresário
Capítulo 3
Eduardo Cooper.
Usando um terno azul marinho sob medida, o cabelo castanho
perfeitamente arrumado, a barba rala. Ele é alto, musculoso e assim como
eu o avalio, ele faz o mesmo comigo. Nessas horas que super agradeço a
amizade com Chris, ele me ensinou a me vestir muito bem.
Meu vestido no modelo tubinho preto marca muito bem minhas
curvas, mesmo ele sendo mais formal.
— É um prazer conhece-la, senhorita Damasceno. — Sua é voz
grave e sai de uma forma animada.
— Igualmente Sr. Cooper. — Deixo minha voz sair no mesmo tom.
— Candice, nos de um minuto por favor. — Pede olhando
rapidamente para ela que se retira da sala.
Dando alguns passos para frente ele me olha atentamente. Percebo a
dureza em seu olhar castanho, com certeza é do tipo que não se relaciona
com as funcionárias, mas não me deixo intimidar, mantenho meu olhar
firme.
— Espero que dê certo seu trabalho aqui, preciso de alguém de
confiança.
Acho que ganhei um ponto.
— Não terá motivos nenhum para duvidar de minhas ações. —
Respondo confiante e ele sorri.
Dois pontos para mim!
— Assim espero. Espero que a sala esteja de seu agrado e se quiser,
pode dar um... Toque feminino.
Sorrio rapidamente enquanto ele continua me olhando de cima
a baixo com as mãos nos bolsos da frente da calça. Meu lado emocional já
quer se mostrar e jogar com ele o jogo da sedução.
Santa Pipoca! Me apresso em pegar minha bolsa na mesa.
— Quinta estarei aqui, se me der licença, tenho outras coisas a fazer.
Ele assente e se afasta. Quando me aproximo da porta consigo sentir
seu perfume forte ao passar por ele. Candice me olha curiosa assim que
saio.
Não estou fugindo dele... Tá, talvez um pouco.
— Onde vejo sobre os uniformes?
Só eu que acho atraente usar uniformes?
— Terceiro andar, fale com a Janaina.
— Obrigada!
— Ah! Você pode usar o elevador privado.
Aponta para uma porta que eu não tinha visto, escondida. Percebo
que o Sr. Cooper está na porta de minha futura sala. Com a mesma pose,
atento a cada ação minha.
— Nos vemos na quinta. — Digo.
Ele abre um grande sorriso amistoso e faço o mesmo. Ando para o
elevador comum, acho que ainda não tenho necessidade de usar o privativo.
Respiro fundo movimentando meus ombros quando as portas se
fecham.
Ele é intimidador! Deve ter o que? Uns trinta e cinco anos, talvez?
Não havia procurado por essa informação. E aqueles os olhos castanhos?
São bem calculistas. Pela sua forma de andar de ser super nariz em pé.
Logo acho a Janaina e ela me leva a sala de uniformes.
Primeiro: a cor não é muito linda. Um verde musgo. Gostaria de
apresentar a pessoa que escolheu essa cor para Chris, com certeza ele teria
ótimas ideias.
Retiro minha opinião sobre achar uniformes atraentes. Experimento
outras peças e só consigo imaginar que apenas Chris saberia o que fazer
com aquilo.
— Ficou bom em você.
Não sei de onde ela tirou essa ideia, tive que colocar por cima do
vestido.
— Ainda bem. — Murmuro ainda em dúvida.
Nada que um toque de Natasha não resolva.
— Quantas camisetas?
— Só duas. Qual o custo?
— Nenhum, a empresa fornece.
Quem pagaria por isso?!
Ela empacota duas peças e as pego agradecendo enquanto volto para
o elevador.
Essa tarde está sendo inovadora, porém bem também cansativa. Esse
sobe e desce de elevador, sorrisos e apertos de mãos. Claro que estou muito
empolgada, mega ansiosa para começar logo.
Me despeço das meninas da recepção e ando até o meu carro.
Na segurança do meu carro solto um gritinho quando fecho a porta.
Preciso contar tudo para as meninas! Chris com certeza vai querer me fazer
visitinhas aqui. Esse lugar é incrível!
Hoje é dia de comemoração!
CAPÍTULO 4
Natasha Damasceno
Me olho no espelho e sorrio.
Apenas uma calça jeans com alguns centímetros acima do tornozelo
e um pouco de rasgos nos joelhos, para deixar meu look mais despojado,
uma sandália de salto fino com tiras entrelaçadas, uma mini blusinha
rendada por de baixo do uniforme com os dois primeiro botões abertos e as
mangas com duas dobras, um coque frouxo, uma leve maquiagem
destacando meus olhos castanho, meus acessórios e uma bolsa de tira fina
preta.
Nunca, nem mesmo nos meus melhores sonhos, imaginei que teria
tanta roupa como tenho hoje. Claro que devo isso ao Chris. Se dona Esther
visse meu closet agora com certeza eu levaria um puxão de orelha.
Dou um sorriso por pensar em mamãe. Sinto saudade dela e de
papai, aposto que ele deve estar aproveitando o tempo de pesca. Sr. Raul
tem os melhores salmões da região e as mais lindas árvores de maçãs, desde
pequena sempre gostei de subir nelas e comer o máximo que eu conseguia e
depois ficava de castigo.
— Caralho, você é uma gata! — Digo a mim mesma.
Falo isso todos os dias de manhã, nada melhor que sua autoestima
nas nuvens, nada melhor do que você se amar.
Pego minha bolsa com o que preciso e vou para a sala de estar. Lá
encontro minha caixa com alguns pertences para colocar na minha sala.
Quando voltei para casa depois de ter conhecido a empresa, não tive
sossego de Chris. Ele queria saber cada detalhe da empresa e do meu chefe,
na verdade nem tive muito o que falar dele, ele só foi me dar as boas-vindas
e deixar sua presença muito bem marcada na minha mente. Depois,
chamamos as garotas e fomos para nosso cantinho de sempre. Costumamos
nos reunir na Vinícola San Jhosua, aprendi a gostar de vinho com a garotas
e quando queremos descontrair e colocar os assuntos em dia, lá é o primeiro
lugar que vamos.
Chego ao trabalho e estaciono meu Toyota Camry preto em uma das
vagas na garagem do prédio.
Ainda tenho muito o que aprender sobre a empresa, a história, as
filiais, os objetivos. Com certeza somos mais do que simples contadores de
outras empresas, se não esse escritório não seria tudo isso.
— Oi Candice! — Cumprimento animada.
— Oi! E então, pronta para começar? — Diz ela sorrindo.
Vejo que a mesa dela sem nenhum papel.
— Com certeza.
Ai, que friozinho na barriga.
Com um sorriso no rosto eu entro em minha sala, agora é hora de
deixar o meu gosto aflorar. No frigobar deixo uma xícara, uma taça, um
copo simples e alguns lanchinhos. Em cima do frigobar, dois copos de
whisky, apenas para enfeite, bem óbvio que não posso beber álcool em
serviço. Na minha mesa meu troféu da faculdade que gosto de exibir com
orgulho, algumas canetas diferentes, marcadores de texto, papéis de
lembrete que me ajudam muito e um aromatizante. Vamos combinar que
toda mulher, gosta de algumas coisinhas só para enfeite. Lembro que na
escola eu comprava várias canetas diferentes só para deixar meu caderno
todo colorido.
Sorrio dando uma espiada na janela atrás de mim, o sol está longe e
os tons de laranja e vermelho vão sumindo aos poucos. Aproveito para tirar
uma foto dessa paisagem.
Ligo o computador. Uau! Que tela gigante!
Coloco uma foto minha de fundo e senha. Segurança é muito
importante e percebo que uma das gavetas tem fechadura, isso é ótimo.
Providencio minha playlist, deixo tocando baixinho e começo a olhar os
papéis a minha frente.
Coitado do Gael. Uma empresa desse porte e só ele para cuidar de
algo importante, Cooper obviamente teve motivos importantes para ele ficar
tanto tempo sem outra pessoa no cargo.
Para minha felicidade e das borboletas do meu estômago, amo o
que faço.
Resolvi fazer contabilidade porque sempre tive facilidade em
matemática. Meus colegas do ensino fundamental me achavam uma
alienígena porque conseguia fazer tudo certo, na verdade o que facilitava
tudo era meu pai.
Desde pequena eu sempre o acompanhava nas entregas de suas
mercadorias, nas vendas de peixes, de maçãs, verduras. Papai sempre foi
muito cuidadoso e carinhoso com a plantação dele e isso resultou em bons
clientes, eu ficava escutando atenta a cada coisa que ele dizia, cada
negociação, sonhava em ser como ele quando adulta.
No ensino médio ele me ensinava por conta própria as matérias mais
complexas e eu, com minha curiosidade, pegava os livros da biblioteca
municipal e ia estudar. Passava um bom tempo nas estufas escondidas
estudando.
Até quando entrei na faculdade isso nunca mudou, tínhamos nossa
dinâmica para estudarmos juntos. Mesmo com Bruno em minha vida, nunca
deixei minha relação com meu pai de lado, sempre fomos unidos.
Eu também tinha uma ligação com mamãe, mas ela preferia mais
cuidar da casa e de nós. Ela sempre me ensinou a ter as melhores
qualidades, me ensinou a ser uma pessoa carinhosa, gentil com o próximo.
Eu roubava os bolinhos de limão que ela fazia e deixava na janela para
esfriar.
Por Deus! Eu sofria tanto com dores de barriga.
Com Chris morando lá por um tempo, induzi ele a fazer o mesmo,
coisa que Bruno nunca teve o prazer de querer tentar. Claro que era uma
coisa besta, mas eram pequenas coisas que eu nunca quis deixar de lado.
Não tenho irmãos. Meus pais até tentaram, mas por obra do acaso,
ou do destino, ou até de Deus, sou filha única e, sinceramente, levando em
consideração da forma que fui criada, acho que eu não conseguiria dividir
meus pais com um possível irmão.
Entretanto eu os dividi com uma prima. Suelen, irmã de mamãe e
minha tia, casada com o tio Travis, tiveram minha “querida” prima,
Meghan.
A safada era uma invejosa.
Como não temos outros irmãos, eu e ela sempre fomos unidas, mas
por obra do capeta, se é que posso dizer assim, ela me traiu.
Quase no fim do meu ensino médio, conheci Bruno. Bruno Cegatto.
Eu estava passeando pela faculdade, só para matar minha
curiosidade e para não me perder no primeiro dia como caloura, e ele estava
ajudando alguns novatos, no caso, me ajudou. Desde então sempre esteve
por perto, nos intervalos das aulas nos esbarrávamos pelos corredores.
Santa Pipoca! No trote ele me pegou distraída.
Os outros não nos deram nenhum aviso ou dica sobre o trote e, de
repente, só senti jatos de tintas em mim. Na hora eu fiquei brava, mas só até
perceber que era o trote e que, além de mim, vários outros calouros estavam
sendo atingidos na saída da faculdade. Quando vi que ele estava entre os
bagunceiros, não contive minha risada e ele foi o primeiro a se aproximar
para me dar boas-vindas. Limpou meu rosto com todo cuidado do mundo,
sorrindo largo para mim.
Fiquei tão vidrada naqueles olhos castanhos brilhando ao me olhar.
Ainda foi gentil e me levou à minha casa. Depois daquilo ele nunca mais se
afastou. Tivemos alguns encontros, algumas saidinhas, cineminha e por fim,
namoro sério. Claro que tive alguns peguetes, mas ele, de alguma forma,
sempre estava por perto.
Você pode gostar





