
O Divórcio Que Revelou um Segredo Sombrio
Capítulo 3
A dor seguinte veio mais forte, uma onda que me tirou o fôlego.
Agarrei-me à mesa da cozinha, a única coisa estável no meu mundo a girar.
O meu telemóvel tinha pouca bateria. Liguei para o 112. A linha estava constantemente ocupada.
Toda a cidade estava em pânico, e eu era apenas mais uma pessoa em apuros.
Tentei a minha mãe.
"Mãe", solucei quando ela atendeu, "Acho que o bebé vai nascer."
"O quê? Clara, o Diogo está contigo?"
"Não. Ele está com a Sofia. O cão dela estava assustado."
O silêncio do outro lado da linha foi pesado. A minha mãe, Helena, sabia exatamente o que aquilo significava. Ela vivia com o pai da Sofia, o meu padrasto Rui, há anos. Conhecia a dinâmica familiar.
"O Rui também não está em casa", disse ela, a sua voz tensa. "Ele disse que ia ajudar o Diogo com uma emergência."
Uma emergência. Um cão assustado.
"Estou a tentar arranjar maneira de ir ter contigo, filha. As ruas estão cortadas, mas vou tentar."
"Mãe, não venhas. É perigoso demais."
"Eu sou tua mãe."
A chamada caiu. A bateria do meu telemóvel morreu.
Fiquei na escuridão, apenas com o som da tempestade e a dor crescente no meu corpo. Cada contração era um lembrete da minha solidão.
Onde estava o homem que jurou amar-me e proteger-me?
Ele estava a consolar outra mulher, a minha meia-irmã, sobre o seu cão.
A imagem deles os três juntos – Diogo, Sofia e o meu padrasto Rui – formou-se na minha mente. Uma família feliz.
E eu? Eu era um inconveniente. O nosso filho era um fardo que chegava na pior altura.
A água começou a infiltrar-se por baixo da porta. Senti um líquido quente a escorrer-me pelas pernas.
Não era a água da inundação.
A minha bolsa de águas tinha rebentado.
O pânico apoderou-se de mim. Gritei, mas ninguém me ouviu.
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