
O Diário Escondido: Uma Verdade Mortífera
Capítulo 2
Quando o médico me disse que o meu noivo, Léo, estava com morte cerebral, o mundo desabou.
Ele estava no hospital há uma semana, depois de um acidente de carro.
A sua mãe, a Sra. Helena, agarrou-me pelo braço, com os olhos vermelhos e inchados.
"Sofia, o Léo amava-te tanto. Ele não ia querer deixar-te desamparada."
A sua voz tremeu.
"O desejo dele sempre foi casar contigo. Por favor, realiza o último desejo dele. Casa com o irmão dele, o Hugo."
Olhei para o Hugo, que estava quieto no canto. Ele era o irmão gémeo do Léo. Idêntico, mas completamente diferente.
O Léo era caloroso como o sol, o Hugo era frio como o gelo.
"Não," recusei imediatamente.
A Sra. Helena ajoelhou-se no chão, a chorar e a agarrar-se à minha perna.
"Sofia, por favor. A nossa empresa está numa crise. Se a notícia da morte do Léo se espalhar, tudo irá por água abaixo. O Hugo precisa de assumir o controlo, e um casamento contigo estabilizaria tudo. Pelo Léo, por favor."
O pai do Léo, o Sr. Matias, aproximou-se, com o rosto sombrio.
"Sofia, nós sempre te tratámos como uma filha. É assim que nos retribuis? O Léo deu a vida por ti. Ele despistou-se porque estava a correr para o teu jantar de aniversário."
As suas palavras foram um soco no estômago. A culpa pesou sobre mim.
"Eu..."
"Casa comigo," a voz do Hugo cortou o ar. Foi a primeira vez que ele falou.
"Vou tratar de ti."
A sua voz era desprovida de emoção, uma simples declaração de factos.
Olhei para o Léo, deitado na cama, ligado a máquinas que apitavam ritmicamente. O seu rosto estava sereno.
Ele queria que eu fosse feliz. Mas seria isto felicidade?
A Sra. Helena soluçava. O Sr. Matias olhava para mim com uma pressão silenciosa.
E o Hugo... ele apenas esperava.
"Está bem," sussurrei. "Eu caso."
A Sra. Helena abraçou-me com força, a chorar de alívio.
Mas eu não senti nada. Apenas um vazio frio e profundo.
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