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Capa do romance O Dia em que Morri e Revivi

O Dia em que Morri e Revivi

Alice morre após Marcos ignorar seu choque anafilático para socorrer a amante. O pior ocorre quando seu filho, Léo, morre tentando ajudá-la. Consumida pela dor da traição e da perda, ela desperta subitamente no passado. Diante dessa segunda chance impossível, Alice está determinada a mudar o destino catastrófico. Agora, sua missão é proteger Léo a qualquer custo e garantir que Marcos e Carla paguem por cada grama de sofrimento que causaram em sua vida anterior.
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Capítulo 2

Marcos a encarou, seu sorriso charmoso vacilando. "Um divórcio? Alice, o que deu em você?"

Então, sua expressão mudou. Ele parecia quase... aliviado? Não, calculista.

"Na verdade, querida, eu ia falar com você sobre algo parecido."

Ele se sentou, inclinando-se para a frente, conspirador.

"A Carla tem passado por uma fase difícil. O lançamento da marca dela... tem uns haters online, umas coisas bem maldosas. Estão dizendo que ela é uma talarica, que estou negligenciando minha família por ela."

Alice ouvia, um nó frio se formando em seu estômago. O absurdo daquilo.

"Então", Marcos continuou, "eu estava pensando... e se tivéssemos uma separação temporária? Um divórcio rápido e discreto. Só no papel."

Ele continuou apressado: "Isso tiraria a pressão de cima da Carla. Mostraria a todo mundo que não estou comprometido. Os haters recuariam. Então, assim que a marca dela estiver estável, a gente pode, sabe, voltar. É só de fachada, Alice. Para proteger a carreira da Carla."

Alice olhou para ele. Em sua vida passada, aquela que terminou em horror, ela poderia ter chorado, implorado.

Agora, ela sentia uma determinação fria e dura. Ele estava oferecendo a ela uma saída, embrulhada em seu próprio egoísmo.

"Ok, Marcos", disse ela.

Ele piscou, surpreso. "Ok? Assim, do nada?"

"Sim. Mas eu quero um acordo de separação com validade legal. Divisão justa de bens. Minha parte na casa e no seu escritório de arquitetura. Eu ajudei a financiar isso, lembra?"

Sua surpresa se transformou em suspeita. "Por que você está agindo assim? Tão... mesquinha? Pensei que você entenderia. É só temporário."

"Não é mesquinhez, Marcos. É inteligência. Se vamos nos divorciar, mesmo que 'de fachada', precisa ser feito direito."

A calma dela o desarmou. Esta não era a Alice que ele conhecia.

Marcos, ansioso para tirar Carla de seus "problemas", insistiu.

"Tudo bem, tudo bem, um acordo formal. Meu advogado pode preparar algo rapidamente. Podemos assinar amanhã."

Ele até conseguiu esboçar um pedido de desculpas. "Sinto muito que tenha que ser assim, Alice. Mas é para o melhor, você vai ver. A Carla realmente precisa disso."

Ele realmente acreditava em suas próprias mentiras. Que este era um nobre sacrifício que ele estava fazendo.

Alice o observava, o homem que um dia amou, agora um estranho proferindo platitudes vazias.

"Marcos", disse Alice, a voz suave, um teste final. "Você tem alguma ideia do que isso faz com uma família? Com o Léo?"

Ela procurou em seu rosto por um lampejo de preocupação genuína, um indício do homem com quem se casou.

Não havia nada. Apenas impaciência.

Ela percebeu com uma pontada que qualquer amor que sentira por ele havia morrido. Morreu com Léo naquela outra linha do tempo, e permaneceu morto agora.

Marcos acenou com a mão, displicente. "Não seja dramática, Alice. É um divórcio de fachada. O Léo nem precisa saber dos detalhes. Ainda seremos uma família. Vamos voltar assim que isso passar. É só um pedaço de papel."

Sua insensibilidade era de tirar o fôlego. Ele realmente não via a devastação emocional que estava causando.

A repetição de "divórcio de fachada" e "reunião" era como um mantra que ele usava para se convencer.

No dia seguinte, eles estavam no escritório do advogado dele.

Alice leu o acordo cuidadosamente. Era surpreendentemente justo, provavelmente porque Marcos queria que isso fosse feito rapidamente e sem confusão da parte dela.

Ela pegou a caneta. Sua mão estava firme.

Ela assinou seu nome. Um passo definitivo.

Marcos soltou um pequeno suspiro, quase triunfante. "Bom. Então está resolvido."

Ele não conseguia esconder seu alívio.

"E o Léo?", Alice perguntou, enquanto saíam. "Ele tem aquela aula experimental na colônia de férias de robótica hoje à tarde. Você prometeu que o levaria."

Marcos pareceu atrapalhado. "Ah, certo. Uh, surgiu um imprevisto com a Carla. A sobrinha dela, aparentemente, acabou de se mudar para a cidade e é muito interessada em robótica. A Carla perguntou se a sobrinha dela poderia pegar a vaga experimental do Léo. É um favor enorme para a irmã dela, mãe solteira, sabe."

Alice parou, petrificada. "Você deu a vaga do Léo? Para a sobrinha da Carla?"

"É só uma aula experimental, Alice. Ele pode ir outra hora. A família da Carla está passando por muita coisa."

Choque. Raiva. Decepção profunda. Ele já estava priorizando a família estendida de Carla em detrimento de seu próprio filho.

Alice sentiu um completo distanciamento emocional.

Este homem, seu marido, era um estranho. Suas ações não eram apenas falhas; eram desprezíveis.

Não havia mais "eles". Havia apenas ela e Léo.

E ela protegeria Léo.

A ida ao fórum foi um borrão de amargura e ironia.

Eles ficaram diante de um juiz, murmuraram as respostas necessárias.

Foi tão rápido, tão impessoal. Tão diferente do dia do casamento deles, que fora cheio de esperança e risos.

Marcos praticamente balançava nos calcanhares, ansioso para terminar.

No momento em que o juiz os declarou divorciados, o celular de Marcos vibrou.

Ele olhou, um largo sorriso se espalhando por seu rosto.

"Preciso ir", disse ele, já se virando. "A Carla precisa da minha ajuda para escolher os locais para a festa de lançamento. Isso é ótimo, Alice. Timing perfeito."

Ele nem olhou para trás.

Alice ficou ali, sozinha, os papéis do divórcio na mão.

Um divertimento amargo tocou seus lábios. Timing perfeito, de fato. Para ele.

Ela se lembrou dos primeiros dias deles. A paixão, os sonhos que compartilhavam.

Quando tudo deu tão errado?

Começou sutilmente. Sua crescente absorção no trabalho, ou assim ela pensava.

Então Carla reentrou em sua vida, uma antiga conhecida da faculdade, cujo pai havia dado a Marcos sua primeira grande oportunidade.

Marcos se sentia em dívida. Carla explorou isso.

A "amizade" cresceu. As noites tardias, os telefonemas sussurrados.

Alice fora cega, confiante.

Não mais. Não havia como voltar atrás. Esta segunda chance era um presente, e ela não o desperdiçaria.

Alice caminhou até uma loja de penhores.

Ela tirou o anel de noivado de diamante que Marcos lhe dera. Um dia, simbolizara o amor deles.

Agora, parecia uma algema.

"Quanto por este?", ela perguntou ao avaliador.

Ele disse um preço. Ela aceitou sem pechinchar.

A ironia da situação não lhe escapou. O anel que ele usou para prometer a eternidade agora financiava sua fuga dele.

De volta à casa – *sua* casa agora, de acordo com o acordo, até que fosse vendida e os lucros divididos – ela começou a fazer as malas.

Não apenas suas roupas, mas as de Léo também.

Ela precisava tirá-los da influência tóxica de Marcos, longe da presença invasora de Carla.

Um novo começo. Em algum lugar tranquilo.

"Mamãe?", Léo entrou em seu quarto, o lábio inferior tremendo.

Ele ergueu seu tablet, seu jogo de robótica favorito na tela.

"O pessoal da colônia de férias mandou um e-mail. Disseram que minha vaga para o programa de verão... sumiu. O papai deu para alguém chamada Lili. A sobrinha da Carla."

Seus olhos se encheram de lágrimas. "Mas eu queria tanto ir."

Frustração. Preocupação. Este era apenas o começo das traições de Marcos, mesmo nesta nova linha do tempo.

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