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O Dia em que Morri e Revivi

Alice morre após Marcos ignorar seu choque anafilático para socorrer a amante. O pior ocorre quando seu filho, Léo, morre tentando ajudá-la. Consumida pela dor da traição e da perda, ela desperta subitamente no passado. Diante dessa segunda chance impossível, Alice está determinada a mudar o destino catastrófico. Agora, sua missão é proteger Léo a qualquer custo e garantir que Marcos e Carla paguem por cada grama de sofrimento que causaram em sua vida anterior.
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Capítulo 3

O celular de Alice escorregou de sua mão, batendo no chão de madeira.

O som ecoou o estilhaçar de sua compostura.

"Ele o quê?"

A colônia de férias de robótica do Léo. Ela passara meses pesquisando, preenchendo inscrições, animando Léo.

Ele ficara em êxtase quando foi aceito, sonhando em construir robôs.

Não era apenas uma colônia de férias; era sua paixão.

Ela havia concordado com o divórcio de fachada de Marcos, assinado os papéis, tudo para supostamente "proteger" Carla.

E era assim que ele a retribuía? Arrebatando algo precioso para o filho deles?

A injustiça daquilo queimava.

Por que ele continuava fazendo isso? Ele achava que a complacência dela significava que ela toleraria qualquer coisa?

Léo começou a chorar, lágrimas gordas rolando por suas bochechas. "Eu queria muito construir um robô, mamãe."

Alice se ajoelhou e o puxou para um abraço. "Eu sei, querido. Eu sei."

Seu coração doía por ele.

Ela tentou ligar para Marcos. Direto para a caixa postal. De novo e de novo.

Ele a estava ignorando. Deliberadamente.

Algumas horas depois, o Instagram de Carla se iluminou.

Uma foto dela, radiante, com uma jovem que Alice presumiu ser a sobrinha, Lili.

Elas estavam na orientação da colônia de férias de robótica.

A legenda de Carla: "Tão orgulhosa da minha sobrinha genial Lili, arrasando na orientação da colônia de férias de robótica! Futura inovadora aqui! Graças a alguns amigos generosos por tornarem isso possível. #FamíliaEmPrimeiroLugar #GarotaSTEM."

Os comentários choveram: "Você é uma tia tão incrível, Carla!" "Que fofa!"

A humilhação tomou conta de Alice. Raiva. Injustiça.

Léo estava em casa chorando, e Carla estava celebrando publicamente a oportunidade roubada dele.

Alice pegou as chaves. "Vamos, Léo. Nós vamos para essa colônia de férias."

A determinação endureceu seu rosto.

Eles dirigiram até o centro comunitário que sediava o evento.

O carro de Marcos estava no estacionamento.

Eles o encontraram perto da entrada, rindo com Carla e Lili.

"Marcos!", a voz de Alice era afiada.

Ele se virou, seu sorriso desaparecendo quando a viu com Léo.

"Alice? O que você está fazendo aqui? Você está fazendo uma cena." Seu tom era de irritação.

Léo, encorajado pela presença de Alice, deu um passo à frente.

"Essa é a minha vaga, papai! Eu entrei primeiro!"

Sua pequena voz tremia, mas continha uma nota de desafio.

Marcos se agachou, sua voz melosa, do tipo que ele usava quando estava sendo mais manipulador.

"Léo, amigão, a mãe da Lili está passando por um momento muito difícil. Ela é mãe solteira. E a Lili queria muito, muito isso. Você é um menino generoso, certo? Não pode deixar a Lili ter essa chance? Seja uma boa figura de irmão mais velho."

Injusto. Tão injusto. Ele estava pedindo a Léo que sacrificasse seus sonhos por uma estranha.

"Não!", disse Léo, batendo o pé. "É a minha colônia de férias!"

Ele raramente era desafiador. Isso significava o mundo para ele.

O rosto de Marcos endureceu. A fachada gentil desapareceu.

"Léo Andrade, já chega! Não seja egoísta. Sua mãe precisa te ensinar melhores modos em vez de encher sua cabeça com mesquinhez."

Ele fuzilou Alice com o olhar. "Isso é culpa sua."

Léo caiu no choro, soluços altos e de coração partido.

Alice o puxou para perto, protegendo-o.

Ela sentiu uma raiva tão intensa que era uma pressão física em seu peito.

Mas ela se lembrou de sua vida passada, sua raiva explosiva que não resolvia nada.

Ela respirou fundo, empurrou a raiva para baixo.

"Marcos", disse ela, a voz surpreendentemente firme, "por favor. Devolva a vaga do Léo. Significa muito para ele. Eu estou... estou te implorando. É a primeira vez que eu te imploro por qualquer coisa."

Marcos desviou o olhar, um lampejo de algo – culpa? – em seus olhos.

Desapareceu tão rápido quanto veio.

"É tarde demais, a vaga está preenchida", ele murmurou, depois pareceu pensar melhor. "Olha, eu compro para o Léo aquele novo conjunto de Lego Star Wars que ele queria. É ainda mais legal, certo?"

Ele não entendia. Ele nunca entenderia.

Um brinquedo material por um sonho estilhaçado.

Alice sentiu um desespero profundo e avassalador.

Ele sempre priorizaria Carla. Sempre. A família dela, seus caprichos, suas necessidades.

Alice e Léo sempre seriam secundários.

"Decepção até a alma" nem começava a descrever o sentimento.

Alice tentou passar por Marcos, para falar com o diretor da colônia de férias. Talvez houvesse um engano, uma lista de espera.

"Com licença", disse ela, tentando chegar à mesa de inscrições.

Marcos agarrou seu braço, seu aperto surpreendentemente forte.

Dois dos funcionários juniores de seu escritório de arquitetura, que pareciam estar lá com ele, moveram-se para flanqueá-lo, parecendo desconfortáveis, mas obedientes.

"Alice, não faça uma cena", Marcos sibilou. "Você está se envergonhando. E ao Léo."

"Me solta, Marcos!", Alice gritou, tentando se libertar. "O Léo conquistou essa vaga!"

Ela tropeçou, quase caindo. Sua voz falhou com uma angústia inaudível.

O diretor da colônia de férias olhou, preocupado, mas Marcos acenou displicentemente.

Marcos a observava, o maxilar cerrado.

Ele provavelmente estava pensando no pai de Carla, na "dívida" que ele tinha.

Este "sacrifício" da felicidade de Léo era, em sua mente distorcida, parte do pagamento dessa dívida.

Proteger Carla, mesmo às custas de seu próprio filho.

Os arquitetos juniores escoltaram Alice e um Léo soluçante gentilmente, mas com firmeza, em direção à saída.

Alice, derrotada, parou na mesa de inscrições ao sair.

"Meu filho, Léo Ribeiro Andrade, ele foi aceito..."

A coordenadora, uma mulher de rosto gentil, deu-lhe um olhar simpático. "Sinto muito, Sra. Ribeiro. O Sr. Andrade ligou esta manhã. Ele disse que Léo não poderia mais participar e ofereceu a vaga para a sobrinha de sua... associada. Todas as vagas estão preenchidas agora."

Educado. Final. Irreversível.

Enquanto Alice levava um Léo de coração partido para longe, Carla se aproximou deles, um sorriso presunçoso no rosto.

"Alice, muito obrigada por entender. O Léo é um menino tão doce por deixar a Lili ter essa chance. Significa o mundo para ela."

Sua voz pingava falsa gratidão. Ela a estava provocando.

Marcos caminhou até o lado de Carla, colocando um braço ao redor dela.

"Viu, Alice? A Carla é grata. Você deveria tentar ser mais como ela. Mais complacente."

Suas palavras foram outra traição, outra torção da faca.

Alice sentiu uma dor aguda no peito, sua respiração falhando.

A injustiça, a manipulação descarada, era sufocante.

Ela só queria tirar Léo dali.

Marcos não havia terminado. "Você sempre dificulta as coisas, Alice. Como sempre fez. Se você fosse um pouco mais compreensiva, nada disso seria necessário."

As mesmas velhas acusações. A mesma transferência de culpa.

A culpa era sempre dela, aos olhos dele.

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