
O Contrato do Bilionário: Vingança contra meu Ex
Capítulo 2
As luzes fluorescentes da Mckee Management zumbiam com um som que parecia insetos rastejando sob a pele de Hester. Ela atravessou as portas de vidro, com a coluna rígida. Fazia vinte e quatro horas que ela estivera na chuva na City Hall, vinte e quatro horas desde que se tornara a esposa secreta de um bilionário. Mas ali, naquele escritório, ela ainda era apenas Hester Irwin — a estrela em declínio, a mercadoria.
Sussurros a seguiram enquanto ela passava pela recepção. Os estagiários pararam de digitar. O ar estava denso com uma pena performática que fazia Hester querer gritar. Eles não sabiam do casamento. Só sabiam que ela estava "passando por dificuldades".
Haywood a interceptou antes que ela pudesse chegar ao seu armário. Ele parecia frenético, o cabelo ligeiramente desgrenhado, o suor brotando em seu lábio superior. Mas quando a viu, ele estampou aquele sorriso familiar e charmoso — o sorriso que ela costumava pensar que era o sol.
"Hester, querida", disse ele, estendendo a mão para segurar seus ombros. "Onde você esteve? Fiquei te ligando a noite toda."
Hester se encolheu quando as mãos dele a tocaram. Ela disfarçou o movimento com uma tosse, recuando. "A bateria acabou", mentiu ela, com a voz monótona. "Fiquei na casa de uma amiga."
"Você nos deixou loucos de preocupação", disse Haywood, guiando-a à força para seu escritório. "Vamos. Temos uma crise."
Ele empurrou a porta para abri-la. Brandy Craig estava sentada no sofá de couro, enxugando os olhos com um lenço de papel. Ela parecia radiante, apesar das lágrimas falsas. Usava um suéter folgado, escondendo a barriga que Hester agora sabia que carregava o filho de Haywood.
"Hester!", Brandy exclamou, com a voz aguda e estridente. "Graças a Deus você está aqui. É um desastre."
"O que está acontecendo?", Hester perguntou, encostada no batente da porta. Ela manteve as mãos nos bolsos, os dedos roçando o metal frio do cartão de titânio.
"Estou inchada", Brandy fungou. "É... retenção de líquido. Estresse. Não consigo entrar no vestido da final para o desfile de hoje à noite. O zíper não sobe."
Hester olhou para a cintura de Brandy. Não era retenção de líquido. Era uma barriga de grávida. A audácia da mentira era de tirar o fôlego.
Haywood andava de um lado para o outro no escritório. "O cliente está furioso. Se a Brandy não desfilar, perdemos o contrato. Mas ela não pode desfilar com essa aparência... assim."
Ele parou e olhou para Hester. Seus olhos se estreitaram, calculistas.
"Você precisa desfilar por ela", disse Haywood.
Hester o encarou. O silêncio se estendeu, tenso como a pele de um tambor. "Como é que é?"
"O tema é 'Baile de Máscaras'", Haywood explicou, gesticulando com as mãos animadamente. "As modelos usarão máscaras que cobrem o rosto todo. Ninguém vai saber que é você. Você tem as mesmas medidas — bem, costumava ter. Você consegue entrar nele, mesmo que apertado."
"Você quer que eu seja a dublê de corpo dela?", Hester perguntou, com a voz baixa.
Brandy sorriu com desdém, largando o lenço. "É pela agência, amiguinha. Você já passou do seu auge, de qualquer forma. Assim, você ainda pode ser útil. Pense nisso como... pagar suas dívidas."
Hester sentiu o sangue pulsar em seus ouvidos. Eles queriam usar o corpo dela para salvar a carreira de Brandy. Queriam que ela desfilasse na passarela, recebesse os aplausos e deixasse Brandy levar o crédito, tudo isso enquanto roubavam seu dinheiro e seu futuro.
Era a armadilha perfeita. E era a oportunidade perfeita.
Hester abriu o punho cerrado dentro do bolso. "Tudo bem", disse ela.
Haywood piscou, surpreso com sua submissão fácil. "Sério?"
"Pela empresa", disse Hester, inexpressiva. "Eu faço."
Haywood soltou um suspiro de alívio, batendo palmas. "Eu sabia que você vestia a camisa da equipe. Vá para a prova de roupa. Agora."
Hester se virou e foi para o camarim. No momento em que a porta se fechou, ela pegou o celular. Ligou para Josie, a única gerente júnior que sempre a tratara com respeito.
"Josie", Hester sussurrou. "Você está perto do local do evento?"
"Sim, estou na montagem. Por quê?"
"Prepare uma equipe de filmagem. Não a da agência. A nossa. Preciso de imagens em alta definição do desfile final. Foque nos sapatos. Foque no andar."
"Hester, o que você está fazendo?", Josie perguntou, com a voz confusa.
"Estou pegando de volta o que é meu."
Hester desligou. Olhou para o vestido pendurado na arara. Era uma obra-prima da alta-costura — renda preta, seda carmesim, uma estrutura de espartilho que parecia punitiva.
Ela se despiu. Puxou o vestido para vesti-lo. Não precisou de esforço para entrar. Serviu como uma segunda pele. Brandy nunca teve tamanho de amostra; ela era comercial. Hester era alta-costura. O zíper subiu com um silvo satisfatório.
Ela pegou a máscara. Era elaborada, coberta de penas pretas e cristais, escondendo tudo da testa ao nariz, deixando apenas o queixo e a boca visíveis.
Ela a colocou. Olhou-se no espelho. A mulher que a encarava de volta não era a namorada cansada e traída. Era uma predadora.
Ela enviou uma mensagem de texto para o número de contato que Isham lhe dera. *Vai assistir ao desfile hoje à noite?*
A resposta chegou dez segundos depois. *Sou o dono da emissora que está transmitindo.*
Hester sorriu. Era uma expressão fria e cortante.
Ela saiu do camarim. A área dos bastidores era um caos — spray de cabelo, gritaria, corpos seminus correndo. Brandy estava sentada em uma cadeira de maquiagem, enfiando um donut de açúcar na boca.
"Tente não tropeçar", Brandy gritou, com a boca cheia, limpando o açúcar dos lábios. "Minha reputação está em jogo."
Hester não respondeu. Passou por Brandy, alongando a passada. Sentiu a mudança em seu centro de gravidade. A música estava começando — um baixo pesado e pulsante que fazia o assoalho vibrar.
Haywood agarrou seu braço uma última vez antes que ela chegasse à cortina. "Lembre-se. Você é a Brandy. Saltitante. Divertida. Mande um beijo no final."
Hester olhou para ele através dos buracos da máscara. "Não se preocupe, Haywood. Serei inesquecível."
O gerente de palco fez a contagem regressiva. "Três. Dois. Um. Vai."
A cortina se abriu. A luz branca e ofuscante da passarela a atingiu. O clamor da multidão era uma parede física de som.
Hester entrou na passarela. Ela não saltitou. Não sorriu. Ela liberou o andar que a tornara famosa cinco anos antes — o andar que eles tentaram enterrar.
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