
O Contrato do Bilionário: Vingança contra meu Ex
Capítulo 3
Hester entrou na passarela como uma bala saindo da câmara de uma arma.
O "Brandy Walk" era famoso por ser comercial, acessível, um pouco paquerador, com um balanço de quadril que dizia "garota da casa ao lado". Hester não fez isso. Ela baixou os ombros, alongou o pescoço e cravou os saltos no chão com uma precisão quase violenta. Era o "Cobra Walk", o estilo que ela havia aperfeiçoado em Milan, mas com uma mudança sutil, quase imperceptível, em seu balanço de quadril — o suficiente para ser novo, mas mantendo sua essência letal.
A reação do público foi imediata. Uma onda de suspiros percorreu a primeira fila. Cabeças se viraram. Óculos de sol foram abaixados. Os sussurros começaram, competindo com o grave pesado da música.
"Aquela é a Brandy?", murmurou um editor de moda, alto o suficiente para ser ouvido por cima da música. "Ela parece... mais alta. Marcante."
Pierre, o estilista da coleção, inclinou-se para a frente em seu assento, com os olhos arregalados. "Mon Dieu", ele sussurrou. "Aquele movimento. Não é a garota da prova de roupa, e ainda assim... é familiar. Como um fantasma de Milan. É... arte."
Hester focou no final da passarela. As luzes estavam quentes em sua pele, ofuscantes e purificadoras. Ela não conseguia ver os rostos na multidão, apenas um mar de escuridão além do brilho. Mas ela sabia que ele estava lá.
Isham Rhodes estava sentado na primeira fila, bem no centro, com as pernas cruzadas e uma expressão indecifrável. Ele não estava tirando fotos como o resto dos influencers. Ele estava observando. Ele viu o queixo — a linha nítida e desafiadora. Ele viu o jeito que as mãos dela se moviam, não balançando frouxas ao lado do corpo, mas cortando o ar.
Era sua esposa.
Hester chegou ao final da passarela. Este era o momento em que Brandy geralmente dava uma pirueta e soprava um beijo.
Hester parou. Firmou os pés. Incluiu a cabeça para baixo e, em seguida, ergueu o olhar lentamente. Seus olhos, emoldurados pelas penas pretas da máscara, cravaram-se na lente da câmera no centro do fosso dos fotógrafos. Ela não sorriu. Lançou o "Olhar da Morte" — um olhar de domínio absoluto e arrepiante.
Ela o sustentou por três segundos. Uma eternidade em tempo de passarela.
Então, ela se virou. O balanço de seus quadris enquanto caminhava de volta era hipnótico, um pêndulo de seda e renda.
Os aplausos explodiram. Não eram palmas educadas; era um rugido. Era o tipo de som geralmente reservado para ícones.
Nos bastidores, Brandy assistia ao monitor, seu rosto ficando vermelho e manchado. "Ela está roubando meus holofotes!", ela gritou, atirando sua rosquinha comida pela metade na tela. "Essa vadia está andando errado! Ela está arruinando a minha marca!"
Haywood estava suando através da camisa. Ele andava de um lado para o outro, olhando entre o monitor e a cortina. "A imprensa está adorando", ele gaguejou. "Eles acham que é você. Está tudo bem. É boa publicidade."
Hester atravessou a cortina. A adrenalina ainda corria por ela, fazendo as pontas de seus dedos formigarem.
Brandy avançou sobre ela. "Você se acha esperta?", ela sibilou, erguendo a mão para dar um tapa em Hester.
Hester segurou o pulso de Brandy no ar. Seu aperto era de ferro. "Cuidado", disse Hester, sua voz um pouco abafada pela máscara, mas nítida o suficiente para cortar vidro. "Você vai quebrar uma unha. E você precisa delas para lutar com unhas e dentes para voltar a ser relevante."
"Onde ela está?", uma voz bradou.
Pierre invadiu os bastidores, seguido por uma falange de câmeras e assistentes de iluminação. "A musa! O mistério!"
Ele ignorou Brandy completamente. Foi direto até Hester.
"Você!", Pierre apontou um dedo bem-cuidado para ela. "Aquele andar! Era a alma da coleção!"
Brandy tentou se colocar na frente de Hester. "Pierre, querido, sou eu, a Bra-"
Pierre acenou com a mão para ela sem olhar. "Saia, criança. Estou falando com a artista."
Haywood interveio, exibindo seu sorriso de empresário. "Sim, Pierre, este é o nosso conceito... uma nova direção para a Brandy..."
"A Mckee Management tem talentos ocultos", uma voz grave cortou o barulho.
A multidão se abriu. Isham Rhodes entrou. O caos dos bastidores pareceu congelar ao seu redor. Ele não olhou para Haywood. Não olhou para Brandy. Caminhou direto até Hester.
"Uma performance incrível", disse Isham. Ele parou perto o suficiente para que ela pudesse sentir o aroma nítido de sua colônia — sândalo e ar frio.
Ele se virou para a imprensa, que agora se aglomerava ao redor, com microfones estendidos. "Quem é esta 'Estrela Misteriosa'?", Isham perguntou, sua voz se projetando com facilidade.
Ele deliberadamente não a chamou de Brandy.
Os repórteres começaram a gritar. "Quem é você?" "Tire a máscara!" "É a Brandy?"
Hester olhou para Isham. Seus olhos eram escuros, firmes. Ele estava lhe dando o palco. Ela olhou para Haywood, que estava pálido, balançando a cabeça levemente, implorando com os olhos para que ela entrasse no jogo.
Ela não tirou a máscara.
"Eu sou simplesmente aquela que faz o trabalho", disse ela no microfone mais próximo.
A frase pairou no ar. Era enigmática. Era pesada.
Isham ofereceu-lhe o braço. "Permita-me escoltar a estrela até seu transporte. O público merece manter o mistério por uma noite."
Era uma ordem, não um pedido. Os repórteres recuaram. Haywood ficou parado, de boca aberta, incapaz de impedir o bilionário de levar sua "cliente".
Hester pegou o braço de Isham. O tecido do terno dele era macio sob seus dedos. Eles saíram juntos, deixando para trás os flashes e a confusão.
Ao saírem do local, Hester olhou para trás. Haywood e Brandy estavam parados em meio aos destroços de seu próprio plano, pequenos e diminuindo à distância.
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