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Capa do romance O Cientista Apagado por Ele Retorna

O Cientista Apagado por Ele Retorna

Durante dez anos, fui a mente invisível por trás do sucesso do Dr. Arthur Salles. Quando nossa pesquisa revolucionária foi concluída, meu noivo me traiu, creditando o trabalho à sua nova protegida. Humilhada publicamente e descartada por Arthur e minha própria família, percebi que era apenas uma ferramenta para ele. Após um confronto final, apaguei uma década de dados vitais do laboratório e parti para o sertão, decidida a retomar minha vida.
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Capítulo 1

Por dez anos, eu fui o motor silencioso por trás do meu noivo, o celebrado gênio Dr. Arthur Salles. Dediquei minha vida à nossa pesquisa, despejando minha alma em uma descoberta que mudaria o mundo.

Mas quando essa descoberta finalmente aconteceu, ele a roubou. Ele colocou o nome de sua nova protegida, Clara Guedes, no trabalho da minha vida.

No colóquio anual, para proteger Clara de acusações de plágio, ele publicamente desmereceu minha década de pesquisa.

"Ela realizou uma coleta de dados preliminares", ele anunciou para todo o instituto.

Naquele momento, eu entendi. Eu não era sua parceira; eu era uma ferramenta. Uma peça conveniente e descartável que ele estava agora substituindo. Minha família já havia me expulsado por perder meu "bilhete premiado", e agora, o homem que eu amava havia apagado minha existência profissional.

Então, depois que ele tentou me silenciar com um beijo, eu lhe dei um tapa, voltei para o meu laboratório e deletei tudo. Cada arquivo. Cada dado dos últimos dez anos.

Depois, comprei uma passagem só de ida para o sertão.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Elisa Campos

Eu estava diante dos membros do conselho, minha apresentação deslizando pela tela com uma facilidade ensaiada. Dez anos. Uma década da minha vida derramada neste instituto, nestas mesmas paredes. Agora, a conquista suprema, uma revolução na ciência dos materiais, iluminava a sala. Houve uma onda de aplausos, um murmúrio de admiração. Meu nome, quase um sussurro, estava ligado a este sucesso monumental.

Dr. Arthur Salles, o gênio celebrado, estava ao meu lado. Meu noivo. Meu chefe. Ele ofereceu um aceno seco, seu olhar já se perdendo de volta nos dados. Ele sempre fazia isso. Uma vida inteira de buscas intelectuais, um vácuo completo quando se tratava de conexão humana.

"Elisa", o membro principal do conselho começou, sua voz tingida com um calor incomum. "Isso é verdadeiramente notável. Um divisor de águas."

Senti um lampejo de orgulho, rapidamente extinto. Era sempre "nós" em público, mas o entendimento silencioso era que Arthur era o sol, e eu era meramente um satélite, orbitando, refletindo sua luz.

Mais tarde naquela noite, depois que o último aperto de mão de congratulações se desvaneceu, me encontrei em seu escritório. O cheiro familiar de papel velho e ozônio enchia o ar. Ele estava curvado sobre sua mesa, como sempre, perdido em cálculos.

"Arthur", eu disse, minha voz firme, embora meu estômago se revirasse.

Ele não levantou o olhar. "Sim, Elisa? Você se lembrou de finalizar os pedidos de patente?"

"Lembrei", respondi, um suspiro cansado escapando de mim. "Eu também enviei meu pedido de transferência."

A caneta parou de arranhar o papel. Um instante de silêncio. Então, lentamente, ele ergueu a cabeça. Seus olhos, geralmente afiados e focados, pareciam distantes, quase vagos. "Pedido de transferência? Do que você está falando?"

"Para a base do Sertão", esclareci, meu olhar firme. "Eu me candidatei a uma posição de pesquisadora-chefe lá. Foi aprovado."

Sua testa se franziu, uma rara demonstração de emoção. Confusão, talvez. Irritação. "Mas... por quê? Estamos à beira de algo extraordinário aqui. Nosso trabalho. Nosso futuro."

"Nosso futuro?", ecoei, uma risada amarga ameaçando escapar. "Arthur, nós não temos um futuro. Não aquele que eu pensei que estávamos construindo."

Ele se levantou então, sua figura alta de repente se agigantando sobre mim. Ele raramente iniciava contato físico, mesmo depois de uma década. E não o fez agora. Ele apenas me encarou, como se eu fosse uma equação complexa que ele não conseguia resolver.

"O casamento", ele começou, sua voz monótona. "É no próximo mês. Eu presumi..."

"Você presumiu muitas coisas, Arthur", eu o cortei. Minha voz falhou, mas eu continuei. "Como se o 'sim' ao seu pedido de casamento significasse amor. Não significou. Significou culpa. A sua culpa."

Ele se encolheu. A palavra pairou no ar, pesada e verdadeira.

Minha mente reviveu o assalto corporativo, a busca frenética, meu ato desesperado e tolo de me jogar na frente dele. A bala raspando meu braço, o sangue florescendo em meu jaleco branco. Sua expressão atônita. E então, uma semana depois, o pedido de casamento rígido e desajeitado. Uma transação. Um pagamento. Não amor. Nunca amor.

Engoli em seco, o gosto de metal na boca. "E agora há a Clara."

Seu olhar se aguçou, um lampejo de algo que eu não consegui decifrar. Defesa? Afeição? "Clara é minha protegida. Uma mente brilhante. Ela entende meu trabalho."

"Ela entende você, Arthur", corrigi, minha voz tremendo agora. "Ou pelo menos, ela faz você querer ser entendido. Algo que eu nunca consegui fazer em dez anos."

Lembrei-me da facilidade com que ele ria das piadas dela, da maneira como sua postura rígida se suavizava quando ela se aproximava, do toque casual da mão dela em seu braço do qual ele não recuava. O afeto que eu ansiava, pelo qual sangrei, era agora dado sem esforço a outra pessoa.

"Elisa, isso é absurdo", disse ele, sua voz recuperando sua autoridade distante de sempre. "Nós temos uma casa. Uma vida. Os planos para a casa... você mesma escolheu os azulejos."

"Estou vendendo a casa", afirmei, minha determinação se solidificando a cada palavra. "Ela entra no mercado amanhã. O casamento está cancelado."

Seus olhos se arregalaram ligeiramente. Uma surpresa genuína, pela primeira vez.

"E", continuei, pegando meu celular, "minha passagem de avião para a Paraíba está comprada. Para a próxima semana."

Observei seu rosto, procurando por um sinal de arrependimento, de qualquer coisa além de curiosidade intelectual. Não havia nada. Apenas uma avaliação fria, quase científica da situação. Ele parecia estar analisando um experimento fracassado.

"Elisa", disse ele novamente, um toque de algo que se assemelhava a uma ordem em seu tom. "Isso não é lógico."

Olhei para a tela, uma nova mensagem do RH do instituto aparecendo. Pedido de transferência aprovado. Parabéns, Dra. Campos.

Virei meu celular para ele, certificando-me de que ele visse. "Está feito, Arthur. Eu estou indo embora."

O celular dele vibrou em sua mesa. Ele olhou. Uma mensagem de Clara: "Pronto para nossa sessão de brainstorming noturna, Dr. Salles?"

Ele olhou do celular para mim, depois de volta para o celular. O lampejo de algo, talvez uma decisão, cruzou seu rosto.

"Elisa", ele começou, sua voz monótona, "preciso que você prepare os dados preliminares para a próxima fase. Clara e eu vamos revisá-los logo pela manhã."

Minha respiração engasgou. O comando familiar. A expectativa arraigada. A década de servidão silenciosa.

Digitei uma resposta, rápida e decisiva, meus dedos voando sobre a tela. Sem uma palavra, mostrei-lhe meu celular.

A mensagem era breve. "Eu não estarei aqui."

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