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Capa do romance O CEO rabugento e a filha da empregada

O CEO rabugento e a filha da empregada

Charles Sterling, um bilionário de 38 anos e coração gélido, governa sua mansão com rigidez absoluta. Sua rotina de controle é abalada quando Ivy Parker, a talentosa filha da sua empregada, assume a cozinha para ajudar a mãe doente. Através de pratos viciantes, ela desperta sentidos há muito esquecidos no CEO. O encontro entre a frieza dele e o fogo dela gera uma tensão proibida e eletrizante. O homem que tudo domina descobrirá que o desejo é impossível de controlar.
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Capítulo 3

Ivy Narrando

Quando o horário de trabalho da minha mãe finalmente terminou, eu a levei para casa. Dirigi devagar, observando cada rua conhecida, cada esquina que fazia parte da minha infância. Nada parecia ter mudado. E, ao mesmo tempo, tudo parecia menor do que na minha memória.

Assim que abri a porta, fui recebida pelo mesmo cheiro acolhedor de sempre. Uma mistura de chá de canela, sabão em pó e lembranças boas. A casa estava exatamente do jeito que eu lembrava. Simples, organizada, viva. Meu coração apertou no peito.

Meu quarto continuava intacto. A cama no mesmo lugar, a cômoda antiga encostada na parede, as cortinas claras que deixavam a luz entrar suave no fim da tarde. Era como se eu nunca tivesse ido embora. Coloquei minha mala em um canto, perto da cama, e respirei fundo. Aquela casa ainda era meu porto seguro.

- A senhora tem visto a Irina? - perguntei, enquanto deixava a bolsa sobre a cadeira.

Minha mãe sorriu daquele jeito resignado que só ela sabia fazer.

- Pelas capas de revista.

Balancei a cabeça negativamente, sem surpresa alguma. Irina sempre preferiu aparecer para o mundo do que estar presente de verdade.

- Vai tomar um banho quente - pedi, tentando manter o tom firme. - Eu preparo o jantar.

- Faz um caldo pra mim? - ela pediu, com a voz mansa. - Tô com vontade.

Sorri automaticamente.

- Claro que faço.

Fui direto para a cozinha. Cortei os legumes com calma, temperei o frango do jeito que ela gostava, deixando o aroma se espalhar pela casa. Enquanto o caldo cozinhava lentamente, fui tomar um banho rápido. Precisava lavar o corpo e também a cabeça.

Quando voltei, minha mãe já tinha arrumado a mesa. Dois pratos simples, talheres alinhados, um cuidado que me fez engolir em seco. Sentamos juntas e jantamos conversando sobre coisas leves. Nada de doenças, médicos ou preocupações. Falamos do tempo, de receitas antigas, de lembranças soltas que arrancaram risadas sinceras.

Depois, tirei a mesa, coloquei toda a louça na máquina e voltei para a sala. Peguei a mão da minha mãe e a conduzi até o sofá. Sentei ao lado dela, segurando seus dedos com força.

- Mãe, a senhora precisa parar - falei, olhando diretamente para ela. - Precisa se cuidar, fazer os exames, começar o tratamento. Não tem necessidade nenhuma da senhora continuar trabalhando. Eu já falei isso tantas vezes.

Ela suspirou, mas me deixou continuar.

- A senhora tem dinheiro guardado, tá pertinho de se aposentar. E, se precisar de qualquer coisa, tem a mim. Pode alugar essa casa, vender, vir morar comigo. Por favor, se cuida.

Ela me encarou em silêncio por alguns segundos, depois sorriu com ternura.

- O senhor Charles não pode ficar sozinho.

Revirei os olhos imediatamente.

- Mãe, a senhora não pode trabalhar doente - respondi, já irritada. - Aquele homem tem um exército de pessoas babando pra servir a ele.

Ela deu uma risadinha curta.

- Ele não gosta de bajuladores.

Naquele momento, minha mente gritou com todas as forças: detesto Charles Sterling. E eu nem o conhecia ainda.

Respirei fundo, tentando pensar com lógica, não com raiva. Então, a ideia surgiu quase como um desafio pessoal.

- Então é o seguinte - falei, me endireitando no sofá. - Eu fico no seu lugar por enquanto. Enquanto a senhora vai ao médico, faz os exames, começa o tratamento, eu assumo. Vou cozinhar pro senhor mimado que não pode ficar sozinho.

Ela me olhou surpresa, depois abriu um sorriso aliviado.

- Sendo assim, eu aceito.

Assenti, mesmo sentindo um frio estranho no estômago. Aquilo não era apenas ajudar minha mãe. Era entrar em um mundo que eu não conhecia, lidar com um homem que eu já odiava sem motivo pessoal.

Mais tarde, fui me deitar. Apaguei a luz, encarando o teto conhecido do meu quarto de infância. Amanhã, eu começarei meu mais novo desafio. E, por alguma razão que eu ainda não entendia, tinha a sensação de que nada seria simples a partir dali.

Acordei cedo, antes mesmo do despertador tocar. A casa ainda estava silenciosa quando fui para a cozinha preparar o café da manhã da minha mãe. Fiz tudo com calma, do jeito que ela gostava: café passado na hora, pão aquecido, um pouco de manteiga e frutas cortadas. Tomei o meu café com ela, conversamos pouco, mais com olhares do que com palavras. Antes de sair, deixei tudo arrumado, a pia limpa, a mesa em ordem.

Saí ainda estava escuro. O céu começava a clarear quando estacionei em frente à mansão. Parecia maior do que ontem. Imponente, fria, silenciosa. Respirei fundo e entrei direto pela porta de serviço. Fui para a cozinha sem perder tempo. Demorei um pouco para encontrar tudo, afinal não conhecia aquele espaço enorme, mas nada que me tirasse o foco. Preparei um café da manhã prático, organizado e funcional, exatamente como minha mãe me explicou.

Enquanto organizava a bancada, ouvi passos e me virei. O mordomo havia chegado. Ele parou no meio do caminho, claramente surpreso ao me ver.

- Posso ajudar? - perguntou, confuso.

- Sou Ivy Parker - me apresentei. - Filha da Ella Parker. Minha mãe precisa se tratar e eu vou assumir o lugar dela por um tempo.

O semblante dele suavizou imediatamente.

- Ah, então você é a Ivy - disse com um sorriso gentil. - Sua mãe fala muito de você. Tem um orgulho enorme.

Sorri, sentindo o peito aquecer.

- Quem arruma a mesa? Sou eu? - perguntei, já me organizando.

- Não - respondeu. - Seu trabalho é apenas na cozinha.

Assenti. Pouco depois, duas mulheres entraram e começaram a recolher tudo o que eu havia preparado, levando para a sala de refeições principal. Aproveitei para deixar a mesa da cozinha organizada também, com pães, frutas, café e tudo o que havia feito, para que os empregados pudessem comer.

Os elogios vieram quase imediatamente. Comentários baixos, sorrisos discretos, agradecimentos sinceros. Aquilo me deixou estranhamente satisfeita.

- E o almoço? - perguntei ao mordomo mais tarde.

- Apenas para os funcionários. O senhor Sterling só volta à noite.

Preparei o almoço com a mesma dedicação. Nada simples demais, nada exagerado. Arroz soltinho, legumes salteados, carne bem temperada. Almocei com eles e, depois, fui para o quarto de descanso. Liguei para minha mãe.

- Já marquei os exames pra amanhã - ela disse.

Respirei aliviada.

No fim da tarde, voltei para a cozinha. Agora era diferente. O jantar não era para muitos. Era para um homem só. E, mesmo sem conhecê-lo, eu sabia que precisava ser impecável.

Comecei pela entrada: uma sopa cremosa de abóbora com gengibre, finalizada com um fio de azeite trufado e sementes crocantes por cima. Algo leve, mas marcante.

O prato principal foi pensado com cuidado. Preparei um medalhão de filé mignon ao ponto perfeito, acompanhado de um purê de batata com parmesão e alho assado. Para equilibrar, legumes grelhados, coloridos e bem temperados, trazendo frescor ao prato.

Para a sobremesa, escolhi algo clássico, porém refinado: uma panna cotta de baunilha com calda de frutas vermelhas. Doce na medida certa, suave, elegante.

Quando terminei, olhei para o relógio e senti um misto de ansiedade e satisfação. Eu havia feito tudo do meu jeito. E, gostando ou não, Charles Sterling vai provar.

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