Capa do romance O CEO rabugento e a filha da empregada

O CEO rabugento e a filha da empregada

9.1 / 10.0
Em O CEO rabugento e a filha da empregada, Charles Sterling controla um império, mas é desafiado pelo talento culinário de Ivy Parker. Este romance explora o desejo proibido entre o bilionário e a chef nesta modern novel. Leia livros online grátis e descubra se o poder vence a tentação.
Resumo de O CEO rabugento e a filha da empregada
Charles Sterling, um bilionário de 38 anos e coração gélido, governa sua mansão com rigidez absoluta. Sua rotina de controle é abalada quando Ivy Parker, a talentosa filha da sua empregada, assume a cozinha para ajudar a mãe doente. Através de pratos viciantes, ela desperta sentidos há muito esquecidos no CEO. O encontro entre a frieza dele e o fogo dela gera uma tensão proibida e eletrizante. O homem que tudo domina descobrirá que o desejo é impossível de controlar.
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O CEO rabugento e a filha da empregada Capítulo 1

Charles Narrando

Eu fiquei órfão cedo demais para acreditar em finais felizes.

Não lembro do calor de um colo por muito tempo, nem de histórias contadas antes de dormir. O que lembro é do silêncio. Do vazio. Da sensação constante de que o mundo não estava nem aí para mim. Meus pais morreram quando eu ainda aprendia a diferenciar dor física de emocional e, desde então, descobri que a segunda dói muito mais e dura muito mais tempo.

Fui criado por tutores pagos para cumprir horário, não por afeto. Pessoas que sorriam porque eram obrigadas, não porque se importavam comigo. Aprendi cedo que amor é uma moeda instável e que dependência emocional é o caminho mais curto para a ruína.

O ódio pelo mundo não nasceu de um grande trauma isolado. Ele foi sendo construído, dia após dia, em pequenos abandonos. Em promessas não cumpridas. Em olhares vazios. Em portas fechadas.

Enquanto outras crianças choravam por brinquedos, eu aprendia a ler contratos. Enquanto adolescentes sonhavam com romances, eu aprendia a blindar sentimentos. Não foi escolha. Foi sobrevivência.

Família, não sei o que é isso. Natal, ação de graça. Festa de aniversário. Essa realidade nunca me alcançou. Sei a data do meu aniversário, mas não comemoro. Apenas conto mais um ano e acrescento a minha idade, na empresa comemoram. Só que sem mim, eu não participo, não tem o que comemorar nisso.

Hoje, aos trinta e oito anos, sou o homem que todos temem e admiram à distância. Dono das maiores marcas americanas, CEO de um império construído com inteligência, frieza e uma ambição que não conhece limites. Meu nome abre portas, cala reuniões e faz homens poderosos engolirem seco.

Poder é previsível. Pessoas, não.

Minha vida é regada a luxo. Mansões espalhadas pelo mundo. Garagens cheias de carros que poucos podem comprar. Vinhos raros, obras de arte, silêncio absoluto. E ainda assim, solidão. Uma solidão escolhida. Controlada. Segura.

Não me queixo. A solidão nunca me traiu.

- Senhor Sterling, deseja revisar os relatórios antes da reunião de amanhã?

- Não. Já sei exatamente o que vai estar ali - respondo, sem tirar os olhos do tablet.

- Como preferir, senhor.

Eles sempre dizem isso. Como preferir, senhor. Porque ninguém ousa contrariar Charles Sterling. Ninguém ousa ficar perto demais. E é exatamente assim que deve ser.

Sobre amor, bom, eu tentei. Uma única vez.

Era jovem. Estava na faculdade. Ainda acreditava, mesmo que secretamente, que poderia existir algo além de números, metas e poder. O nome dela era Raven. E sim, o nome combinava perfeitamente com ela.

Linda. Elegante. Fria na medida certa para parecer inalcançável. Raven tinha aquele tipo de beleza que fazia qualquer ambiente se curvar à sua presença. Cabelos escuros, postura impecável, um sorriso que nunca chegava aos olhos.

Eu me apaixonei como um idiota.

Lembro de esperar horas por ela em cafés caros demais para estudantes. Lembro de mudar minha agenda inteira só para coincidir com a dela. Lembro de oferecer tudo o que eu tinha, atenção, tempo, devoção. Coisas que hoje considero imperdoáveis.

Ela me esnobou como se eu fosse lixo descartável.

- Você acha mesmo que eu perderia meu tempo com alguém como você, Charles? - disse ela, certa noite, ajustando o casaco caro que eu não podia pagar.

- Alguém como eu? - perguntei, ainda tentando entender.

Ela riu. Não um riso bonito. Um riso cruel.

- Ambicioso demais, intenso demais, e ainda assim, insuficiente. Você não é o tipo de homem que eu apresentaria em um jantar importante.

Ali, algo morreu dentro de mim.

A humilhação não foi pública, mas foi profunda. E definitiva. Aquela foi a única vez que me rastejei por uma mulher. A última vez que permiti que alguém tivesse poder emocional sobre mim.

Depois de Raven, eu mudei.

Não foi imediato. Foi gradual. Como uma armadura sendo forjada peça por peça. Passei a usar mulheres como elas sempre me viram: objetos de prazer. Nada além disso. Sem promessas. Sem envolvimento. Sem nomes que precisassem ser lembrados pela manhã.

- Você não fica? - perguntavam algumas, ainda nuas, ainda esperançosas.

- Não - eu respondia, enquanto fechava os botões da camisa.

Simples assim.

Nunca menti. Nunca prometi. Nunca dei espaço para confusão. Eu dou prazer. Elas dão silêncio. Um acordo justo.

Hoje, vivo em um pedestal inalcançável. Não por arrogância, embora muitos confundam, mas por necessidade. Lá de cima, enxergo tudo com clareza. Emoções borram a visão. Apego enfraquece decisões.

Minha mansão é meu refúgio. Um lugar onde regras são seguidas, onde o controle é absoluto. Funcionários eficientes. Rotina impecável. Nada sai do eixo sem minha permissão.

Ainda assim, ultimamente, algo tem me incomodado.

Não sei quando começou. Talvez tenha sido sutil demais para perceber de imediato. Os jantares. O aroma. O gosto. Há anos como a mesma coisa sem prestar atenção. Alimentar-se sempre foi apenas uma necessidade fisiológica.

Até não ser mais.

Os pratos mudaram. A textura. A intensidade. Havia algo provocante. Algo que despertava sentidos que eu acreditava completamente adormecidos. Fome, não apenas no estômago.

Curiosidade.

- Quem está cozinhando agora? - perguntei certo dia, interrompendo o jantar.

O mordomo hesitou. Isso me irritou.

- Responda.

- A nova chefe de cozinha, senhor. Ela assumiu recentemente.

- Nome.

- Ivy Parker, filha da Sra. Ella.

O nome não me disse nada. Mas o desconforto permaneceu.

Não gosto de surpresas. Não gosto de coisas fora do meu controle. E definitivamente não gosto da ideia de alguém mexendo comigo sem sequer se apresentar.

- Quero conhecê-la.

- O senhor deseja, agora?

- Eu não costumo repetir ordens.

Silêncio. Passos apressados. A casa inteira parecia conter a respiração. Seja quem for essa mulher, ela está prestes a entrar no meu território.

E ninguém entra no mundo de Charles Sterling sem pagar um preço.

Não acredito em amor. Não acredito em redenção. Não acredito em finais felizes.

Mas acredito em desejo. Em domínio. Em jogos perigosos.

E, pela primeira vez em muitos anos, sinto que algo está prestes a sair do controle.

E eu odeio perder o controle.

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